Porção dessa semana se chama יִתְרוֹ Ytro “Jetro”, é a décima sétima leitura da Torá no ciclo anual de leitura e a quinta no sefer shemot , o livro do Êxodo.
Corpo da parasha:
Torá: Êxodo (Shemot) 18.1-20.23
Haftarah: Isaías 6.1-7:6; 9.5-6
Brit Chadasha: Mt. 5.8-20
Leitura que deu origem a parasha: “Veio, pois, Jetro, sogro de Moisés, com seus filhos e sua mulher, a Moisés, ao deserto, onde estava acampado, junto ao monte de Deus; e ele disse a Moisés: ‘Eu, teu sogro Jetro, venho a ti, e tua mulher, e seus dois filhos com ela.”
A Parasha Ytro recebe esse nome em referência a Ytro [JETRO], sogro de Moisés, que ouve sobre os milagres do Êxodo e decide encontrar-se com ele no deserto. Ytro traz com ele a esposa (Zipora) e os filhos de Moisés e, ao observar o peso da liderança que seu genro carrega ao julgar o povo sozinho, sugere um sistema de delegação. Ele aconselha Moisés a escolher homens sábios e justos para atuarem como juízes sobre grupos menores, deixando apenas os casos mais difíceis para Moisés resolver. Moisés prontamente aceita essa sugestão e torna a administração mais eficiente.
No pequeno resumo acima do qual iremos desenrolar ao máximo no decorrer desse estudo, conseguimos perceber duas situações: Primeiro as boas novas que Jetro ouviu e sujestão para controlar melhor as tarefas, ensinando-o sobre a importância da organização e da delegação de responsabilidades, em outras palavras “diminuir o peso das costas”.
O ponto central da parasha, no entanto, é a entrega da Torah no Monte Sinai. O povo de Israel acampa diante do monte, e Deus propõe um pacto: se obedecerem aos Seus mandamentos, serão um “reino de sacerdotes e uma nação santa”.
Há uma discussão entre os sábios a cerca dessa porção, do qual, alguns alegam que o sogro de Moises só foi até ele após a entrega dos 10 mandamentos, outros vão falar que foi antes (como aparentemente segue-se a leitura na Torah). Porém, eu não vou aqui trazer respostas para nenhuma dessas questões, ficando para um outro momento.
Então vamos lá
Em parashiot do livro de Devarim (Deuteronômio) aprendemos que D’us ofertou a Torah para as nações e as mesmas recusaram. Por exemplo na porção Vezot Habracha. O que isso tem haver com Ytro?
Ytro é chamado pelos sábios de prosélito (um gentio convertido), podendo ser comparado em um nível sod com com as nações que hoje recebem as boas novas (notícias/evangelho) e busca ir até Mosher (Mashiach) através da Teshuva. Porque diferente das 70 nações que sairam do Egito, Ytro não viu diretamente as ações milagrosa de D’us através de Moisés, mas ouviu e acreditou e buscou ir em direção.
“Bem-aventurados os que não viram e creram” João 20:29
Podemos falar que Ytro era um “Bem aventurado” e de certa forma. Ytrô, ao se juntar ao povo, representa os gentios sendo enxertados na aliança. Romanos 11
Agora, algo interessante: O nome Ytrô tem uma raiz que significa “acrescentar” ou “expandir” e também “buscar”. Klein Dictionary יתר. Estando Intrinsecamente seu nome ligado á suas ações. A participação do sogro de Moisés nessa parasha, além da busca em se aproximar de D’us e do povo, serviu para acrescentar conhecimento/sabedoria para seu genro.
Moises um dos homens mais importante para o povo de Israel, escolhido por D’us para libertar do Egito, um Elohim “juiz” justo do qual todos o respeitavam e o seguiam, era sábio e mesmo assim seu coração estava disposto a aprender, ouviu o conselho do sogro, poderia simplesmente rejeitar por se tratar de alguém de fora do povo, um “pagão”. Não devemos menosprezar um bom conselho, como escreveu Salomão:
“O caminho do insensato parece-lhe justo, mas o sábio ouve os conselhos.” Provérbios 12:15
“O sábio ouvirá e crescerá em conhecimento, e o entendido adquirirá sábios conselhos.” Provérbios 1:5
Devemos ter humildade. No nosso dia a dia, muitas vezes as lições vêm de onde menos esperamos (amigo, um desconhecido ou até mesmo das dificuldades). Uma pessoa com sabedoria não vai rejeitar um aprendizado, porque tudo em nossa volta (material, sentimental) pode ser usado por D’us para nos trazer uma mensagem. Que possamos então ter um olhar de humildade, sábio, ouvindo mais do que falando, aprendendo mais do que ensinando, e reconhecendo que a humildade é um caminho para o crescimento.
Logo, Jetro acrescentou um conhecimento fazendo a Tora e o julgamento de Moisés ficarem plena, cheia, completa (o manual foi lido e entendido) no aspecto prático e organizacional. A lei por si só é perfeita, só precisa ser entendida e guardada com perfeição.
Isso nos conecta com Yeshua, que disse:
“Não vim abolir a Torá, mas cumprí-la πληρόω (preenchê-la, expandí-la).” – Mateus 5:17
No grego: πληρόω plēróō (G4137) “tornar cheio, completar, i, e, preencher até o máximo”
De que forma completar, preencher ao máximo são os gentios na Torah? R= O propósito original da Torah (Abraão e as nações). A Torah nunca foi destinada apenas a Israel, mas era um canal para trazer luz a todas as nações.
Gênesis 12:3 : “Em ti serão benditas todas as famílias da terra.”
Isaías 49:6 : “Eu te farei luz para os gentios, para seres a minha salvação até os confins da terra.”
Ou seja, Israel recebeu a Torah para ensinar e iluminar o mundo! E desde sempre os gentios estiveram lado a lado (guardando mandamento) junto com os patriarcas. E essa plenitude que Yeshua tanto fala, está ligado a negação dos “Judeus” de sua messianidade, para alguns galhos da oliveira serem quebrados e os gentios serem de fatos (confirmado como povo) Israel, como transcreve nosso Rav. Shaul em Romanos 11
Antes de Yeshua, os gentios estavam fora da aliança. Eles não tinham acesso ao conhecimento pleno da Torah. E através de Yeshua, os gentios são trazidos para dentro da aliança e começam a viver os princípios da Torah (da forma correta e não apenas por um principio humano).
Antes, os gentios podiam se unir a Israel apenas convertendo-se totalmente ao judaísmo e assumindo “todas as 613 mitzvot”. Agora, em Yeshua, os gentios são enxertados e recebem a essência da Torah (pela fé e pelo Espírito), sem precisar adotar toda a Halachá judaica, mas aprendendo a viver conforme os princípios divinos.
Efésios 2:12-13 – Antes, os gentios estavam “separados da aliança”, mas agora, pelo sangue de Yeshua, foram aproximados.
“Ide, fazei discípulos de todas as nações, ensinando-os a guardar tudo o que vos tenho ordenado.” Mateus 28:19-20
Nesse momento, Yeshua conseguiu trazer a plenitude o que foi prometido a Avraham, de que, as nações seriam abençoada através “dele” (seus descendentes). Ou seja, Ytro (nessa porção) simboliza a futura expansão da Torá para todas as nações através do Messias.
Para fechar esse entendimento: Ytro יֶתְרוֹ em gematria gadol “valor total das letras”, soma 616. Esse é o mesmo valor numérico da palavra התורה HaTorah “A Torah”. Ytro, um gentio convertido, está de alguma forma ocultamente conectado ao propósito da Torah. Curiosamente, Ytro é chamado de “mestre” de Moshe por ter trazido, ensinado, formas de prosseguir da melhor forma possivel em sua jornada. Um “gentio” convertido, conseguiu olhar com bons olhos de uma perspectiva nova ao ponto de trazer um melhor entendimento para aquele que é considerado o “maior” entre os judeus. A verdade é que, os nazarenos tem observado com um olhar clínico de uma perspectiva melhor que os irmãos mais antigos (os que não aceitam Yeshua). É nosso papel agir da mesma forma que Ytro (levou conhecimento e sabedoria para Moises) e levar a melhor forma para o entendimento das escrituras aos judeus, colocando Yeshua como a peça que falta no quebra-cabeça.
E aconteceu que, ao outro dia, Moisés assentou-se para julgar o povo; e o povo estava em pé diante de Moisés desde a manhã até à tarde. Então disse Moisés a seu sogro: É porque este povo vem a mim, para consultar a Deus: Quando tem algum negócio vem a mim, para que eu julgue entre um e outro, e lhes declare os estatutos de Deus, e as suas leis. Êxodo 18:13-17
“O sogro de Moisés porém lhe disse: “Não é bom o que fazes” Êxodo 18:17
“É tolice e você irá se definhar” Êxodo 18:18 Tradução literal

Imagine um homem que, dia após dia, se vê soterrado por uma pilha interminável de tarefas. Ele acorda cedo, muitas vezes antes mesmo do sol nascer, já sentindo o peso das responsabilidades que o aguardam. O café da manhã é engolido às pressas, quando há tempo para isso. No caminho para o trabalho, ele não observa mais a paisagem, não sente mais a brisa da manhã – sua mente já está ocupada com prazos, cobranças e preocupações.
No escritório (ou no ambiente de trabalho, seja ele qual for), a rotina é sufocante. Com o tempo, a exaustão se instala. O que antes era apenas um cansaço passageiro agora se torna fadiga crônica. O corpo começa a dar sinais: dores de cabeça, insônia, tensão muscular. A mente se torna turva, a concentração falha, e o humor se torna cada vez mais instável. Pequenos erros começam a surgir, alimentando um ciclo de frustração e culpa. Ele percebe que não sente mais prazer no que faz. O trabalho, que talvez um dia tenha sido fonte de realização, agora é apenas um peso, uma obrigação desprovida de significado. O cansaço emocional se soma ao físico, e a motivação dá lugar ao desânimo. A vida pessoal também sofre: ele se afasta da família, evita amigos, perde o interesse por hobbies. Tudo se resume a sobreviver ao próximo dia de trabalho.
Isso estava / iria acontecer com Moises (Jetro foi cirúrgico em seu conselho)
Trabalho é algo honroso para o homem, porém de forma excessiva não é saudável. Justamente por isso, D’us deu o shabbat para o homem descansar totalmente de suas atividades semanais.
E não só era prejudicial para Moises como para o próprio povo. Imagina a cena, de uma multidão agrupada em um só lugar, aguardando para falar com apenas uma pessoa, para entender como funciona a lei e de que forma guardar, obedecer.

O conselho de Jetro
E tu dentre todo o povo procura homens capazes, tementes a Deus, homens de verdade, que aborreçam a avareza; e põe-nos sobre eles por maiorais de mil, maiorais de cem, maiorais de cinquenta, e maiorais de dez; Êxodo 18:21
O conselho de Jetro aparentemente simples e lógico, vem com uma profundidade que só no hebraico vamos ser capazes de entender.
וְאַתָּ֣ה תֶחֱזֶ֣ה מִכׇּל־הָ֠עָ֠ם אַנְשֵׁי־חַ֜יִל יִרְאֵ֧י אֱלֹהִ֛ים אַנְשֵׁ֥י אֱמֶ֖ת שֹׂ֣נְאֵי בָ֑צַע
וְשַׂמְתָּ֣ עֲלֵהֶ֗ם שָׂרֵ֤י אֲלָפִים֙ שָׂרֵ֣י מֵא֔וֹת שָׂרֵ֥י חֲמִשִּׁ֖ים וְשָׂרֵ֥י עֲשָׂרֹֽת׃
אַנְשֵׁי־חַ֜יִל An’shy – Chayl “homens capazes” – No hebraico a palavra para homem é Ish אִישׁ e na forma que foi escrita nesse texto se utilizou a expressão אנשׁ “Homem / Humanidade”, porém, além de אנשׁ significar homem, também significa fraco ou doente:

E o verbo ligado a esse sujeito é o חַ֜יִל Chail “Capaz” na verdade significa também “Dor, agonia, tristeza, contorção, angústia”. Não é curioso, que Jetro tenha utilizado 2 palavras que podem remeter a uma desqualificação fisica e emocional, entre um homem fraco e doente, com dor, tristeza, depressão, etc? Porque o primeiro do conselho de Jetro foi dessa forma? Foi um ótimo conselho para trazer um pouco de paz e reduzir o estresse de Moises e não acabar afetando a sua integridade fisica e emocional e conjugal. Porém, tal conselho vem carregado com algumas condições: Se utilizando das palavras hebraicas em suas formas primitivas, um homem por si só é fraco, é doente (morre) e a unica forma de tais palavras fazerem sentido no texto em questão, é a sequencia da leitura – “Tementes a Deus”. Temer do verbo יָרֵא Yare “temer, reverenciar”
“Agora, pois, ó Israel, o que o Senhor teu Deus pede de ti, senão que temas o Senhor teu Deus, que andes em todos os seus caminhos, e o ames, e sirvas ao Senhor teu Deus com todo o teu coração e com toda a tua alma” Deuteronômio 10:12
Uma pequena história: Quando R. Yochanan ben Zakai jazia em seu leito de morte, seus alunos entraram e lhe pediram: “Rebe, abençoe-nos!” Ele os abençoou: “Que seu temor a D’us seja sempre tão grande como seu temor ao próximo!” “Mas professor,” protestaram eles, “não deveria nosso temor a D’us ser superior ao temor ao próximo?” Replicou ele: “Quisera que temessem a Ele tanto quanto temem os seres humanos! Quando alguém comete um pecado, preocupa-se que alguém possa estar observando seu ato, mas não teme que D’us testemunhe sua transgressão.” Fonte chabad
Primeiramente, temer a Deus por si só e reconhecer a sua existência, o seu valor e o seu poder. Estar ciente que D’us pune todos (cada um por seus pecados), que trará um julgamento com castigo para os culpados e mesmo assim, escolher buscar seus caminhos, guardando seus mandamentos, com a fé e esperança em conquistar a salvação, mesmo que viva em um medo constante, pensando que está fazendo pouco, mas tem se esforçando para fazer o mínimo. Isso é TEMOR a D’us. Utilizar o medo do castigo para combater uma tentação (evitando o pecado) isso é TEMOR a D’us. Ter respeito pelas escrituras, com seus itens sagrados, com seu nome (YHVH), não profanando, tratando comum o que é santo, isso é TEMOR a D’us.
Quando você ama alguém você não teme a sua partida? pois bem, TEMER a D’us é uma prova de amor, do qual devemos fazer de tudo para não nos afastar de sua presença. O amor a D’us nos leva a cumprir todos os mandamentos positivos e nos impede de fazer os mandamentos negativos.
(D’us é nosso Pai e nosso Rei. Devemos amá-Lo como a um Pai, e temê-Lo) como a um Rei. Chabad
“O verdadeiro significado de temer a D’us é o medo da separação – assim como um bebê tem medo de ser deixado sozinho pela mãe, da mesma forma, também, uma alma sadia percebe que determinadas ações colocarão uma barreira entre ela e Hashem”. Chabad
Temer e Amar a D’us, nos impede de errar contra D’us
Um homem temente a D’us, deixa de ser um homem fraco, doente, deixa de morrer (A PALAVRA DE D’US É FONTE DE VIDA), e daí se torna a sugestão primária de Jetro (Homens Capaz ou Fortes). Homens temente a D’us, homens de אֱמֶ֖ת Emet confiança e que odeiam o lucro ou ganho injusto.
Todo o “crente” deveria ter essas características, mas, assim como no deserto, um povo que acabará de ser libertado, com certos costumes ainda presentes em sua alma (certas Klipot) é normal haver pessoas com diferentes níveis de fé, confiança, pureza. Esses homens que Moisés escolheu, além de ser homens fortes, tementes a D’us, homens que são verdadeiros e que não aceitam ganhos injusto (isso inclui também suborno), também eram homens ricos (Rashi entendeu dessa forma), para não serem homens que precisassem bajular Moises em prol de se manter na liderança, prejudicando a liderança.
E então, somente os assuntos mais complexos ficavam com o juizo de Moises
Preciso citar outro fato muito importante sobre Jetro. No verso 12, fez holocausto e sacrifícios para D’us. E veio Aarão, e todos os anciãos de Israel, para comerem pão com o sogro de Moisés diante de Deus.
As palavras: “na presença de D’us”, significam “em frente à משכן, residência, de D’us”. Visto que ainda não havia um Tabernáculo, o significado é “em frente à coluna de nuvem ou coluna de fogo que simbolizava a residência de D’us na terra”.
Jetro ofereceu holocausto e sacrifícios antes da refeição, mostrando que o acesso à mesa do Eterno passa por um coração rendido. No conceito de Korban קרבן, sacrifício significa “aproximar-se” de D’us, de que forma? Quebrando a maldição do pecado, e trocando o alvo a ser “culpado”. Mashiach é quem nos aproxima do Pai hoje. Sem o sacrificio do Mashiach precisaríamos ofertar uma vida no lugar da nossa. Mashiach é de fato a “nossa oferta” mas devemos ter um coração rendido ao SENHOR para então desfrutar da arvore da vida no mundo vindouro. O verdadeiro alimento vem depois da entrega (Entregue sua vida para D’us e seja salvo).
A mesa é comparada ao altar do templo, pois nela há provisão, gratidão e união. Sentar-se para comer “diante de Deus” é reconhecer que tudo vem Dele.
É tão certo, que o próprio Yeshua fez sua “ultima” ceia com os Talmidim (discípulos), no momento que ele se entregaria como o Korban (sacrificio) perfeito, e que no futuro voltaria a sentar-se a mesa para comer conosco. Assim como Jetro e os anciãos participaram do alimento após o sacrifício, Yeshua ensina que sua entrega nos dá acesso ao verdadeiro pão celestial.
O banquete celestial

“Bem-aventurados aqueles que são chamados à ceia das bodas do Cordeiro.” (Apocalipse 19:9)
“De certa forma, Jetro estava no banquete do casamento entre Ysrael e Hashem (A entrega a Lei)”
Isaías 25:6 diz: “O SENHOR dos Exércitos dará neste monte a todos os povos um banquete de coisas gordurosas, uma festa com vinhos velhos, pratos gordurosos com tutanos e vinhos velhos bem-clarificados”
Em Apocalipse 19:9, a Bíblia diz: “E o anjo me disse: Escreve: Felizes os que são convidados para o banquete de casamento do Cordeiro. E acrescentou: Essas são as palavras verdadeiras de Deus”
Comer perante D’us significa mais do que saciar a fome é a perfeita SHALOM. Corpo e espírito saciados! através daquele que tudo prover.
Espero que tenham gostado e aguardem a parte 2
D’us abençoe a todos


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