Reparando erros passados

Shalom! Seja muito bem-vindo ao nosso blog.

Gostaria primeiramente de agradecer por você estar aqui conosco, isso mostra que você é uma pessoa muito especial em busca de conhecimento. No nosso blog você encontrará semanalmente, estudos das Sagradas Escrituras (Bíblia) e com isso você poderá acompanhar de perto o que D’us tem para você através de sua palavra. É uma honra para nós, poder apresentar para você o estudo de hoje.

Introdução

O perdão e a reconciliação são temas centrais na Bíblia, em especial na B’rit Chadashá (Novo Testamento), a importância dessas virtudes é ampliada quando se trata de relacionamentos dentro da família, particularmente entre irmãos. A Bíblia fornece insights profundos e orientação sobre como devemos abordar esses conceitos, enfatizando o amor, a graça e a busca pela Shalom (paz). A reconciliação anda de mãos dadas com o perdão. Enquanto o perdão é o ato de deixar de lado o ressentimento e o desejo de vingança, a reconciliação é o processo de restaurar um relacionamento quebrado. Este processo pode ser desafiador, especialmente quando há feridas profundas envolvidas, mas as Sagradas Escrituras nos encoraja a buscar a Shalom (paz) e a reconciliação com sinceridade.

Perdoar e reconciliar-se com os irmãos, de sangue ou não, pode ser particularmente desafiador porque esses relacionamentos são frequentemente os mais íntimos e duradouros. Os relacionamentos entre irmãos são marcados por experiências compartilhadas, laços profundos e, às vezes, conflitos significativos. A Escritura reconhece a complexidade desses relacionamentos e fornece orientação sobre como navega-los com graça e amor. O perdão e a reconciliação não são apenas sobre resolver conflitos; são sobre refletir o caráter de Yeshua em nossas vidas. Quando perdoamos e buscamos a reconciliação, demonstramos o poder transformador do amor e da graça de D’us. Isso nem sempre é fácil e muitas vezes requer humildade, paciência e disposição para deixar de lado nosso orgulho e mágoa. No entanto, as recompensas do perdão e da reconciliação são profundas. Elas trazem cura, restauram relacionamentos e criam um ambiente onde o amor e a unidade podem florescer novamente. Em conclusão, a Escritura fornece um rico conjunto de ensinamentos e exemplos que enfatizam a importância do perdão e da reconciliação, especialmente entre irmãos. Essas virtudes não são apenas imperativos morais, mas são centrais para viver uma vida que reflete o amor e a graça de D’us. Ao perdoar e reconciliar-nos com nossos irmãos, não apenas curamos nossos relacionamentos, mas também testemunhamos o poder transformador da palavra de D’us em nossas vidas.

Mas afinal, como restaurar um relacionamento quebrado? Como fazer a reconciliação?

Em Mateus (5:23-24) Yeshua ensina:

“Se acontecer, portanto, que enquanto estiveres apresentando a tua oferta sobre o altar, e ali mesmo te lembrares de que teu irmão tem alguma queixa contra ti. Deixa ali diante do altar a tua oferta, e vai reconciliar-te primeiro com teu irmão, e depois vem apresentar a tua oferta.”

No Sermão do Monte, Yeshua fala sobre como os seus seguidores devem viver aqui na terra, e ao tratar da real interpretação da Torah (lei), Yeshua aborda nesse trecho a questão da urgência e importância da reconciliação. Diante da ira, seja a nossa própria ira, ou a do nosso irmão, Yeshua ensina sobre a resolução de conflitos. O quadro que Yeshua pinta aqui, torna-se muito vi­vo para seus ouvintes. Certo homem traz sua oferta de sacrifício ao tem­plo para ser oferecida por seu pecado, pelo sacerdote. O ofertante está em pé junto à grade do altar, pronto para colocar a mão sobre a vítima e confessar seus pecados sobre a cabeça daquele (cordeiro) que seria sacrificado. Nesse momento, ele se lembra de que tem um problema não resolvido com alguém. Yeshua deixa bem claro o dever do ofertante. Para que o sa­crifício seja aceito, ele precisa primeiro ir e acertar as coisas com a ou­tra pessoa.

Julgar quem está certo e quem está errado é o que instintivamente queremos fazer. Na maioria das vezes, vamos nos julgar como sendo os certos quando temos algum conflito com alguém. Note que Yeshua é bem claro e enfático ao dizer: “e ali mesmo te lembrares de que teu irmão tem alguma queixa contra ti. Neste caso, o ofertante ofendeu (prejudicou) de alguma forma o seu irmão, este, agora tem um motivo de queixa, uma razão, uma acusação contra o ofertante. Não importa como ofendemos o nosso próximo, seja com palavras ou ações, é nosso dever procurar urgentemente a reconciliação.

Kapar (כפר) é a palavra hebraica para reconciliação usada por Yeshua neste texto, e tem como significado: cobrir, limpar, descontaminar, fazer expiação. Vamos aprender um pouco mais sobre esse conceito, e assim poder fazer, de fato, a verdadeira reconciliação.

A palavra expiação (כפר kapar) encontra-se poucas vezes nas Escrituras, mas o conceito da expiação constitui o assunto principal do “Antigo e do Novo Testamento”. Palavras mais conhecidas como reconciliação, propiciatório, sangue, remissão de pecados e perdão estão diretamente relacionadas com esse tema. Todo judeu sabia (sabe) que “aos dez deste mês sétimo, será o Dia da Expiação” (Levítico 23:27). Havia sacrifícios diários pelo pecado, mas esse era um dia especial, de santa convocação. Aprendemos em Levítico (16) que o Sumo Sacerdote:

Se purificava com água; vestiria suas vestes santas de linho; mataria um novilho para fazer expiação por si e pela sua família; tomaria uma vasilha de brasas do altar e entraria no Santo dos Santos para que a nuvem de incenso cobrisse o propiciatório, que era o lugar da expiação, da propiciação e da reconciliação; sairia, tomaria o sangue do novilho, entraria pela segunda vez no lugar santo com o sangue e o aspergiria sete vezes sobre o propiciatório e diante dele; ‘mataria o bode para a oferta pelo pecado, ultrapassaria o véu pela terceira vez e faria com o sangue como tinha feito com o sangue do novilho; ‘faria expiação pelo lugar santo e pelo altar do holocausto; imporia as mãos sobre a cabeça do bode vivo, confessaria os pecados do povo e enviaria o bode para o deserto; e tiraria as vestes de linho, iria lavar-se, poria outra roupa e ofereceria um holocausto por si e pelo povo.

Esse dia era impressionante, santo e de grande importância porque os pecados do povo eram expiados por meio de sangue. Já que “é impossível que o sangue de touros e de bodes remova pecados” (Hebreus 10:4), esse ritual devia repetir-se a cada ano (Levítico 16:34) até aquele dia grandioso em que O Ungido (Yeshua) seria “oferecido uma vez para sempre para tirar os pecados de muitos” (Hebreus 9:28).

D’us fez o homem à sua imagem e, como Criador, tem o maior direito de estipular o procedimento correto para a sua criação, e isso ele fez na forma de leis destinadas para o nosso bem (Deuteronômio 10:13). O pior que podemos fazer é violar a lei de D’us. A isso chamamos pecado ou transgressão da lei (1 João 3:4). Os primeiros seres humanos (Adão e Eva) transgrediram e a culpa deles evidenciou-se pela tentativa de se esconderem de D’us. A justiça exigia uma pena pelo pecado. A pena era a morte, a separação de D’us, manifestada pelo afastamento deles do jardim do Éden (Gênesis 3:8, 24). O pecado continua até hoje, desde aquele primeiro momento ali. Shau’l Ha’shaliach (Apóstolo Paulo) resumiu a história e as conseqüências do pecado:

“Assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram”. (Rm 5:12)

O pecado é a transgressão da lei, e a justiça decreta que deve ser punido. Yeshua levou o castigo em lugar daqueles que mereciam a punição (Isaías 53:8), “carregando ele mesmo em seu corpo, sobre o madeiro, os nossos pecados” (1 Pedro 2:24). Porque D’us nos amou, ele enviou Yeshua para ser a propiciação (ou meio) pela qual os nossos pecados podem ser perdoados. Seu sangue, o qual é capaz de expiar o pecado, vertido para a remissão desses pecados, passa a ter efeito quando somos imergidos em nome de Yeshua para a remissão dos pecados. Regozijemo-nos “em D’us por nosso Senhor Yeshua O Ungido, por intermédio de quem recebemos, agora, expiação (כפר kapar) reconciliação”(Rm 5:11).

Em suma, toda humanidade pecou e foi preciso alguém (Yeshua) reparar (fazer expiação) os erros do passado para reconcilia-los novamente com D’us.

A Torah (Yeshua) nos ensina que a reconciliação consiste em reparar os erros do passado. É bem verdade que existem erros que não podem mais ser reparados por motivos óbvios. Todavia, devemos procurar diligentemente reparar todos aqueles que estão ao nosso alcance. Exemplos:

Calunia e difamação (falso testemunho) podem e devem ser reparados. Devemos desconstruir a mentira que inventamos contra alguém, se esse for o erro.

Dividas financeiras podem e devem ser reparados. Devemos procurar o CNPJ (Empresa) ou o CPF (Pessoa física) para kitarmos o nosso débito.

Roubos e furtos podem e devem ser reparados. Devemos devolver tudo quanto foi adquirido de forma ilegal, como fez Zaqueu.

Assumir a paternidade pode e deve ser reparado.

Abandono materno pode e deve ser reparado.

Pensão paterna ou alimentícia pode e deve ser reparado. É dever do pai (quando possível) pagar o retroativo ao filho.

Não basta pedir perdão! Quando fizemos algo de mal a alguém, por mais que todos pensem que é simples pedir perdão e dizer: “Tá, errei, pedi perdão, tá tudo ok”. Não está! Houve uma quebra de confiança. E essa confiança tem que ser refeita (reparada). O outro tem que confiar que você não fará de novo, que você não fará ainda pior ou que não foi um pedido de perdão fingido. Por isso, há todo um trabalho de reconfigurar (reparar) a relação entre ambos, porque quem bate esquece, mas quem apanha não. Então, cuidado ao ferir, mentir, magoar ou falar algo que possa fazer os outros sofrerem. Se o que você fez foi em ato, VÁ LÁ, PEÇA PERDÃO PESSOALMENTE E REPARE O ERRO, não é só pra D’us que você deve pedir perdão. Você fez um ser ter sentimentos ruins por você, isso não te traz boas energias. Quem quer boa sorte não pode ter ninguém vibrando negativamente contra ele. RECONSTRUA uma “nova” relação de confiança.

Tikun Olam – Concertar (reparar) o mundo

Tikun Olam: Nos ensinamentos judaicos, qualquer atividade que melhore o mundo, aproximando-o do estado harmonioso para o qual foi criado. Tikun Olam implica que embora o mundo seja inteiramente bom, seu Criador propositalmente deixou espaço para nós “aperfeiçoarmos” a Sua obra. Todas as atividades humanas são oportunidades para cumprir essa missão, e todo ser humano pode ser envolvido em tikun olam – criança ou adulto, estudante ou empreendedor, industrial ou artista, cuidador ou vendedor, ativista político ou ambientalista, ou apenas mais um de nós se esforçando para permanecer à tona.

Tikun é traduzido frequentemente como reparo. Mas na Bíblia em Hebraico e no código da Lei Judaica chamado Mishná, tem uma gama de significados: melhorar, consertar, preparar, arrumar, ou apenas “fazer algo com…” Tikun poderia ser usado para descrever arrumar uma roda quebrada, manter um caminho, cortar as unhas, arrumar uma mesa, ou decifrar uma parábola para explicar uma ideia difícil. Olam no hebraico bíblico denota o tempo todo. No hebraico posterior, veio a significar o mundo. Portanto Tikun Olam literalmente significa fazer algo com o mundo que não apenas vai consertar qualquer dano, mas também melhorá-lo, preparando-o para entrar no estado supremo para o qual foi criado.(Continuar lendo).

Conclusão

Reparar os erros do passado, é a mais pura e verdadeira maneira de buscar a reconciliação, e manter a Shalom (paz) com o próximo. Cuidado! Cuidado para não cometer erros fatais do tipo que não haja reparos, pois a espada (consequências) não sairá da sua casa. As vezes, o insucesso em âmbitos como: Vida financeira, Vida Espiritual, Saúde mental e física, Casamento entre outros, é devido a erros que não foram reparados. O Eterno nos perdoa mesmo quando não reparamos os erros passados desde que haja uma Teshuvah (arrependimento) verdadeiro. Todavia, colhemos apenas o que plantamos.

Abençoado Seja O Eterno


Comentários

Uma resposta para “Reparando erros passados”

  1. Avatar de Clotilde Soares
    Clotilde Soares

    shalom estudo maravilhoso na luz das escrituras gratidão Moreh

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