
Shalom!
Chegamos a quarta leitura do livro de Bereshit (Gênesis), chamada “Vayerá”. Significa “e apareceu” porque descreve como o Eterno apareceu a Avraham (Abraão) um dia enquanto ele estava sentado do lado de fora de sua tenda. Vayerá continua com a série de testes de fé para Abraão, concluindo em uma grande e final provação.
Esboço da Parashá – Torah
Gênesis 18:1 Um Filho Prometido a Abraão e Sara;
Gênesis 18:16 Julgamento Pronunciado sobre Sodoma;
Gênesis 19:1 A Depravação de Sodoma;
Gênesis 19:12 Sodoma e Gomorra Destruídas;
Gênesis 19:30 A origem vergonhosa de Moabe e Amom;
Gênesis 20:1 Abraão, Sara e Gerar;
Gênesis 21:1 O Nascimento de Isaac;
Gênesis 21:8 Hagar e Ismael são mandados embora;
Gênesis 21:22 Abraão e Abimeleque fazem uma aliança;
Gênesis 22:1 A Ordem para Sacrificar Isaac;
Gênesis 22:20 Os Filhos de Nahor.
Haftará – Profetas
2 Reis 4:1 Eliseu e o Óleo da Viúva;
2 Reis 4:8 Eliseu ressuscita o filho da sunamita.
A parashá começa assim:
וירא אליו יהוה באלני ממרא והוא ישב פתח האהל כחם היום
E apareceu para ele Havayah junto dos carvalhos de mamre, e ele (estava) sentado na entrada da tenda no calor do dia.
וישא עיניו וירא והנה שלשה אנשים נצבים עליו וירא וירץ לקראתם מפתח האהל וישתחו ארצה
E ele levantou os olhos e viu, e eis que três homens estavam de pé sobre ele, e ele viu e correu em direção a eles da entrada da tenda, e prostrou-se no chão.(Vs 2)
Na parashá anterior (Lech Lecha) aprendemos que quando Abraão tinha 99 anos, D’us se revelou novamente para selar com o patriarca, através do brit milá (circuncisão), Sua Aliança Eterna com o povo de Israel. Na parashá desta semana, ensinam os sábios do povo judeu – Rashi é um deles – que no terceiro dia após o brit milá, Abraão recebe a ilustre visita do Santo Bendito Seja Ele, D’us. Com riquezas de detalhes, a parashá vayerá descreve como Abraão, quando visitado por três hóspedes (“anjos”), demonstrou enorme solicitude em servi-los e cuidar deles. Abraão “apressou-se a ir à tenda de Sara,” para que ela pudesse preparar pão fresco, ele “correu até o rebanho” para preparar as melhores iguarias, e então “ficou de pé, perto deles, debaixo da árvore”, enquanto comiam na sombra, assegurando-se de que cada necessidade lhes fosse fornecida (Bereshit/Gn 18:6-8).
O sábio Rabeinu Bachya destaca que, embora Abraão fosse um homem idoso e estivesse fraco por causa do brit milá que fizera apenas três dias antes, e apesar de ter muitos servos que poderiam ter atendido os hóspedes, em sinal de respeito Abraão fez tudo sozinho, com grande zelo e entusiasmo. Segue o comentário: “Ele poderia facilmente ter enviado um de seus numerosos servos para ir aos estábulos e selecionar os animais para o abate. Afinal, sabemos que ele tinha um mínimo de 318 servos homens. Ele se absteve de fazê-lo, no entanto, e foi ele mesmo, e com passo acelerado, para honrar seus convidados. Tudo isso apesar do fato de que ele estava envelhecido e enfraquecido pela circuncisão. A Torá relata tudo isso para completar a imagem de Avraham como uma pessoa generosa.”
Abraão, ensina o Talmud, era bom com os Céus e com os homens. Nos textos místicos (cabalá), é a personificação do atributo de chesed – bondade – a emanação divina (sefirá) da benevolência, generosidade e amor infinito. As duas características principais da personalidade do patriarca eram guemilut chassadim e emuná: atos de bondade e fé em D’us.
A generosidade do nosso pai Abraão é retratada em um lindo midrash. Confira clicando em aqui.
Abraão servia a D’us principalmente através do amor que se manifestava tanto em sua devoção a Ele como através de um contínuo e incessante amor por seus semelhantes. Exemplo supremo do homem bondoso e justo, Abraão estava sempre preocupado com o bem-estar dos outros, respeitando e amando todos os seres, cercando-os de atos de bondade e generosidade. Abraão mantinha a sua tenda sempre aberta a todos, sem perguntar quem eram ou por que o visitavam. Oferecia a todos – “anjos” ou mendigos – abrigo e alimento.
A bondade de Abraão é um exemplo a ser observado e seguido por todos os homens, isso é fato. Porém, até mesmo os atos de bondade podem ser um laço – armadilha, para aqueles que tal bondade pratica. Como assim? A perfeição de Abraão era a perfeição do amor. Para Abraão, fazer uma refeição significava partilha-la com todo viajante faminto; descobrir uma verdade era ensina-la ao mundo. Embora externamente fosse comunicativa e abrangente, a perfeição de Abraão tinha o “eu” como centro, o mundo todo como sua esfera. Todavia, Abraão sabia que (ele) era apenas o canal da benção e Ha’Shem era a fonte. A Torah afirma que D’us escolheu Abraão porque ele seria capaz de ensinar seus filhos a praticar a caridade e a justiça que provém de Ha’Shem (Bereshit/Gn 18:19)
A bondade do homem é reflexo do atributo divino chamado Chesed. Esse atributo – no homem – representa a misericórdia, o desejo de compartilhar incondicionalmente. Representa a vontade de doar tudo de si mesmo e a generosidade sem preconceitos, a extrema compaixão.
“Pois somos criação dele, criados por meio de Yeshua o Ungido, finalmente, para boas obras, as quais D’us antes ordenou que vivêssemos nelas.”(Efésios 2:10)
Que possamos seguir os passos do nosso pai Abraão, sendo um canal de benção na vida das pessoas.
Voltando ao início, a parashá abre com uma das cenas mais famosas da Torah: o encontro de Abraão com os três estranhos enigmáticos. O texto os chama de homens. Mais tarde descobrimos que eles eram de fato Malachim (“anjos”), cada um com uma missão específica. O capítulo (18) à primeira vista parece simples, quase como uma fábula. É, no entanto, complexo e ambíguo. Diante disso, algumas perguntas pernitentes são feitas: O próprio D’us apareceu para Abraão? Abraão foi visitado pela “santíssima” trindade? Eles eram “simplesmente” anjos? Um deles era Yeshua (Jesus)?
O nosso objetivo, é trazer os pontos mais importantes da parashá para que possamos aplica-los em nossa vida cotidiana. Antes de nos preocuparmos em saber sobre a natureza dos hóspedes de Abraão, devemos – primeiramente – saber o que eles vieram fazer, qual era a missão de cada um deles. Por enquanto, iremos nos referir a eles como viajantes.
Um Filho Prometido a Abraão e Sara

Como um excelente hospitaleiro, nosso pai Abraão preparou um banquete para os viajantes, que debaixo de uma frondosa árvore se alimentavam. Quando os viajantes terminaram a refeição, perguntaram a Abraão: “Onde está Sara?” Abraão respondeu: “Está na tenda”. A simples resposta de Abraão (está na tenda) nos ensina algo maravilhoso sobre Sara. O quê?Entre inúmeras qualidades, Sara era uma mulher recatada. Não saía para se mostrar perante estranhos, mas permanecia dentro da tenda. No Tratado Bava Metzia (87a) é afirmado: “Os anjos ministradores sabiam, de fato, onde nossa mãe Sara estava, mas eles fizeram essa pergunta para chamar a atenção para sua modéstia (disposição reservada) e assim torná-la ainda mais querida por seu marido”. Também Keyfa (Pedro), discípulo de Yeshua fala sobre uma das qualidades de Sara:
“Assim como Sara foi submissa a Abraão e o chamou de meu Senhor: de quem vocês são filhas em razão de boas obras, e desde que não sejam confundidas por nenhum tipo de valor falso”.(1 Pedro 3:6)
Voltando a missão dos viajantes, um deles anunciou: “Certamente voltarei a ti por esta época no ano que vem, e eis que Sara, tua mulher, terá um filho”(vs 10). Sara ouviu a mensagem, de dentro da tenda. Não sabia quem era o homem que falava, parecia um viajante comum. Ela riu consigo mesma: “Depois que eu me desgastar, terei prazer? E também, meu senhor está velho”(vs 12). Apos anunciarem a gravidez de Sara, os viajantes se levantaram dali, e olharam para Sodoma, e Abraão foi com eles para escolta-los. Essa foi a primeira missão dos viajantes.
Julgamento Pronunciado sobre Sodoma e Gomorra – Intercessão de Abraão

Relata a Torah que D’us ouviu o “clamor” das vítimas das iniquidades cometidas pelos habitantes de Sodoma e da vizinha Gomorra. O Eterno revela, então, a Abraão, a Sua intenção de destruir completamente as duas cidades. O patriarca tenta intervir junto ao Eterno, para as salvar. Pede – em um insistente diálogo – ao Todo Poderoso que tenha consideração com os Justos que lá residiam. D’us lhe promete que, se houvesse ao menos dez Justos – conforme o pedido de Abraão – em Sodoma, salvaria toda a cidade. Porém, na cidade não havia dez justos…
Em sua intercessão, Abraão clama a D’us pedindo que Ele aja conforme Sua justiça. Abraão não pede nada que seja contra quem D’us é. Como Abraão mesmo fala: “Longe de Ti tratar o justo e o ímpio da mesma maneira!”(vs 25). Abraão conhecia D’us. Sabia da sua bondade e misericórdia com aqueles que o seguem. Então é isso que Abraão pede a D’us: Que D’us aja com sua misericórdia para com aqueles que o temem. Uma outra coisa que temos que notar é que Abraão com certeza lembrou do seu sobrinho Ló, que morava na cidade de Sodoma. Abraão deve ter ficado muito aflito com aquela notícia da possível destruição daquelas cidades. Porque Sodoma sendo destruída, com certeza seu sobrinho também iria perecer. E isso com certeza trouxe uma urgência e uma intrepidez para que Abraão fizesse sua petição diante do Eterno.
Mas apesar de com certeza estar preocupado com seu sobrinho, vemos que Abraão não intercede apenas por Ló. Pelo contrário, ele intercede pelos justos encontrados naquelas cidades. Abraão sabia que poderiam ter pessoas que não compartilhavam da maldade daquele povo habitando naquelas cidades, e isso também o leva a clamar por eles. Então Abraão, de uma forma bastante ousada, leva sua petição ao Eterno, pedindo para que Ha’Shem livre o juízo daquelas cidades se encontrar – 50, 40, 30, até 10 – pessoas justas. E quando chega nas 10 pessoas, Abraão para de insistir com o Eterno.
E o que podemos aprender com a intercessão de Abraão diante do Eterno? Acho que a primeira coisa que podemos aprender com Abraão, é que, quando formos orar, temos que ter compaixão. Vemos que o que levou Abraão a orar não foi nada com ele especificamente, mas ele teve compaixão com aqueles justos que possivelmente habitavam naquelas cidades. Então quando formos orar, que possamos seguir o exemplo do nosso pai Abraão. Devemos orar pelos perdidos, com certeza, devemos também orar pelos nossos familiares, assim como Abraão estava intercedendo por Ló, mas também devemos dobrar nossos joelhos para pedir que D’us salve os justos, aqueles que seguem os caminhos retos do nosso D’us. Uma outra coisa que vemos aqui é que Abraão não exige nada de D’us, nem decreta nada. Porque, temos que ter muito cuidado em nossas tefilot (orações). Porque muitas vezes temos visto pessoas orando e exigindo que D’us faça isso, que D’us faça aquilo. E decretando que D’us fará isso, ou que D’us fará aquilo. E quem somos nós, para exigir algo de D’us? Quem somos nós para decretar o que o Eterno vai fazer ou não? Anunciar o juízo sobre Sodoma e Gomorra foi a segunda missão dos viajantes, que no caso aqui, são identificados como Malachim (anjos).
A Depravação de Sodoma

“Disse mais o Eterno: Porquanto o clamor de Sodoma e Gomorra se tem multiplicado, e porquanto o seu pecado se tem agravado muito”(Bereshit/Gn 18:20).
Na narrativa da Torah, Sodoma, Gomorra, Admá, Zeboim e Tzoar faziam parte de uma região muito produtiva, conhecida como crescente fértil. Essas cinco cidades estavam no vale do rio Jordão e junto da costa do Mar Morto. Essas terras eram de uma beleza fascinante, comparada ao “jardim do Eterno.” (Bereshit/Gn 13:10). A região também experimentava um crescente desenvolvimento econômico. Havia uma abundância de recursos, como os poços de betume mencionados na Torah (Bereshit/Gn 14:10). Esse mineral era utilizado na construção civil, indicando que as casas na área eram bem estruturadas, conforme se pretendia na construção da Torre de Babel.
Além da abundância de recursos naturais, Sodoma e Gomorra se beneficiava economicamente de sua localização em uma rota comercial importante que se estendia por aqueles reinos. Os habitantes tinham recursos para desfrutar de uma vida confortável e próspera naqueles tempos. No entanto, a Torah destaca repetidamente que o povo que habitava aquela região “era extremamente perverso e pecava grandemente contra o Eterno”(Bereshit/Gn 13:13). Praticavam uma série de pecados e injustiças, incluindo imoralidade sexual, relações anti naturais, estupros, violência, injustiça, adultério e abusos coletivos. Apesar de sua maldade, não demonstravam arrependimento nem piedade. Eles exibiam seus pecados com orgulho.
A Torah Shebe’al peh (Torah Oral) traz um panorama de tudo quanto acontecia em Sodoma e Gomorra:
Os Sábios ensinaram: O povo de Sodoma tornou-se arrogante e pecou devido apenas à bondade excessiva que o Santo, Bendito seja Ele, concedeu a eles. E o que está escrito a respeito deles, indicando essa bondade? “Quanto à terra, dela sai o pão, e por baixo é revolvida como se fosse pelo fogo. Suas pedras são o lugar de safiras, e tem pó de ouro. Esse caminho nenhuma ave de rapina conhece, nem o olho do falcão o viu. Os animais orgulhosos não o pisaram, nem o leão passou por ele”(Jó 28:5–8). A referência é à cidade de Sodoma, que mais tarde foi derrubada, como é declarado depois: “Ele estende a mão sobre a rocha sílex; Ele revira as montanhas pelas raízes”(Jó 28:9).
O povo de Sodoma disse: Já que vivemos em uma terra da qual vem o pão e tem o pó do ouro, temos tudo o que precisamos. Por que precisamos de viajantes, já que eles vêm apenas para nos despojar de nossa propriedade? Venha, façamos com que o tratamento adequado dos viajantes seja esquecido de nossa terra, como está declarado: “Ele abre um curso de água em um lugar longe dos habitantes, esquecido pelos pedestres, eles estão secos, eles se afastaram dos homens”(Jó 28:4).
Rava ensinou: Qual é o significado do que está escrito: “Até quando vocês procurarão subjugar um homem? Vocês todos serão assassinados como uma parede inclinada ou uma cerca cambaleante”(Salmos 62:4)? Isso ensina que o povo de Sodoma fixou seus olhos nos donos de propriedades. Eles pegariam um e o colocariam ao lado de uma parede inclinada e frágil que estava prestes a cair, e a empurravam sobre ele para mata-lo, e então eles viriam e tomariam sua propriedade.(Sanhedrin 109a 15-17)
Em Sodoma e Gomorra as leis eram insanas, completamente sem noção.
Em Sodoma:
• Quando havia alguém que tinha uma fileira de tijolos, cada um e cada um do povo de Sodoma viria e pegaria um tijolo e diria a ele: Estou pegando apenas um, e você certamente não é exigente sobre um item tão inconsequente, e eles fariam isso até que nenhum tijolo permanecesse no lugar.
• Quando havia alguém que jogasse alho ou cebola para secar, cada um e cada um do povo de Sodoma viria e pegaria um e diria a ele: Eu peguei apenas um alho ou cebola, e eles fariam isso até que nenhum permanecesse no lugar.
• Os (4) juízes de Sodoma decidiam o seguinte sobre o caso de alguém que bate na esposa de outro e faz com que ela aborte, eles diriam ao marido da mulher: Dê a mulher para aquele que a bateu, para que ela fique grávida para você novamente.
• No caso de alguém que fere outro, eles diriam à parte ferida: Dê a quem o feriu uma taxa (dinheiro), como ele deixou seu sangue.
Ensina o Talmud que Eliezer, servo de Abraão, aconteceu de chegar lá, e eles o feriram. Ele foi até o juiz para buscar indenização. O juiz disse a ele: Dê ao seu agressor uma taxa, assim como ele deixou seu sangue. Ele pegou uma pedra e feriu o juiz. O juiz disse: O que é isso ? Eliezer disse a ele: A taxa que deve ser paga a mim por você, dê àquela pessoa que me feriu, e meu dinheiro permanecerá onde permanecer.(Sanhedrin 109b 5)
• Eles tinham camas nas quais deitavam seus convidados; quando um convidado era mais longo do que a cama, eles o cortavam, e quando um convidado era mais baixo do que a cama, eles o esticava.
• Quando um pobre chegava a Sodoma, cada pessoa lhe dava um dinar, e o nome do doador era escrito em cada dinar. E eles não lhe davam nem vendiam pão, para que ele não pudesse gastar o dinheiro e morresse de fome. Quando ele morria, cada pessoa vinha e pegava seu dinar.
Havia uma jovem que levava pão para os pobres em uma jarra para que o povo de Sodoma não visse. O assunto foi revelado, e eles a untaram com mel e a posicionaram no muro da cidade, e as vespas vieram e a consumiram. E esse é o significado do que está escrito: “E o Eterno disse: Porque o clamor de Sodoma e Gomorra é grande”(Bereshit/Gn 18:20). E Rav Yehuda diz que Rav diz: “É uma alusão ao assunto da jovem (riva) que foi morta por seu ato de bondade”. É devido a esse pecado que o destino do povo de Sodoma foi selado.(Sanhedrin 109b 9)
A destruição de Sodoma e Gomorra

D’us informou a Abraão – como vimos anteriormente – que destruiria Sodoma, e Abraão implorou em nome deles, perguntando se D’us salvaria a cidade pelo mérito de pelo menos 10 pessoas justas que viviam lá. De acordo com alguns, o número 10 era específico. Abraão pensou que Lot (Lo), junto com sua esposa (uma mulher sodomita chamada Idith segundo o midrash), duas filhas casadas e duas filhas solteiras, junto com seus maridos e noivos, seriam 10 pessoas dignas. No entanto, nenhum dos genros era digno. D’us enviou dois – dos três – “anjos” a Sodoma, um para destruir a cidade e outro para resgatar Lo e sua família.
Embora estivesse associado aos sodomitas há muitos anos, Ló nunca conseguiu esquecer completamente os ensinamentos e o modo de vida de seu tio Abraão e não compartilhava do tratamento cruel dos sodomitas aos infelizes transeuntes. Sobre ele escreveu Pedro:
“E condenou à destruição as cidades de Sodoma e Gomorra, reduzindo-as a cinza, e pondo-as para exemplo aos que vivessem impiamente; E livrou o justo Ló, enfadado da vida dissoluta dos homens abomináveis (Porque este justo, habitando entre eles, afligia todos os dias a sua alma justa, por isso via e ouvia sobre as suas obras injustas)”(2 Pedro 2:6-8)
Ló tinha acabado de ser nomeado juiz em Sodoma e estava sentado nos portões de Sodoma quando viu dois estranhos. Ele os cumprimentou e os convidou para sua tenda, embora soubesse muito bem que arriscaria sua vida ao fazê-lo. Os estranhos a princípio recusaram, mas depois que Ló os persuadiu, eles finalmente concordaram em segui-lo para sua casa.
O povo de Sodoma, tendo tomado conhecimento da presença de estranhos, cercou a casa de Ló. Eles exigiram que Ló entregasse os dois visitantes para serem tratados “da maneira usual”. Enquanto tentava acalma-los, ele lhes disse: “Eis que agora tenho duas filhas que não tiveram intimidade com homem algum. Eu as trarei para fora e farei com elas o que acharem melhor; somente a esses homens não façam nada, porque eles vieram para a sombra do meu teto.” Esta declaração é talvez a mais reveladora do caráter de Ló. Por um lado, ele estava pronto para colocar sua vida em perigo para salvar seus convidados; por outro lado, ele não hesitou em oferecer suas próprias filhas à multidão lá fora.
Os anjos puxaram Ló de volta para dentro da casa e deixaram a multidão cega, para que não pudessem entrar à força na casa de Ló. Os anjos disseram a Ló para levar toda a sua família e deixar a cidade imediatamente, mas os genros de Ló eram sodomitas e se recusaram a deixar suas casas. De manhã, os anjos levaram Ló, sua esposa e duas filhas solteiras, e os levaram para fora da cidade, proibindo-os de voltar e olhar para a cidade. A esposa de Ló -Idith – não conseguiu resistir, e quando ela se virou para ver o que aconteceu, ela se transformou em uma estátua de sal.
Lucas – escritor da terceira Bessorá (evangelho) – registra um discurso de Yeshua sobre o julgamento de D’us (Lucas 17:20-37). Yeshua usou alguns exemplos do passado para nos lembrar que o julgamento de D’us vem repentinamente e, às vezes, sem aviso (Noé – 17:26-27; Sodoma – 17:28-29). Ao mesmo tempo, ele cita a dificuldade de abrir mão das coisas desta vida (17:27,28). Logo depois, ele inclui uma linha que chama a nossa atenção: “Lembrai-vos da mulher de Ló” (17:32).
A esposa de Ló saiu de Sodoma, mas Sodoma não saiu de seu coração. Ela olhou para trás, porque não estava disposta a desistir de seus maus hábitos, da sua velha vida e, talvez, da sua bela casa. D’us deu-lhe a oportunidade de salvação, mas ela rejeitou. Pegou em sua mão livrando-a da perdição, mas seu coração estava preso naquilo que era deste mundo, e por seu apego à essas coisas, acabou perdendo tudo, até a sua vida. Uma vez que ela olhou para trás, ela se transformou em uma estátua de sal – como diz a Torah.
Sai dela Povo Meu!

Assim com a esposa de Ló, que saiu de Sodoma mas Sodoma não saiu do coração dela, assim também são alguns que estão saindo de Babilônia.
A Parashá Vayerá é rica em detalhes, agora vamos falar um pouco sobre a Babilônia, não aquela do passado, mas a atual que reina firme e forte hoje em dia, e tem escravizado muitas pessoas e entidades religiosas. Nos Escritos Nazarenos (“Novo Testamento”) o Eterno nos adverte sobre ela:
“E ouvi outra voz do céu, que dizia: Sai dela, povo meu, para que não sejas participante dos seus pecados, e para que não incorras nas suas pragas.”(Apocalipse 18:4)
Quando lemos o Tanach (“Velho Testamento”), vemos a história do povo de D’us – os filhos de Jacó – que foram levados cativos para a Babilônia, a Babilônia é um sistema hostil contra o povo do Eterno, ela sempre foi um sistema hostil, para aprisionar o povo do Altíssimo. E lá muito deles se contaminaram com o paganismo e heresias da Babilônia. A primeira coisa que aconteceu lá é que os seus nomes foram trocados por nomes de ídolos – como aconteceu com Daniel e mais três jovens. Um nome judaico carrega um significado profundo, Daniel -por exemplo – significa “Meu Juiz é D’us”.
Babilônia – confusão – significa um sistema que aprisiona a pessoa no engano, hoje esse sistema é representado pelo chamado “Cristianismo atual”, a grande Babilônia:
“A mulher que você viu é a grande cidade que domina os reis do mundo inteiro.”(Apocalipse 17:18)
Babilônia está simbolizada pela igreja romana, que pegou todas as prática pagãs babilônica que vieram desde a época da torre de Babel, e abraçou a todas, então ela passou a ser chamada de a Grande Babilônia. Muitos pensam que estando dentro das denominações (cristãs), eles estão fora desse sistema pagão. Estão muito enganados, pois as denominações são filhas da igreja romana, pois as mesmas saíram dela e trouxeram muitas praticas pagãs juntas, exemplo:
Trindade, Comemoração Natalina, Guarda do domingo e muitas outras – fazem parte do sistema pagão.
Nós (O Caminho da Teshuvah) não temos a pretensão de julgar a sua fé em D’us. Não falamos aqui sobre pessoas, mas sobre o sistema que as aprisionam. Sobre o sistema saiba mais aqui.
É preciso deixar todas as práticas que não agrada a D’us. Quando descobrimos a verdade de D’us contidas na sua palavra (Torah) devemos abandonar as práticas contrário a ela. A mensagem de Yeshua – pregada por seus Shilichim “apóstolos” – alcançou em grande número os gentios no primeiro século.
“E aconteceu que em Icônio entraram juntos na sinagoga dos judeus, e falaram de tal modo que creu uma grande multidão, não só de judeus mas de gregos“.(Atos 14:1)
Isso levou os Shilichim a tomarem algumas decisões sobre como os gentios deveriam guardar a Torah – “lei”.
“E uns homens desceram de Yehudá e ensinavam aos irmãos: Se vocês não se circuncidarem, segundo o costume da Torah, não poderão ter a vida eterna. E Shau’l e Bar Naba tiveram muita perturbação e disputa com eles. E aconteceu que subiram Shau’l, Bar Naba e outros com eles aos Sh’lichim e anciãos, que estavam em Jerusalém, por causa da disputa”.(Atos 15:1-2)
Nesse concílio houve a discussão se os gentios que seguiam Yeshua deveriam observar o mandamento da circuncisão. Inicialmente, alguns Talmidim (discípulos) entenderam que sim, eles necessitavam fazer a circuncisão. O texto deixa bem claro que esse é o contexto, ou seja, o assunto em pauta, e a circuncisão. Seguindo com o texto, vamos encontrar a decisão final dos Sh’lichim liderados por Ya’akov (Tiago) irmão de Yeshua.
“Por causa disso, eu digo que eles não devem pressionar aqueles que dentre os gentios se voltaram para Elohim. Mas que lhes seja enviada (esta halachá): Que se apartem da impureza do que é sacrificado (aos ídolos), da prostituição , do que é sufocado e do sangue. Porque Moshê (Torah), desde as primeiras gerações, tem em toda a cidade pregadores nas sinagogas, que em todos os Shabatot (Sábados) o lêem.”(15:19-21)
Esses quatros mandamentos são requisitos inegociáveis para quem está fazendo Teshuvah (arrependimento), saindo do sistema pagão – Babilônia. A parada, ou seja, abstinência tem que ser de forma imediata. Agora vale apena notar que o Shabat é mencionado aqui. Seja um ser pensante e não fique nessa bolha que está prestes a estourar. Pense comigo agora: Porque Ya’akov diz que em todos os Shabatot, a Torah era ensinada ? Ora ora, é claro que a Torah era ensinada aos Shabatot porque o Shabat era guardado. E outra coisa, como ensinar a Torah no Shabat e não ensinar a observância do mesmo? São perguntas que um ser pensante não precisa quebrar a cabeça para encontrar as respostas, não é mesmo?
Aos poucos, é preciso deixar práticas como: comer carne de porco, camarão entre outras “comidas” que D’us proíbe; deixar de celebrar festas pagãs – como o natal – e passar a celebrar as festas do Eterno – como Pessach (páscoa da maneira correta) – Shavuot (pentecoste da maneira correta) – Sucot (festa das cabanas) entre outras; deixar de guardar o domingo e passar a guardar o Shabat (sábado).
Ouça a ordem do Eterno – Sai dela Povo Meu!
A origem vergonhosa de Moabe e Amom

A história das filhas de Ló se encontra no final do capítulo 19 da nossa parashá, logo após a destruição e Sodoma e Gomorra e da transformação da sua mãe – esposa de Ló -em uma coluna de sal. A Torah nos conta que Ló e suas filhas deixaram Tzoar e passaram a habitar uma caverna nas montanhas. Devido à “falta” de homens na região, a filha mais velha de Ló tem um “plano” para preservar a linhagem de sua família: embriagar seu pai e deitar-se com ele, convencendo a irmã mais nova a também fazer isso.
A atitude das filhas de Ló é errada e condenável, mas o problema dessa história começa antes, com o próprio Ló, que negligencia a continuidade de sua família e a possibilidade de suas filhas casarem e gerarem filhos, escondendo-se em uma caverna.
“Ló subiu de Zoar e foi morar na região montanhosa com suas duas filhas, pois tinha medo de morar em Tzoar. Ele e suas duas filhas moraram numa caverna”.(Bereshit/Gn 19:30)
Sabios do povo judeu como Ramban – Sforno – Chizkuni, comentam que Ló não acreditou que o anjo pouparia a cidade de Tzoar.
A consequência disso foi o nascimento de dois filhos de Ló com as suas próprias filhas: Moabe, o pai dos moabitas, e Ben-Ami, o pai dos amonitas, ambos povos que foram inimigos de Israel. Do relacionamento impiedoso foram gerados povos impiedosos e infiéis. O primeiro exemplo de negligência que essa história nos ensina tem a ver com negligenciarmos o nosso dever. Ló negligenciou a importância de encontrar alguém para as suas filhas se casarem, algo que deveria ser mais importante do que se esconder, e também negligenciou a sua descendência. Quando negligenciamos as nossas responsabilidades, por vezes influenciamos outros ao erro. O que você deveria estar fazendo hoje que não está? O que a sua negligência está fazendo com as outras pessoas?
O erro das filhas de Ló de maneira alguma é justificado pelo erro de seu pai. Não importa o que nos leve a pecar, o pecado sempre será pecado, e no caso das filhas de Ló as consequências são muito claras. Nós, como seguidores de Yeshua e guardiões da Torah, não devemos viver colocando a culpa no outro e justificando nossas escolhas erradas, mas devemos permanecer fiéis ao que é correto, mesmo quando isso nos afeta e prejudica.
A história das filhas de Ló também nos ensina sobre a rapidez com que muitas pessoas julgam o erro de outros. Geralmente, quando ouvimos a história das filhas de Ló ser contada, o erro de Ló é ignorado enquanto o de suas filhas é condenado. Abordar o erro de Ló não é manchar a sua reputação, mas não permitir que a culpa recaia em apenas um lado da história. É muito comum vermos e vivermos situações em que escolhemos um lado, considerando um dos lados como culpado e o outro como vítima, ignorando as responsabilidades de cada um. Julgar com lucidez significa avaliar a situação de maneira realista. Você tem conseguido observar as situações de maneira clara, analisando os fatos e sem escolher rapidamente um lado?
Nós precisamos viver com lucidez e nos responsabilizar por nossas ações, deveres e pela forma como observamos as situações, também buscando viver em K’dusha (santidade), não negligenciando aquilo que nós somos chamados a zelar – Torah.
A Parashá Vayerá continua na parte dois…
Abençoado Seja O Eterno


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