Parashat Êkév (calcanhar)

Chegamos a Parashat Êkév (calcanhar) “por causa”, a quadragésima sexta porção da Torah que corresponde ao livro de Deuteronômio 7:12-11:25 também conhecido como Mishné Ha’Torah (a repetição da Torah). Nela estudaremos os seguintes tópicos:

• As recompensas prometidas ao povo de Israel por fazer Mitsvot.• A obrigação de afastar da terra de Canaã a idolatria.• Moshé relembra o pecado do Bezerro de Ouro.• Moshé recorda os milagres no deserto e enumera as qualidades da terra de Israel.

As recompensas

A Parashá desta semana começa com Moshê Rabeinu (Moisés Nosso Mestre) dizendo:

והיה עקב תשמעון את המשפטים האלה ושמרתם ועשיתם אתם–ושמר יהוה אלהיך לך את הברית ואת החסד אשר נשבע לאבתיך

E será, portanto/como resultado (Ekev) que se ouvindo estes estatutos, os guardares e os cumprires, guardará o Eterno teu D’us para ti, a Aliança e a graça que jurou a teus pais.(D’varim/Dt 7:12)

As palavras de Moshê Rabeinu encoraja os filhos de Israel a confiar em D’us e nas maravilhosas recompensas que Ele lhes dará se guardarem a Torah. O nome dessa parashá “Êkév” literalmente calcanhar, carrega um significado profundo. Rashi, o grande comentarista da Torah, explica que a palavra “calcanhar” refere-se a tendência humana de se importar mais com as mitsvot maiores e mais importantes e negligenciar as menores como se estivesse pisando nelas com os calcanhares, a parte de trás dos pés, muitas vezes sem perceber. Muitos que não tem zelo da palavra de Ha’Shem e não querem se submeter a vontade dEle, escolhem as mitsvot que acreditam serem importantes e desprezam outras, julgando serem sem importância, como o Shabat e a Kashrut por exemplo. Para ilustrar esse ensinamento, vou lhes contar um Midrash.

Pisando em diamantes 💎

“Certa vez um homem, um pai de família, saiu para procurar trabalho. Após vários dias de intensa procura, mas sem sucesso algum, o homem voltou para casa sem nada levar para os seus filhos e esposa. Cansado da longa viagem, o homem tira os sapatos e deita no sofá na sala. Um dos seus filhos, ao brincar no chão perto do pai, notou que algo brilhava na sola dos sapatos do seu pai. Quando pegaram os sapatos, eles perceberam que havia pedrinhas presas ao sapato. Após lavarem as pedrinhas, eles descobriram que elas eram nada mais nada menos do que pedrinhas de diamantes. Em plena euforia eles acordaram o pai e disseram: – Pai ! Estamos ricos, o senhor trouxe pedras de diamantes. O pai, ao ver as pedrinhas de diamantes, puxou os cabelos da cabeça e disse: – Se eu soubesse que eram diamantes, eu jamais teria pisados, mas teria pegado todas com cuidado e trazido em segurança para casa.”

Assim, aprendemos a importância de todas as Mitsvot da Torah, da maior que é amar o Eterno sobre todas as coisas, para a menor que é não tirar os filhotes de passarinho do ninho enquanto a mãe estiver com eles. O Rabino da Galileia, O Messias Yeshua em seu mais conhecido sermão disse:

“Portanto, quem tentar enfraquecer até mesmo um desses menores mandamentos, e ensinar isso aos homens, será considerado pequeno no reino dos céus; mas qualquer um que os observar e ensinar, será considerado grande no reino dos céus.”(Matay/Mateus 5:19)

Nesta passagem Yeshua declara sua postura em relação à Palavra de D’us. Ele revela a atitude que espera dos seus seguidores. Yeshua tinha uma atitude de reverência e plena submissão às Mitsvot. Ele espera o mesmo dos seus alunos. Ele lembra que não é só o que ensinamos, mas, o que fazemos que faz a diferença. Alguém já disse que nossas ações e atitudes são uma pregação viva ? Yeshua nos lembra que estamos sempre influenciando outras pessoas. Querendo ou não, outras pessoas estão aprendendo, não só daquilo que falamos, mas daquilo que fazemos. Se formos fiéis aos mandamentos “pequenos”, que muitos ignoram, estaremos ensinando como também sermos fiéis aos grandes mandamentos da Torah. As palavras de Yeshua estão em completa harmônia com a Torah. Se por um lado Moshê declara que há recompensas para aqueles que guardam os mandamentos da Torah, por outro lado Yeshua declara que aqueles que guardam os mandamentos da Torah por menor que sejam, será grande no Reino dos Céus.

Seguindo com os significados da palavra “Êkév”, descobrimos que além de calcanhar ela da origem ao nome do terceiro patriarca do povo judeu, Ya’akov (יעקב) cujo significado é a mão que segura o calcanhar, metaforicamente, aquele que aproveita as oportunidades. Devemos agarrar as bençãos que Ha’Shem nos concede. Mais do que agarrarmos essas bençãos, devemos agarrar os mandamentos do Eterno e cumpri-los.

Outro ponto importante no primeiro versículo da nossa parashá, é a palavra Chesed (חסד) que em português significa Graça. Infelizmente as traduções bíblicas não traduzem corretamente a palavra Chesed. Em vez de graça, elas trazem as palavras: misericórdia, bondade, amor leal, amor, benevolência, compaixão, mas nunca graça. Tudo isso acontece porque a teologia sistemática cristã apregoa a ideia de que a graça de D’us só foi revelada no “Novo Testamento” com a chegada do Cristo. Essa ideia, nada mais é do que uma grande mentira inventada por aqueles que rejeitam a lei (Torah) D’us. Obviamente, sabemos que a graça de D’us se manifesta de forma plena na pessoa do Messias Yeshua, porém ela sempre existiu e esteve (está) presente em todo “Velho Testamento”. O que os hebreus e povos mistos fizeram para merecer um mar aberto em sua frente ? O que eles fizeram para merecer uma nuvem de proteção em meio ao deserto escaldante ? O que eles fizeram para merecer um pão direto do Céu ? Isso não é graça ? Ainda assim, as pessoas têm uma ideia totalmente equivocada sobre a graça de D’us manifestada em Yeshua. Para os cristãos, a graça de D’us invalida a lei (Torah), e como argumentos usam algumas falas do Rav Shau’l (apóstolo Paulo), falas que eles não entendem e simplesmente distorcem. Shau’l nunca foi contra a lei, veja:

Por que, então? Anulamos a lei pela fé? Longe disso: pelo contrário, mantemos a lei.

(Romanos 3:31)

O casaco 🧥 da Graça

Passando pelas ruas geladas de uma cidade gaúcha, um camponês observou várias pessoas com frio devido ao forte inverno. Compadecido com tal situação, o camponês mandou fazer casacos de lã, usando suas próprias ovelhas, e destruibuiu entre eles. Com o fim do inverno, o frio diminuiu um pouco. Um dos que receberam os casacos, vendeu por uma certa quantia. Vindo novamente o inverno, o camponês voltou a visitar a cidade, quando derrepente um homem se aproximou dele e disse: – Olá, o senhor não é o homem que destribuiu os casacos entre nós ? – Sim. Respondeu ele. – O senhor podia me dar mais um casaco ? Indagou o homem. – Não tenho mais ovelhas. Respondeu o camponês.

Assim é a graça de D’us revelada em Yeshua no “Novo Testamento”. Ela é feita uma única vez. Yeshua veio, viveu a Torah, ensinou a Torah, morreu, venceu a morte e foi para o Pai. Uma vez salvo, devemos obedecer seus ensinamentos, seus estatutos, seus preceitos, seus mandamentos, sua lei. Ninguém descerá do Céu para morrer por nós outra vez. Não há mais cordeiro.

A idolatria

A parashá continua com Moshê instruindo o povo a afastar a idolatria para longe da terra de Canaã.

ואכלת את כל העמים אשר יהוה אלהיך נתן לך–לא תחוס עינך עליהם ולא תעבד את אלהיהם כי מוקש הוא לך

Destruirás todos os povos que teu D’us te entregar, sem mostrar-lhes piedade. E não adorarás os seus deuses, porque isso seria uma armadilha para ti.(D’varim Dt 7:16)

Nesta parashá, Moshê transmite mitsvot fundamentais como o dever de permanecer fiel a D’us, diretrizes contra a idolatria, sermões inspiradores enfatizando o compromisso do povo em relação à D’us, e a obrigação dos judeus de se conduzir à altura da santidade da terra de Israel. A terra de Canaã estava repleta de imagens e outros objetos de adoração de ídolos. O povo da terra colocavam imagens em cada montanha ou colina. Haviam ídolos sob cada árvore. Eles construíam templos, altares e matsevot (pedras para adoração de ídolos). Plantavam também asherot, árvores que consideravam sagradas. A primeira mitsvá ao entrar na terra será destruir cada ídolo e cada objeto de adoração! Livrar-se deles! Destruir os ídolos imediatamente! Não deverá permanecer nem mesmo um traço de idolatria.

A mitsvá de destruir ídolos aplica-se a todas gerações. Os reis judeus que foram tsadikim (justos) limparam o país das imagens que reis perversos lá haviam colocado anteriormente. Na terra de Israel, todo rei judeu é obrigado a procurar os ídolos e assegurar-se que a terra está completamente livre de todos os traços de serviço estranho, avodah zara em hebraico. Na terra repousa a Shechiná (presença do Eterno). É como o palácio do rei. Um servo ousaria erguer uma estátua do inimigo do rei no palácio ? Colocar um ídolo na terra Israel é exatamente a mesma coisa. Não poderia haver crime mais grave.

A armadilha 🪤 (idólatra) nos dias atuais

Armadilha é um meio ou instrumento de captura dum animal, tendo usualmente um laço ou mola que, ao disparar, agarra, prende ou mata o animal. Via de regra, é escondida, camuflada ou disfarçada de algum modo, de forma a enganar a vítima; não raro se usa uma isca. A idolatria é uma armadilha que pode afastar as pessoas da verdadeira adoração a D’us. As Escrituras mencionam a idolatria inúmeras vezes, condenando-a em todas as suas formas. Infelizmente a idolatria é um mau do passado que se estende às gerações futuras, até a volta de Yeshua.

Você já parou para pensar o quanto estamos cercados por idolatria ? O quanto estamos expostos a ela ? A televisão, a mídia, é uma verdadeira e perigosa armadilha, cuidado! Psicólogos, psiquiatras alertam que o uso das redes sociais pode ser viciante e suas consequências, as mesmas de qualquer outra dependência: ansiedade, dependência, irritabilidade, falta de autocontrole. Um estudo realizado pela Chicago Booth School of Business indicava, há mais de 10 anos atrás, que o Facebook, Twitter e outras redes sociais têm uma capacidade de viciar superior à do tabaco ou do álcool porque, entre outras coisas, acessa-las é simples e muitas vezes gratuito. A verdade é que, no parecer de muitos especialistas, o uso das redes sociais, incluindo aplicativos de mensagens instantâneas, pode chegar a criar sérias dependências com suas respectivas consequências já mencionadas acima. Observe as imagens abaixo:

Todas essas propagandas e muitas outras tem como objetivo vender suas marcas, seus produtos, fazendo deles extremamente necessários e fundamentais para a nossa vida, como se a vida não pudesse continuar sem o que é oferecido pelo anúncio. Não é errado procurar bens materiais como casa, carro, conforto financeiro entre outros. O que não podemos é deixar que todas essas coisas secundárias roubem o lugar de D’us na nossa vida. Permita-me contar um fato pessoal:

O fanático ⚽

O ano era 2007, para ser mais precioso, uma tarde de domingo, 2 de dezembro. Nessa época eu tinha entre 14 e 15 anos e era completamente fanático por futebol, “morria” pelo Corinthians. Sem falar nas coleções de camisas, copos, bermudas, chaveiros, bonés, toalhas, quadros, DVD’s, cordões, figurinhas, cadernos entre outros. Todos, objetos de idolatria. O Corinthians foi pela primeira vez em sua história, rebaixado para a série b ou segunda divisão do campeonato brasileiro de futebol. Para um torcedor comum isso é muito ruim, agora imagina para um fanático (idólatra). Eu não aceitava a queda do meu time na época. Parecia que eu estava morrendo, o choro era incontrolável, a tristeza misturada de ódio tomavam conta de mim. Era praticamente forçado pelos meus pais a ir para a escola. Passei muito tempo sem falar com os colegas que zoavam de mim, isso era horrível. Eu vivia cantando o hino do time e a música que até hoje eles cantam. (Corinthians minha vida, Corinthians minha história, Corinthians meu amor), olha só o tamanho da idolatria. O tempo passou, o Corinthians voltou para a elite. Chegou o ano de 2012, pela primeira vez o Corinthians foi campeão da libertadores da América. Eu surtei, pirei de vez. No outro dia não fui trabalhar, fiquei sem voz de tanto gritar. Correndo nas ruas eu cortei o pé, isso foi horrível.

Hoje, com 31 anos não sou mais aquele idólatra de outrora. Baruch Ha’Shem.

Influenciados pela Teologia da Necessidade, compramos a ideia do mundo ao nosso redor. Pensamos que precisamos de certas coisas sem as quais jamais poderemos viver. Mas esse quadro não é novo. Ele aparece diversas vezes na Escritura, como no texto dessa parashá. Ali, observamos armadilhas associadas à idolatria.

O bezerro 🐂 de ouro

Chegando em Horeb, ao ver que Moshê demorava a descer do monte, o povo juntou-se ao redor de Aharon e lhe disse: “Venha, faça para nós deuses que nos conduzam, pois a esse Moshê, o homem que nos tirou do Egito, não sabemos o que lhe aconteceu”. Respondeu-lhes Aharon: “Tirem os brincos de ouro de suas mulheres, de seus filhos e de suas filhas e tragam-nos a mim”. Todos tiraram os seus brincos de ouro e os levaram a Aharon. Ele os recebeu e os fundiu, transformando tudo num ídolo, que modelou com uma ferramenta própria, dando-lhe a forma de um bezerro. Então disseram: “Eis aí os seus deuses, ó Israel, que tiraram vocês do Egito!”(Shemot 32:2:4)

Essa foi a primeira armadilha da idolatria, Moshê havia subido ao monte Sinai para receber os mandamentos de D’us a serem transmitidos ao povo de Israel. Ali, permaneceu na presença de D’us por 40 dias. O povo no meio do deserto, preocupado com a demora de Moshê em retornar, fez um pedido a Aharon, o responsável por cuidar da nação enquanto Moshê estivesse no Monte. Eles querem um deus que os guie em sua caminhada pelo deserto. Mas qual é o motivo? D’us não havia cuidado deles e os tirado do Egito? Por que, então, pedir para que Aharon fizesse um deus? A razão é apresentada pelo próprio povo. Porque Moshê, o homem que os havia tirado do Egito, não aparecera e não sabiam o que havia acontecido com ele. Perceba que a confiança quanto à libertação do Egito não estava totalmente posta sobre D’us, mas sobre o homem que D’us havia usado para libertar o povo.

Infelizmente, esse mesmo processo acontece com a nossa geração hoje. Quando colocamos nossa dependência em objetos ou pessoas que não é o Eterno, caminhamos para a idolatria. Queremos algo palpável. D’us parece “um ser distante”, por isso, preferimos confiar no que podemos tocar e ver. É mais fácil dizer:

– Foi o trabalho que me concedeu dinheiro pra pagar a faculdade.

– O trabalho garantirá meu futuro. Esse negócio de D’us não dá estabilidade financeira para ninguém. Não posso parar de trabalhar!

– Meu namoro ou amizades me dão alegria para viver.

– O estudo da faculdade garantirá o meu futuro!

– A viagem dos meus sonhos me fará feliz.

– O sexo me trará prazer total.

– Minha família me dá segurança e sustento. Se alguém morrer, não sei o que será de mim!

– Eu preciso comer isso pra tranqüilizar minha ansiedade.

Guardar o Shabat é uma poderosa arma contra a idolatria, confira.

Milagres no deserto

Após tratar das recompensas e da idolatria, Moshê agora trás a memória os milagres vivenciados pelo povo no deserto.

שמלתך לא בלתה מעליך ורגלך לא בצקה–זה ארבעים שנה

As tuas vestes não envelheceram sobre ti, nem o teu pé inchou nestes quarenta anos.(D’varim/Deuteronômio 8:4)

No deserto, tudo dava certo: era uma vida repleta de milagres e maravilhas. Você mesmo já parou para pensar como o povo sobreviveu no meio do nada? Pois saiba que aconteceu um verdadeiro “show” de milagres. Segundo Rashi, grande intérprete da Torah, as roupas que as crianças vestiam cresciam junto com elas. Lavanderia? Nem pensar! Ao passar entre nuvens, a sujeira sumia! Estavam brancas com aquele “branco total”, de dar inveja até às melhores multinacionais fabricantes de sabões em pó deste século. A comida, chamada maná, caia do céu e tinha o sabor do alimento que a pessoa desejasse. Na sexta-feira, véspera de Shabat, caia em dose dupla. Imagine se fosse com a gente… Uma fonte de água jorrava constantemente de uma rocha. Uma nuvem em torno do acampamento do povo de Israel agia como escudo e durante a movimentação do pessoal no deserto.

As qualidades da Terra

Terra que mana leite 🥛e mel 🍯

Quando D’us falou a Moshê na sarça ardente, Ele o informou que redimiria os israelitas e os levaria a uma “terra boa e espaçosa, uma terra que emana leite e mel”.

ארץ זבת חלב ודבש

Eretz Zavat Chalav U’devash

Terra que mana leite e mel

Mel aqui (e em outros lugares na Escrituras) é geralmente entendido como uma referência ao néctar (substância aquosa secretada pelos vegetais através de glândulas especializadas) de frutas, especificamente o mel de tâmaras, não o mel de abelhas.

As tâmaras podem ser usadas para fazer mel. O mel de tâmaras é um adoçante natural com uma consistência semelhante à do mel ou do melado. É uma boa opção para substituir o açúcar em receitas e pode ser usado em muitos pratos, como: Café da manhã, como acompanhamento de pães, biscoitos, granola, iogurtes, sorvetes, bolos, cereais matinais, frutas azedas e panquecas Bebidas, para dar um toque especial Sobremesas, para elevar o sabor Molhos de saladas e temperos agridoces, café, chá, frutas, doces e bolos, shots, sucos e tigelas matinais. O mel de tâmaras é rico em fibras e antioxidantes, e também contém mais potássio do que o mel de abelha. No entanto, como é um açúcar, não é recomendado o seu consumo em excesso.

O leite nesse versículo geralmente é entendido como o leite de vaca ou de cabra, porém, fazendo uma pesquisa detalhadamente nas escrituras encontramos uma explicação fantástica sobre o leite mencionado nessa passagem das Escrituras.

A primeira análise é feita na palavra hebraica Zavat (זבת) que significa fluir, brotar. Assim, entendemos que tanto o leite quanto o mel são frutos que brotam, fluem da terra de Israel. Nessa parashá, Moshê lista os sete frutos da terra prometida:

Porque o Eterno teu D’us te leva a uma boa terra, terra de ribeiros de águas, fontes e abismos, que brotam nos vales e nas montanhas,
uma terra de trigo e cevada, vinhas, figos e romãs, uma terra que produz azeite de oliveiras e mel.
D’varim 8:7-8

Os sete frutos da terra de Israel: Trigo; Cevada; Uvas; Figos; Romãs; Azeitonas; Tâmaras.

O trigo é o primeiro fruto de Israel, ao passo que a Tâmara é o último. Portanto, a expressão leite e mel é uma clara referência aos sete frutos da terra prometida, ou seja, leite e mel é uma abreviação usada para falar dos sete frutos. Mas qual a ligação entre o leite e o trigo?

O trigo fornece cerca de 20% das calorias provenientes de alimentos consumidos pelo homem, possui uma proteína – glúten – não encontrada em outros grãos, o que faz do trigo componente indispensável para muitos alimentos. O glúten é uma proteína que confere elasticidade às massas e flexibilidade aos alimentos. O glúten está presente em alimentos derivados da farinha de trigo, como bolos, pães, massas, biscoitos, aveia, alguns doces e cerveja. Ou seja, o leite mencionado na expressão “leite e mel” é uma referência ao glúten do trigo.

O trigo é um dos principais componentes da alimentação de gados leiteiros. O trigo é rico em carboidratos, possui alto teor de energia e também enriquecido com minerais e vitaminas. O trigo é um alimento barato e facilmente disponível, o que o torna uma ótima alternativa para melhorar a nutrição de gado leiteiro. O trigo pode ser fornecido no estado natural, enquanto outras versões estão disponíveis na forma de farelo, grão processado ou mistura para alimentos comerciais. Além disso, o trigo é cultivado em todo o mundo, tornando-se um alimento acessível para os produtores que criam gado leiteiro. O trigo é excelente em fornecer energia para a produção de leite e estudos indicam que adicionar trigo ao plano de alimentação de gado leiteiro pode resultar em melhorias no desempenho.

Após essa análise, assim fica a expressão terra que mana leite e mel:

Terra que mana Trigo, Cevada, Uvas, Figos, Romãs, Azeitonas eTâmaras.

Abençoado seja O Eterno


Comentários

Uma resposta para “Parashat Êkév (calcanhar)”

  1. Excelente essa parashá,principalmente a parte da alimentação de Israel, falando da tâmara. Que Hashem abençoe.

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