Parashat Beshalach parte II

Shalom!

Voltamos com a segunda parte da Parashat Beshalach (Ao Enviar). Na primeira parte, abordamos os temas: A abertura do Mar Vermelho e o cântico de Moisés. Agora, abordaremos: As águas amargas de Mara e o Maná.

As águas amargas de Mara

D’us estar conduzindo seu povo pelo deserto, rumo a terra prometida. Eles haviam acabado de atravessar o Mar Vermelho e experimentado um milagre tremendo! Porém, três dias depois, eles chegaram a Mara, uma fonte de água no meio do deserto, mas não podiam beber, pois as águas eram amargas. Diante de tal desespero, da revolta do povo e da murmuração, Moisés clamou ao Eterno. D’us mostrou uma madeira a Moisés e ordenou que ele jogasse nas águas e elas ficaram doce. O que essa madeira era não é conhecido; se ela era em sua própria natureza doce, como o autor de Eclesiástico parece sugerir, quando ele diz:

“Foi da terra que o Senhor criou os remédios, e o homem de bom senso não os despreza. Não foi por um pedaço de madeira que as águas foram adoçadas e assim manifestaram sua essência?”(38:4-5)

No entanto, uma única árvore nunca poderia por si só adoçar um fluxo de água, e tal quantidade que fosse suficiente para um número tão grande de homens e gado; e, portanto, seja o que for, deve ser devido a uma operação milagrosa que as águas foram tornadas doces por ela: mas alguns escritores hebreus dizem que a árvore era amarga em si mesma, e, portanto, o milagre foi maior.

Naquele mesmo lugar, D’us deu ao seu povo estatutos e uma ordenança, os preparando para os mandamentos e leis que seriam dados no Sinai. O texto termina dizendo que, depois que os Israelitas saíram de Mara, D’us os conduziu a outro lugar, chamado Elim, onde não havia apenas uma fonte de água mas doze fontes de águas cristalinas e setenta palmeiras, e ali, eles acamparam junto as fontes das águas. Depois de passar pela amargura de Mara e receber a cura de D’us, o povo do Senhor foi conduzido para um lugar de descanso e refrigério.

Reflexão

Todos nós um dia chegamos em Mara.

“Por fim, chegaram a Mara…” (Êxodo 15:23)

Depois da saída do Egito, D’us livra definitivamente seu povo das mãos faraó, afogando-o junto com seus soldados no Mar Vermelho. Mas, depois de tudo isso, eles chegaram a Mara. Por que D’us os conduziu até la? Porque D’us queria ensina-los uma preciosa lição, e quer nos ensinar também: Todos, sem excessão, mais cedo ou mais tarde experimentam as águas amargas (angústias, desgostos). A amargura, a angustia e o desgosto podem ter fontes externas (palavras, pessoas…), ou internas (decisões erradas, sentimentos interiores…).

Quais fontes de águas amargas você tem experimentado ou ja experimentou em sua caminhada?

Em Mara, D’us prova seu povo.

“Ali o Eterno … os provou.” (Êxodo 15:25b)

Você não conquistará nada sem antes ser provado e aprovado em Mara! Mara é um lugar de prova, é um lugar de decisão. O texto que lemos diz que D’us colocou Seu povo a prova. D’us queria que, diante da amargura, do desespero, da angustia e do desgosto, Seu povo tivesse uma única atitude: buscar Nele a cura, buscar Nele o milagre. Mas, ao invés deste povo buscar, adorar e clamar a D’us, a amargura os levou a blasfemar, murmurar e desejar por muitas vezes, voltar para trás, a querer viver novamente no Egito, sob o domínio de faraó.

Depois de Mara, D’us levou seu povo a Elim, um lugar com doze fontes de águas, e setenta palmeiras! Um lugar de sossego, refrigério e abundância. D’us não nos chamou para viver em Mara; Ele quer nos levar até Elim, Ele quer nos conduzir a uma vida abundante, a uma vida de verdadeiro prazer.

O Maná

“Partindo de Elim, toda a comunidade israelita chegou ao deserto de Sim, que fica entre Elim e Sinai, no décimo quinto dia do segundo mês após sua saída da terra do Egito. No deserto, toda a comunidade israelita resmungou contra Moisés e Arão. Os israelitas disseram a eles: “Se ao menos tivéssemos morrido pela mão de יהוה na terra do Egito, quando estávamos sentados perto das panelas de carne, quando comíamos pão até ficarmos fartos! Pois vocês nos trouxeram a este deserto para fazer com que toda esta congregação morresse de fome.” E o Senhor disse a Moisés: “Farei chover pão do céu para vocês, e o povo sairá e colherá a porção diária daquele dia, para que eu possa testa-los e ver se seguirão as minhas instruções ou não.” (16:1—4)

Relata a Torah Sagrada que após dois meses e quinze dias da saída do Egito, os filhos de Israel murmuraram contra Moisés e Arão no deserto. Não consideraram a benevolência divina em dar-lhes liberdade e esperança de uma nova terra. Em vez de avançarem pelo deserto em busca da terra que manava leite e mel, lembraram do Egito com vontade de comerem do alimento que recebiam na condição de escravos. Foi quando D’us lhes prometeu: “Farei chover pão dos céus…”

Com a promessa vieram algumas determinações: “…o povo sairá, e colherá a porção diária daquele dia, para que eu possa testa-los e ver se seguirão as minhas instruções ou não”.

Na parte da tarde D’us enviou ao arraial codornizes (carne) e pela manhã uma camada fina como a geada, semelhante às escamas, proveniente do orvalho que evaporou (Maná). Coisa maravilhosa, visto que não sabiam o que era. Outro milagre ocorria diariamente: quem colhia pouco não faltava, e quem colhia muito, não sobrava (Ex 16:18). Mas, apesar de D’us operar maravilhosamente, não deram ouvido à palavra do Eterno e deixaram parte do alimento para o outro dia, e estragou. De igual modo ficaram perplexos quando o alimento não estragou no Shabat (Sábado) segundo a palavra de D’us.

…Amanhã é um dia de descanso, um Shabat santo do Eterno (יהוה)… Comam-no hoje, porque hoje é Shabat do Eterno; vocês não o encontrarão hoje na planície… Seis dias vocês o colherão; no sétimo dia, o Shabat, não haverá nada… No entanto, algumas pessoas saíram no sétimo dia para coletar alimentos, mas não encontraram nada.

A repreensão de D’us foi solene: “Até quando vocês recusarão a obedecer aos meus Mandamentos e aos meus Ensinamentos?”

Vamos deixar o Maná um pouquinho de lado agora, para falarmos de algo muito importante que aparece no relato da Torah. Depois voltaremos especificamente ao Maná.

Shabat antes do Sinai

D’us não revela como ele comunicou os princípios eternos de sua Torah (lei) para a humanidade antes do Monte Sinai, mas há evidência clara e substancial de que a promulgação da lei no Sinai não foi a primeira exposição de seus preceitos ao mundo. Forçados a reconhecer esse ponto, muitos argumentam que apenas o mandamento do Shabat, e não os outros, foi dado pela primeira vez no Sinai e, portanto, é exclusivamente judaico e não pertence aos cristãos hoje. Essa afirmação é correta?

Sabemos que o Shabat aparece pela primeira vez na Torah, em Genesis (2:1-3). Todavia, esse texto é ignorado por não se tratar de uma ordem legal estabelecida para guarda do Shabat. No entanto, é uma forte evidência sobre a guarda do Shabat. Outra forte evidência encontramos em Êxodo (5:1—5) onde a Torah apresenta Moisés e Arão lutando com Faraó para que este deixasse os filhos Israel partir. O versículo 5 é especialmente revelador:

“E disse também Faraó: Eis que o povo da terra já é muito, e vós os fazeis abandonar as suas cargas”.

A resposta de Faraó: ‘Vós os fazeis abandonar as suas cargas’ (Tradução da ACF), parece não dizer nada sobre o Shabat. Porém , na língua original, o hebraico, está muito claro e contundente:

ויאמר פרעה הן רבים עתה עם הארץ והשבתם אתם מסבלתם

E disse Faraó: O povo da terra já é grande (muitos) e vocês fazem descansar dos seus trabalhos.

Legal saber!

Aprendemos na Parashat Shemot, que o faraó afligia os hebreus com trabalhos pesados de domingo a domingo, para que os homens não tivessem tempo com as esposas para não reproduzirem.

Embora existam várias palavras para descanso, o verbo que Faraó usou é formado justamente a partir da palavra para Shabat (שבת) sábado. A linguagem impressionante de Faraó a Moisés e Arão pode ser interpretada da seguinte forma: “Vocês fazem com que eles repousem de seu trabalho no Shabat!” Fica subentendido que os líderes (Moisés e Arão) faziam o povo “parar de trabalhar” (descansar).

No relato sobre o Maná, a Torah apresenta uma prova concreta do Shabat antes do Sinai, exatamente quando D’us milagrosamente proveu o maná para Israel no deserto. Como já explicamos, o maná era dado em dobro na sexta-feira; no Shabat não era concedido; essa porção adicional não estragava, porque recebia a bênção da santificação do Shabat.

Observe bem as palavras do Eterno a Moisés no verso 28: “Até quando vocês recusarão a obedecer aos meus Mandamentos e aos meus Ensinamentos?” Elas são uma indicação clara de que as leis e os Mandamentos de D’us existiam antes da revelação no Sinai, e de que entre esses Mandamentos e leis estava o Shabat. Assim, embora algo monumental tenha acontecido na promulgação da lei no Monte Sinai, obviamente os Dez Mandamentos não eram novos. Os Filhos de Israel guardavam o Shabat, em maior ou menor grau, antes mesmo da Revelação Divina no Sinai.

Somos ordenados pelo Santo Bendito Seja Ele, a lembrar do Shabat; mas lembrar significa muito mais que meramente não esquecer. Significa também lembrar do seu significado. Depois que o quarto Mandamento foi instituído pela primeira vez, D’us explica:

כי ששת ימים עשה יהוה את השמים ואת הארץ את הים ואת כל אשר בם וינח ביום השביעי על כן ברך יהוה את יום השבת–ויקדשהו

“Porque em seis dias fez Adonay os céus e a terra, o mar e tudo que existe neles, e no dia sétimo, descansou: portanto, abençoou Adonay o dia do Shabat e separou ele.” (Shemot 20:10)

O texto nos diz explicitamente o motivo pelo qual devemos lembrar do Shabat, “porque em seis dias fez Adonay toda sua criação”. O Shabat é o memorial da criação de D’us, a assinatura deixada por ele. A criação é um livro de sete páginas.

Na primeira página, D’us relata a criação do céu e da terra. Na segunda, ele relata a separação das águas. Na terceira, ele relata o surgimento da parte seca emergindo das águas. Na quarta, ele relata a criação do sol, da lua e das estrelas. Na quinta, ele relata o povoamento dos mares com peixes e outros animais marinhos, e no ar acima da terra, os pássaros. Na sexta, ele relata a criação de outros animais (grandes e pequenos), e o apogeu da sua criação, pois perto do final do sexto dia, D’us colocou uma alma divina num corpo que Ele fez de terra e barro: o ser humano. Na sétima página, não há nenhum relato, pois ela foi separada por D’us para que nela, ele pusesse a sua assinatura. Ao observar o dia de Shabat, mostramos que acreditamos em D’us como o Criador de todo o universo, e assim fechamos qualquer brecha para idolatria.

(Saiba mais sobre o Shabat)

Voltando a falar do Maná…

O Maná do Céu serviu como um lembrete constante para os filhos de Israel de sua dependência de D’us. Eles não podiam confiar em seus próprios esforços ou recursos para sobreviver, mas precisavam confiar inteiramente na provisão divina. Essa dependência era expressa pela necessidade diária de recolher o Maná e pela obediência às instruções de D’us sobre como lidar com ele, como já explicamos acima. Enfim, essa lição de dependência divina também se aplica a nós hoje. Assim como o povo de Israel precisava do Maná para sua sobrevivência física, nós também precisamos da provisão de D’us em todas as áreas de nossas vidas. O Maná do Céu nos ensina que devemos buscar em primeiro lugar o Reino de D’us e Sua justiça, confiando que ele suprirá todas as nossas necessidades.

Além de ser um alimento físico, o Maná do Céu tinha um significado profético. Nos Escritos Nazarenos (“Novo Testamento”), Yeshua fez referência ao Maná quando disse: “Eu sou o pão da vida; aquele que vem a mim não terá fome” (João 6:35). Yeshua estava revelando que ele é o verdadeiro sustento espiritual, o alimento que sacia a fome da alma. A multidão que ouvia a Yeshua claramente, associou as suas palavras ao testemunho de seus antepassados sobre o Maná enviado no deserto.

Quando a multidão procurou a Yeshua do outro lado do mar, no dia seguinte ao que ele fizera, o milagre da repartição dos pães e dos peixes, não o encontraram, nem a seus discípulos. A multidão, então, partiu para Cafarnaum a Sua procura. Encontraram-no, e lhe perguntaram quando havia chegado lá. Yeshua sabia que a multidão não estava preocupada com os sinais que o vira realizar, na repartição dos pães e dos peixes, mas estava preocupada apenas com a alimentação que Yeshua lhes oferecera.

Yeshua lhes respondeu: “… vós me procurais, não porque vistes sinais, mas porque comestes dos pães e vos fartastes”(vs 26b). A multidão estava interessada unicamente na comida que o Messias oferecera no dia anterior. Viram o milagre da repartição dos pães e dos peixes, e acharam, talvez, que viveriam assim todos os dias. Não estavam preocupados com a alimentação espiritual. Yeshua chama a atenção da multidão: “Trabalhai, não pela comida que perece, mas pela que subsiste para a vida eterna, a qual o Filho do homem vos dará; porque Deus, o Pai, o confirmou com o seu selo” (vs 27). Para Yeshua o importante era a comida espiritual, porque esta permanece para a eternidade. Esta comida é tão importante que não se acaba, pelo contrário, podemos acumula-la cada vez mais para a vida eterna.

Yeshua é o Pão do Céu para alimentar todo aquele que desejar ter paz, alegria, amor, tranquilidade, bondade, e viver seguro com Yeshua em sua vida, observando os Mandamentos da Torah, e no futuro viver nas mansões da nova Jerusalém juntamente com ele e todos os salvos.

Abençoado Seja O Eterno


Comentários

3 respostas para “Parashat Beshalach parte II”

  1. Avatar de Nádia Cristiane
    Nádia Cristiane

    Ensino muito bom, principalmente sobre a guarda do Shabat. Baruch Hashem

  2. Avatar de Ary Maclaud
    Ary Maclaud

    Revelação maravilhosa nesse ensino, o shabbat já era ordenado muito antes das tábuas do Sinai.

    E vemos também que o povo nada mudou mesmo após anos depois estavam mais interessados na comida que perece, e não no verdadeiro Maná

    Obg More Pedro pelo seu tempo e dedicação ao ensino.

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