Parasha – Chayei Sarah – Vida de Sarah PT 1

חַיֵּ֣י שָׂרָ֔ה (Chayey Sarah) – Vida de Sarah

Na parashá Chayey Sarah – Temos duas mortes e dois casamentos. Sarah morre e Abraão compra a caverna de Machpelah de um hitita chamado Efrom. Depois de enterrar Sarah, Abraão encarrega seu servo de localizar uma esposa para Isaque na terra natal de Abraão e não dos cananeus. Grande parte desta porção é sobre essa tarefa. Rebeca retorna com o servo e se casa com Isaque. Depois, descobrimos que Abraão se casa com Quetura e tem seis filhos com ela. Esta porção revela os doze filhos chefes de Ismael e termina com Ismael morrendo na idade madura de 137 anos.

E assim começa

וַיִּהְיוּ֙ חַיֵּ֣י שָׂרָ֔ה מֵאָ֥ה שָׁנָ֛ה וְעֶשְׂרִ֥ים שָׁנָ֖ה וְשֶׁ֣בַע שָׁנִ֑ים שְׁנֵ֖י חַיֵּ֥י שָׂרָֽה׃

“Foi a vida de Sarah Cem anos, Vinte anos, Sete anos, anos da vida de Sarah

A primeira peculiaridade é o próprio nome da parasha (Vida de Sarah) para relatar a sua morte. Também de uma forma peculiar descrever a sua idade de uma forma incomum (literalmente, 100 anos, 20 anos e 7 anos). Rashi então trás a seguinte explicação: — A razão pela qual a palavra שנה Shanah (ano) é escrita em cada termo é para lhe dizer que cada termo deve ser explicado por si mesmo como um número completo: Aos cem anos ela era como uma mulher de vinte anos em relação ao pecado — pois assim como aos vinte anos alguém pode considerá-la como nunca tendo pecado, já que ela não havia atingido a idade em que estava sujeita à punição, assim também, quando ela tinha cem anos ela era sem pecado — e quando ela tinha vinte anos ela era tão bonita quanto quando tinha sete anos.

De acordo com a tradição, ao relatar a quantidade de anos que Sarah viveu, é para chamar a atenção para uma mulher extraordinária, do qual, na parasha anterior podemos notar o amor, respeito e submissão para com seu marido Avraham, ao ponto de por vontade própria, ofertar sua concubina Hagar para se deitar com seu marido e assim poder gerar filho (Ismael).

Em um casamento, tanto o homem quanto a mulher se tornam uma unidade (Unica carne) e isso inclui a parte espiritual! Sarah era um reflexo de seu marido! Um nome unico com uma mulher unica (no mundo). Quando estudamos a incrível história de Avraham não podemos deixar de notar a presença de sua amada Sarah. Que seguiu seu marido, deixando tudo para trás inclusive sua terra natal e seus parentes, confiando no mesmo [Avraham], sem saber o que os aguardavam (fome, sede, medo etc…)Iniciando uma longa caminhada que mudaria a história e a sorte “mazal” dos dois. Na medida que Avraham era abençoado e recebia a shechina “presença” direta do Santo Bendito Seja, Sarah também teve a honra de ser a escolhida para ser a mãe da promessa (gerando o filho da promessa), vale ressaltar que Sarai era uma mulher estéril, que veio a dar a luz a Isaque somente depois de mudar seu nome para Sarah, recebendo uma das letras do nome de D’us.

Uma verdadeira auxiliadora!

Portanto ela é tida como uma mulher sem pecados, que aos 100 anos era como se tivesse 20 anos (Ou seja “sem pecados”) e aos 20 anos como se tivesse 7 anos (uma criança pura, com uma beleza tanto exterior quanto interior)

O fato da tradição não atribuir pecados a ela, deriva dos midrashim que diz o seguinte: A Corte Celestial não pune ninguém por pecado antes dos vinte anos. O versículo indica, portanto, que aos cem anos, Sara nunca pecou, ​​assim como aos vinte anos ela nunca pecou.

Não significa necessariamente que ela nunca cometeu qualquer erro humano, mas sim que sua vida foi caracterizada por uma retidão espiritual extraordinária, a ponto de ser vista como um modelo de virtude e santidade. Uma boa comparação sobre essa questão podemos achar no livro de Números 14:29:

“Vocês serão mortos, e os corpos de vocês serão espalhados pelo deserto. Vocês reclamaram contra mim, e por isso nenhum de vocês que tem vinte anos de idade ou mais entrará naquela terra”

Nesse caso em especifico foram punidos apenas os que tinham idades acima de 20 anos. A partir dessa idade é que de fato começa o amadurecimento, mas isso não isenta erros anteriores, porém, pode haver menos rigor quanto a isso (Talvez Deus tenha mais misericórdia).

Curiosamente essa ideia de amadurecimento vai estar presente em quase todas as culturas, inclusive a nossa. Que de acordo com a ciência, sociologia, psicologia etc…, o desenvolvimento humano normalmente vai até essa idade dos 20 anos. Os homens param de crescer por volta dos 18 a 20 anos e as mulheres por volta dos 14 a 16 anos. Fonte Google

100 anos, 20 anos e 7 anos (127)

A parasha “vida de sarah” ser iniciada dessa forma para logo em seguida falar de sua morte no vers. 2, podemos entender também da seguinte forma: Quando Sarah concebeu Isaque estava com 90 anos de idade. Então aos 100 anos o seu filho Isaque já com 10 anos de idade proporcionava felicidade a sua mãe a tal ponto de parecer uma jovem de 20 anos em inicio da jornada adulta. Naquele tempo, mulheres sonhavam em gerar filhos e começando ainda nova. Hoje em dia muita coisa tem mudado com relação a esse pensamento, levando a muitos (homens e mulheres) a não querer filhos, mas isso não é assunto nesse momento. “Somente quando uma pessoa morre suas realizações durante sua vida na Terra se tornam visíveis, apreciadas e irreversíveis” Bahya – É o que ocorreu com Sarah, após sua morte, que vamos começar a notar a mulher extraordinária que ela era.

Vale ressaltar que o nascimento de Isaque por si só já é um grande milagre, do qual os sábios explicam que D’us fez uma ação milagrosa tanto em Avraham quanto em Sarah trazendo “rejuvenescimento e vigor” para ambos uma “fonte da juventude”. Quando então Isaque chega aos 37 anos sua mãe morre aos 127 (esses 37 anos foram os melhores anos da vida de Sarah). Sendo Isaque o filho da promessa, e D’us ter intervido na vida de Sarah e a mesma conceber um filho, os 127 anos apontam justamente para essa ação milagrosa. Do qual o alef 1 representa a presença divida, o bet 2 a casa que iria habitar a perfeição do filho profético zayn 7. Um breve pensamento a cerca dos 100, 20 e 7, nos conecta a ideia de que 120 anos está ligado aos 120 Jubileus que dá um total de 6 mil anos, que para nós [Nazarenos] essa é a marcação do tempo para a volta do Mashiach e inicio do milênio que seria mil anos de shabat ou seja 7 (120 + 7)

Se somamos os valores 1+2+7 vamos ter o valor de 10, indicando que Sarah era uma mulher que andava em retidão perante os 10 mandamentos de Hashem.

Na parasha anterior (link) estudamos sobre a amarração “sacrificio” de Isaque, e de acordo com a tradição e também com o contexto bíblico, vamos entender que Sarah morre, logo em seguida a tentativa de sacrificio de Isaque. A Torah está conectada do inicio ao fim, por isso devemos estudar de igual forma todas as parashiot “Porções” a fundo. Vale a pena relembrar: “Então Abraão tornou aos seus moços, e levantaram-se, e foram juntos para Berseba; e Abraão habitou em Berseba”. Final de Gn 22:19 e no inicio de Gn 23:1-2 Sarah morre.

No Midrash Tanchuma (Vayera 22) vamos ter Avraham preocupado em dá uma desculpa para levar Isaque para o sacrifício, porém, ele temia que Sarah desconfiasse e viesse a se matar. Fonte

No mesmo midrash vamos ter a ação do perverso (Satan) que falhou em fazer Avraham e Itzchak desistirem (ambos queriam o quanto antes cumprir a vontade de Hashem) do sacrifício, então foi até Sarah, relata o midrash: Satanás visitou Sara disfarçado de Isaque, Quando ela o viu, perguntou: “O que seu pai fez com você, meu filho?” Ele respondeu: “Meu pai me levou por montanhas e vales até que finalmente chegamos ao topo de uma certa montanha. Lá ele ergueu um altar, arrumou a lenha, amarrou-me sobre o altar e pegou uma faca para me matar. Se o Santo, bendito seja Ele, não tivesse gritado: Não estenda a mão sobre o rapaz , eu teria sido morto.” Ele mal havia terminado de relatar o que havia acontecido quando ela desmaiou e morreu. Também podendo ser uma possivel fofoca que Isaque teria sido massacrado – Fonte Rabeinu Bahya Genesis 23:1. E Abraão veio lamentar Sara e chorar por ela, De onde ele veio? De Moriá (monte do sacrificio). Fonte Justamente por isso é afirmado que Isaque tinha 37 anos de idades no momento que seria sacrificado, porque logo em seguida a sua mãe morre aos 127 anos. Ainda que você não creia na narrativa do midrash, fato é que seguindo um raciocinio lógico, a própria Torah nos mostra que de fato Sarah morre logo após ou no momento do “sacrificio” de Isaque.

Obs: “Isaque não era uma criancinha quando seria ofertado por seu pai, como boa parte dos cristão imaginam”

Se fizemos uma interpretação a nivel SOD utilizando o método de gematria reversa (trocar os numeros por letras) 127 anos vamos ter as seguintes letras em hebraico: Alef (1) + Bet (2) + Zayin (7) = אבז. Essa palavra por si só não significa nada, porém, se mudarmos a ordem de suas posições vamos ter a palavra זאב Z’av “lobo”. Então os 127 anos de Sarah, marca o dia que o “anjo ceifeiro” veio cravar o dia de sua morte, e o lobo devorador (Satan) se esforçou em trazer um momento de tristeza após a vitória do pai e filho.

Independente se ela [Sarah] viveu 127 anos sem pecado, o que fica de lição para nós é: Viver uma vida irrepreensível com TORAH, nos desviando do pecado ao ponto das pessoas não conseguirem achar falhas em você.

De acordo com os sábios, o momento da morte de Sarah está conectado ao momento da “morte” de Isaque. Se você leu a parte 2 da parasha anterior, você viu que trouxemos assuntos profundo de cunho judaico, a respeito da amarração de Isaque, utilizando a Kabalah que na ocasião relata que a alma de Isaque “saiu correndo” e subiu para o reino celestial. Igualmente aconteceu com a alma (Nefesh) de Sarah, que acabou morrendo junto ao seu filho e os 2 foram juntos para o reino celeste. Fonte Bahya

Nossos sábios ilustram esse conceito em conexão com a bênção fornecida à humanidade durante a vida de Sarah, enquanto ela estava viva havia uma luz queimando em sua tenda que queimava de uma sexta-feira a outra (milagrosamente nunca se apagava) sua massa era sempre abençoada (não envelhecia) nunca faltava pão.

A tradição midrashica ensina que uma nuvem pairava sobre a tenda de Sarah como uma evidência da Shechina [presença de Hashem]. Que desapareceu após o seu falecimento mas retornou quando Rebeca entrou na tenda de Isaque (na verdade, todos os atributos – da luz , nuvem e do pão desapareceram na morte de Sarah e voltaram quando Isaque desposou Rebeca). Indicando que Sarah (não Avraham) era a guardião da presença divina [no lar] na terra, foi na morte de Sarah que de fato nos leitores vamos mirar nossos olhos e vislumbrar a grandeza dessa mulher. É bem entendido que a mulher de fato vai ter uma elevação espiritual muito grande dentro do lar, até maior que o homem. É o dever dela, garantir ou manter a santidade no lar (ela é quem cuida da casa enquanto o marido está na rua / campo trabalhando) ela é responsável por ensinar os filhos. Então, Sarah conseguia manter a luz [Torah] 7 dias por semana sem apagar, os pães [Palavra de Hashem] que alimentavam diariamente e a nuvem [proteção Divina] que impedia qualquer mal abater sobre a familia.

Além disso, Sarah possuía um certo poder (dons proféticos) capacidade de enxergar o futuro, por exemplo no caso de Hagar e Ismael foram expulsos a pedido de Sarah e com a confirmação de Hashem. Megillah 14a13

Próprio nome שרה Sarah significa (Ter poder)

E claro, ela com toda essa elevação espiritual, ganhou o mérito de ser enterrada (primeira entre os patriarcas e matriarcas) a serem enterrados na terra santa de Israel. A forma da qual a Torah segue fazendo essa conexão de relato de morte de Sarah logo após a amarração de Isaque, indicando que Isaque Iria dar continuidade na história com Rivkah (Rebeca). E nisso, Sarah precisou de fato morrer para a “mãe” de Isaque em Rebeca podesse habitar.

A palavra אמו Imo em 24:67 é desnecessária, pois todos sabemos que Sarah foi a mãe de Yitzchak. A razão pela qual a Torá escreveu esta palavra foi para sugerir que sua alma havia reencarnado no corpo de Rebeca. Quando o Midrash declarou que assim que Rebeca se mudou para a tenda de sua sogra, a luz começou a brilhar novamente e os vários fenômenos que eram comuns durante a vida de Sarah começaram a se manifestar novamente, isso é prova da continuidade metafísica entre Sarah e Rebeca.

Outra maneira de olhar para as palavras ויהיו חיי שרה Vayhiu Hayey Sarah (Foi a vida de Sarah) que elas se referem ao além. Isso refletiria o fato de que a Torá relatou sua morte imediatamente após ela ter ouvido que a alma de Isaque havia “voado” para o céu como resultado de ele ter sido oferecido a D’us como um sacrifício, veja na parte 2 da parasha anterior. A forma ויהיו Vayhiu sugeriria que tanto sua alma quanto a de Isaque partiram da terra ao mesmo tempo para fixar residência permanente nas regiões celestiais. Rashi em Gn 23:2 – ela recebeu um grande choque (literalmente, sua alma voou dela) e ela morreu. De acordo com o Zohar, no momento da amarração e sacrificio de Isaque, ele de fato morrer (no mundo espiritual) renascendo com um novo espirito, ou seja, um homem renovado e preparado para sua missão.

Machpelah um portal espiritual

Sara morreu em Quiriate-Arba, hoje Hebrom, na terra de Canaã; e Abraão começou a lamentar e a lamentar Sara.

קִרְיַ֥ת אַרְבַּ֛ע Qiryat Ar’bba (cidade dos 4) – De acordo com alguns, seria referencia aos 4 casais enterrados nesse local “Adam e Chavah – Avraham e Sarah – Itzchak e Rivka – Yaacov e Lea”.

No decorrer da parasha, vamos ver Avraham comprando a caverna que fica no campo de Machpelah por um alto valor. O que fica estranho a primeiro momento é que Avraham compra algo que já havia sido prometido por D’us de que Avraham e seus filhos herdaram as terras. No decorrer da história de Avraham, vamos perceber uma qualidade muito importante nele que é Chessed “bondade”.

Dentro da Kabalah, Avraham é tipo como representação da sefirah chessed, isso ocorre porque Avraham é descrito na Torá como alguém que exemplifica a bondade e a hospitalidade. Ele dedicou sua vida a espalhar o monoteísmo (Unidade de HASHEM) e mostrar bondade ao receber e cuidar de estrangeiros, como visto no episódio em que ele acolhe três anjos disfarçados de viajantes (Gênesis 18:1-8). Inclusive, ensina os sábios, que a tenda de Avraham era aberta nas 4 direções, justamente para ficar atento a qualquer estrangeiro e praticar ajuda de qualquer natureza (Tsedaká). Ele comprar as terras que já eram dele , demonstra o quanto ele pensava no próximo, evitando qualquer tipo de conflito (percebemos isso quando o mesmo tentou salvar Sodoma) e adquirindo de forma a não deixar dúvidas de que o dono das terras era de fato ele tanto no [mundo espiritual quanto no físico], até porque o local era os limites da terra de Efrom no final do campo (na divisa) Gênesis 49:30-32. Avraham não quer deixar dúvidas para futuras gerações, e então paga um alto valor.

Avraham queria liberdade completa para fazer o que quisesse na propriedade depois que a adquirisse. Efron não seria capaz de ditar a ele o quão perto de sua propriedade Sarah ou outros membros de sua família poderiam ser enterrados. Sforno

Mas, toda via… há um mistério por trás dessa compra e alto valor dessa caverna

מכפלה Macppelah = “duplo” ou “dobrar” ou “multiplicada”

Rashi: “Tinha uma caverna inferior e uma superior”

Ezra: “Uma caverna dentro de uma caverna”.

O primeiro mistério envolvendo macppelah מכפלה está relacionada à expressão כפל Kafal “duplo”. D’us havia “dobrado” a altura da caverna para enterrar os restos mortais de Adão dentro dela. Os moradores locais não sabiam disso, mas Avraham sim. Vejamos:

Como Abraão entrou na caverna e sabia do valor espiritual daquele local? Ele estava correndo atrás de um bezerro, sobre o qual está escrito: “E Abraão correu para o rebanho” (Gn 18:7). Este bezerro correu para a caverna. Abraão correu atrás dele e viu o que viu. Outra razão era que Abraão orava todos os dias. Ele saiu para o campo que estava perfumado com perfumes celestiais, viu luz saindo da caverna e entrou lá para orar. Lá o Santo, bendito seja Ele, falou com ele. Como resultado, Abraão queria a caverna e sempre abrigou um desejo por ela. Fonte

De acordo com a tradição a caverna de Machpelah (local que foram sepultados os patriarcas e martriaca) seria um portal para o Gan Eden “Paraiso”, ou seja, uma ligação direta entre o material e o espiritual.

A valor numérico da palavra מכפלה Machpelah é 175, valor da quantidade de anos de Avraham (morreu com 175 anos). Não é o acaso, não é coincidencia, Avraham como o pai da fé e representante de chessed “bondade”, encontrou ali a conclusão de sua jornada terrena em um lugar que já carregava seu [Mazal] número essencial. Fazendo uma soma 1+7+5 vamos ter um valor de 13 que representa o amor e unidade a D’us, nos lembra que a jornada de Avraham foi fundamentada no amor e na unidade divina, onde o mesmo manteve até o fim o monoteísmo.

Então sim, esse local indica uma conexão espiritual muito forte, a conexão entre os dois mundos, por isso é duplicada ou multiplicada. Local que representa o descanso dos justos. Isso me faz lembrar muito da parabola do rico e Lazáro e lá na ocasião é citado o paraiso ou seio de Abraão, local para onde os justos irão. “Machpelah na terra representa essa ponte”

Ainda continuando na gematria, Machpelah em  (Mispar Katan) tem valor de 22, número de letras do Alef-Bet hebraico, que é a base da criação (a criação foi feita através da palavra, ou seja, das letras).

Machpelah, sendo um local de transição entre o físico e o espiritual e tendo valor de 22, pode ser vista como um “portal” sustentado por essas 22 letras. Sendo também responsáveis pela Torah (a torah foi escrita com as letras do alfabeto), sugere que esse local é uma expressão concreta da aliança entre D’us e Avraham, a qual é detalhada e eternizada na Torah.

O próprio numero 22 remete a uma ideia de dobrado, ou seja, 2 e 2. E uma das letras que é representada por 2 é Beit ב “Casa”, ou seja, 2 casas ou 2 mundos (o celestial e o material).

O 22 representa também as 12 tribos de Israel e os 10 mandamentos

E 2+2 = 4: Quatro patriarcas e matriarcas enterrados lá, os quatro elementos (terra, fogo, ar e agua), os 4 cantos da terra (norte, sul, leste e oeste), os 4 mundos (emanação, criação, formação e ação) é literalmente um ponto de ligação entre tudo. E claro, 4 também está conectado as letras do tetragrama יהוה.

E nisso o Zohar diz: O que é o Machpelah (duplo)? É o He ה do Santo Nome יהוה, que é duplo, pois há dois Heis no nome Yud He Vav He, e ambos são como um. Por essa razão, as escrituras dizem vagamente o הַמַּכְפֵּלָה֙ HaMachpelah, pois esta é a única letra dupla no Santo Nome. E os sábios ensinam que o primeiro he está ligado ao celestial e o segundo ao reino de baixo malchut, havendo inclusive um pensamento de retificar / restaurar o he que outrora havia de “dividido” do Nome na ocasião da queda de Adam e Chavah.

“Então, Abraão sepultou Sarah, sua mulher, na caverna do campo de Machpelah, em frente a Manre, que é Hebrom, na terra de Canaã”

Gn 23:19

Sarah, uma mulher de fé inabalável e espírito guerreiro, é um exemplo eterno de perseverança e confiança em D’us. Ao lado de seu marido, ela enfrentou desertos físicos e emocionais, jamais permitindo que as dificuldades apagassem sua esperança. Mesmo diante da dor e da longa espera por um filho, Sarah manteve viva a chama da fé, sendo recompensada com a promessa divina cumprida em seu tempo.

Ela não apenas foi abençoada, mas se tornou uma bênção para todos ao seu redor, mostrando que aqueles que temem e confiam no Senhor recebem sua graça abundante. Sua jornada é uma inspiração para homens e mulheres de todas as gerações, lembrando-nos que a fé move montanhas e que as promessas de D’us nunca falham.

Que a memória de Sarah seja sempre abençoada, um farol de força, resiliência e total entrega a vontade divina. Que sua história continue a nos ensinar a nunca desistir, mesmo quando o caminho parece difícil, pois D’us é fiel e suas bênçãos são sempre perfeitas.

Amén

Parte dois em breve


Comentários

2 respostas para “Parasha – Chayei Sarah – Vida de Sarah PT 1”

  1. Avatar de Renato Diniz Costa
    Renato Diniz Costa

    Irei reler pois, é muito profundo este estudo… , enfim preciso de estudar com mais calma. Shalom .

  2. Estudo muito bem aprofundado, gratidão, que Hashem abençoe.

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