Teshuvah – O Retorno da Alma

O Retorno da Alma

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Introdução

Você já teve déjà vu (já visto)?

Sabe, aquela sensação estranha de que você já vivenciou um evento antes, mesmo que não tenha? Uma teoria por trás desse fenômeno é que a nova situação lembra nossos cérebros de uma experiência semelhante que tivemos, mas não conseguimos lembrar direito. Não lembrando conscientemente da primeira experiência, nossos cérebros só conseguem evocar uma vaga sensação de familiaridade. Segundo a explicação da Torat ha’Sod (Ensinamento do secreto) também conhecida como Cabalá, a alma é ensinada sobre verdades divinas antes de entrar no mundo, mas esquece-se de tudo no nascimento. No entanto, uma marca ou memória fraca permanece, e a verdade é reconhecida quando encontrada.

Explicam os sábios da Cabalá que o corpo e alma são duas entidades separadas que se combinam. O corpo tem desejos materiais como comer e dormir. A alma quer mais plenitude, mais sabedoria, quer evoluir. O Zohar diz que quando dormimos a alma deixa o corpo. Só 1/60 avos da alma fica no corpo. A alma é infinita e ilimitada. O corpo representa uma limitação. O Zohar descreve a alma como prisioneira na prisão que é o corpo, porque o corpo limita a alma. O Zohar diz que a alma precisa sair da limitação e ir para um lugar onde espaço e tempo não existem. A alma precisa se libertar da limitação dos 5 sentidos e ser recarregada com energia espiritual pura. É isto que acontece durante o sono. Quando estamos dormindo não temos controle do corpo, não decidimos o que fazer. O Zohar diz que alma se liberta e recebe sua alimentação do mundo infinito. Apenas uma porção mínima dessas informações são armazenadas no nosso cérebro. Isso é o que provoca a sensação de déjà vu.

O que isso tem a ver com a Teshuvah?

Arrependimento é a tradução costumeira e pobre para a palavra hebraica Teshuvah. Todavia, existe uma palavra hebraica que realmente expressa arrependimento, charatá. Esses dois termos não são apenas distintos, eles são opostos. Charatá implica remorso, arrependimento ou um sentimento de culpa pelo passado e uma intenção de se comportar de uma maneira completamente nova no futuro. A pessoa decide tornar-se “um novo homem”. Mas Teshuvah significa “retorno” para o velho, para a própria natureza original.

A essência da Teshuvah, é que nos foi dada a capacidade de realmente mudar o que ocorreu e retornar ao nosso estado natural, que é puro e conectado com o Divino. Toda vez que uma pessoa comete uma transgressão, é como se os fios de uma corda, que nos conecta acima estão sendo cortados. Quando “retornamos”, estamos amarrando-nos bem mais fortes a esta corda, nos reconectando com D’us. Enquanto o “arrependimento” envolve descartar o passado e começar de novo, Teshuvah significa voltar às suas raízes em D’us e mostrá-las como o verdadeiro caráter da pessoa.

Existe uma frase importante dita pelo Rabi Israel Baal Shem Tov: “De tudo que um judeu vê ou ouve, ele deve extrair uma lição em seu serviço ao Todo Poderoso.” Obviamente, a pessoa deve procurar uma lição no seu trabalho diário.

Aprendemos desde cedo que as roupas, antes de vesti-las, são lavadas e passadas – tudo no devido lugar. Mas depois de as usarmos durante algum tempo, elas ficam amassadas, empoeiradas ou manchadas. Apesar disso, não precisamos descartar essas roupas; em vez disso, enviamos a uma lavanderia. O tintureiro coloca-as numa máquina com temperatura morna ou quente, água, produtos químicos ou sabão que remove a sujeira e as manchas. Depois ele as passa aplicando um ferro pesado ou pressão, e assim a roupa pode ser usada novamente. Assim é com a alma. Quando o Todo Poderoso dá ao – homem ou mulher – sua alma, ela está limpa e passada, e encaixada individualmente nele ou nela. Como é dito diariamente nas preces de shacharit (orações matinais): “A alma que colocaste dentro de mim é pura.” Com o tempo, porém, à medida que é usada para questões mundanas, a alma torna-se amassada – marcada pelo uso para coisas que não são a vontade de D’us. A alma pode também tornar-se suja e manchada quando a pessoa negligencia, D’us não o permita, o cumprimento de uma mitsvá obrigatória ou então transgride uma proibição Divina.

Mesmo assim, a Torah nos ensina a não desesperar e acreditar que é possível restituir a pureza da alma e sua condição para ser descente e viver conforme a prescrição para uma vida Kadosh (Separada), através da Teshuvah.

Há um processo em três partes para fazer Teshuvah:

1 – Confissão (vidui): onde nós verbalmente reconhecemos o erro cometido e tomamos consciência de que transgredimos a vontade Divina; 2 – Arrependimento (Charata): o ato de pedir perdão não deve ser apenas através de palavras, precisamos estar verdadeiramente arrependidos pelo que fizemos; 3 – Comprometimento para o futuro (kabbalah al ha’atid): onde nos comprometemos a não repetirmos o erro, e que verdadeiramente sentimos isto.

A pessoa também deve se envolver em outras coisas: Tsedaká (atos de justiça), observância da kashrut (lei alimentares) e outras mitsvot (mandamentos), restaurando assim a alma à sua pureza sem manchas. E se acrescentar a isso o “peso” e “pressão” da Torah – um peso e pressão que podem parecer, a princípio, ser um fardo – isto apenas não incomoda a roupa – pelo contrário, deixa-a lisa e coloca cada coisa em seu lugar, restaurando-a à forma e brilho adequados. Em outras palavras, por intermédio de Torah e mitsvot a alma se torna aquilo que deveria ser (é).

Aprendemos que somos um conjunto de uma alma espiritual eterna dentro de um corpo material. Tudo nesse mundo tem corpo e alma, e quando comemos alguma coisa estamos unindo o lado espiritual do que comemos à nossa alma. Segundo os sábios da Torah, tudo que alimenta o corpo também alimenta a alma. Sendo assim, caso o preparo e a constituição de um alimento não estejam de acordo com os princípios da Torah, isso está diretamente associado à impureza espiritual. Tal conceito, porém é diferente do que chamaríamos de “certo ou errado”, pois para um servo do Eterno, toda comida não-kasher diminui a sensibilidade espiritual, prejudicando a capacidade de absorção dos mandamentos da Torah, pois o que o corpo ingere afeta a mente e a alma. Para que um alimento seja considerado Kasher, ele deve ser produzido, processado e preparado de acordo com as leis, que foram transmitidas de geração em geração ao longo de milênios. O principal objetivo dessas leis é promover a santidade e a pureza no ato de se alimentar, conectando os praticantes com sua fonte divina, O Todo Poderoso D’us.

“Porque eu, יהוה, sou aquele que vos tirei da terra do Egito para ser vosso D’us; sereis Kadoshim (separados), porque eu sou Kadosh (separado).”(Levítico 11:43)

Por isso, devemos tomar muito cuidado com a indústria alimentícia, o modo de produção e a procedência de cada ingrediente, uma vez que a comida adulterada prejudica não apenas a nossa saúde física, mas também a nossa alma. A Kashrut não é apenas uma regra básica sobre alimentação saudável, mas um processo de Teshuvah que ajuda a remover as manchas da alma, tornando-a pura e redirecionando-a ao seu Criador.

A Torah nos ensina que D’us soprou a Neshamá (alma) no corpo de Adão. O corpo de Adão era de terra, mas sua alma era um sopro Divino. É por isso que cada pessoa é capaz de se tornar um grande Tsadik (justo), porque nossas almas são fonte de santidade, do Próprio D’us. O pecado de Adão e Eva é por demais conhecido. Enquanto viviam no Jardim do Éden, tinham permissão para comer de todas as árvores, exceto da Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal. D’us previne Adão que a conseqüência de se violar a proibição seria a morte. Mas, a despeito do severo alerta, Eva se deixa seduzir pela serpente e partilha do fruto proibido, o qual, mais tarde, oferece ao marido e a todos os animais. Em decorrência disso, a morte é introduzida no mundo e Adão e Eva são banidos do Éden, pois mancharam as suas almas. Antes de incidir em pecado, a existência física do homem era pura santidade. Como nos ensina Rabi Shimon bar Yochai, autor do Zohar, até o mais espiritual dos seres humanos (exceto Yeshua) na História não consegue se equiparar à estatura espiritual de Adão. Ele nasceu para ser imortal e para viver livre de preocupações, esforços e sofrimentos. Sua missão consistia em tornar o Éden mais perfeito e poderoso para que tal perfeição e força pudessem estender-se por todo o mundo.

Ensinam os sábios do povo de D’us que Adão tinha inúmeros talentos e virtudes e privilégios. Era dotado de um altíssimo grau de sabedoria, compreensão e conhecimento. Apesar de sua alma divina estar dentro de um corpo físico, não era um homem como nós. Era um ser primariamente espiritual e mantinha uma ligação direta com D’us. Comunicava-se diretamente com o Criador, que lhe dava instruções e lhe passava ensinamentos, inclusive os segredos místicos do alfabeto hebraico e as mais profundas e ocultas revelações sobre a Criação e o universo. Todavia, todos esses privilégios foram perdidos após Adão manchar sua alma, pois ao seu respeito é dito:

“Todos os dias que Adão viveu totalizaram 930 anos; então ele morreu.”(Genesis 5:6)

D’us disse a Adão que ele podia comer qualquer fruta do jardim, exceto a fruta da Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal. Naquele tempo, a natureza de Adão era totalmente boa. A tendência para fazer algo errado (yetser hará) existia apenas fora dele. No entanto, ao insurgir-se contra a ordem de D’us, Adão internalizou e incorporou a inclinação de fazer coisas erradas, através da qual ele criou uma mistura entre o bom e o mal. Se por um ato (infeliz) de comer o fruto proibido Adão manchou a sua alma, por um ato de não comer, purificamos a nossa alma. A Kashrut não é apenas uma regra básica sobre alimentação saudável, mas um processo de Teshuvah que ajuda a remover as manchas da alma, tornando-a pura e redirecionando-a ao seu Criador. A obediência aos Mandamentos da Torah nos reconecta com a nossa fonte de vida, O Eterno. Inspirado pelo Ruach Hakodesh (Mover do Separado), David Ha’Melch (O rei David) escreveu:

“Os preceitos do Senhor são retos e alegram o coração” (Salmo 19:8a Tradução convencional: ACF, ARA, NVI, NVT entre outras)

Lendo apartir de uma tradução (pobre), não conseguimos extrair a essência do texto original.

תורת יהוה תמימה משיבת נפש

Torat Adonay T’mimah M’shivat Nefesh

A Torah (instrução) do Eterno é perfeita e retorna a alma(Salmo 19:8a)

A observância à Torah e as Mitsvot faz a alma retornar ao seu Criador, O Santo Bendito Seja Ele.

Yom Ha’Kipurim – O dia das expiações “das almas”

Yom Kipur é o Dia da Expiação, sobre o qual declara a Torah: “No décimo dia do sétimo mês afligiras tua alma e não trabalharás, pois neste dia, a expiação será feita para te purificar; perante D’us serás purificado de todos teus pecados.” Esclarecendo a natureza de Yom Kipur, o Rambam escreve: “É o dia de arrependimento para todos, para o indivíduo e para a comunidade; é o tempo do perdão para Israel. Por isso todos são obrigados a se arrepender e a confessar os erros em Yom Kipur.” A expiação obtida através de Yom Kipur é muito mais elevada que aquela conseguida através do arrependimento, pois neste dia os judeus e D’us são apenas um. O judeu une-se com D’us para revelar um vínculo intocável pelo pecado, sem obstáculos. Teshuvah, o retorno do judeu ao bom caminho, não está restrito apenas a Yom Kipur. Há muitas outras épocas que são propícias para que isto ocorra, e na verdade, um judeu pode, e deve, ficar em estado de reflexão (Teshuvah), alerta e arrependimento todos os dias do ano. (Observação: o Judeu aqui inclui os enxertados na oliveira que é Israel).

A expiação em Yom HaKippurim não é meramente a remissão da punição pelo pecado; significa também que a alma de uma pessoa é purificada das máculas causadas pelo pecado. Além disso, não apenas nenhuma impressão das transgressões permanece, como as transgressões são transformadas em méritos. Que isto possa ser atingido através de Teshuvah é compreensível; a pessoa sente genuíno remorso pelas falhas cometidas erradicando o prazer que extraiu dos pecados. Sua alma é então purificada. O próprio pecado deve ser visualizado como uma “contribuição” ao processo de Teshuvah. Uma transgressão separa a pessoa de D’us. O sentimento de ser afastado de D’us age como um lembrete para o retorno, para estabelecer um vínculo mais intenso com o Criador. A expiação, como dizemos, significa a purificação das manchas da alma. Portanto, o processo de Teshuvah é uma constante busca pela purificação da alma, seja do justo ou do ímpio.

Na última prece do serviço em Yom HaKippurim, Ne’ilah, o quinto e mais elevado nível da alma (Yechidá) é revelado, um nível que é a quintessência da alma. “Ne’ilah” significa “trancar”, indicando que naquela hora as pessoas estão trancados sozinhas com D’us. A essência de uma pessoa é mesclada e unida à essência de D’us. É quando a centelha do Eterno que habita em nós, se conecta com o Todo Poderoso D’us. Teshuvah pode erradicar o pecado e as manchas na alma; Yom Kipur transcende inteiramente o conceito de pecado e arrependimento – e por isso traz uma expiação mais elevada que em qualquer outra época.

Conclusão

A Teshuvah é um processo poderoso e transformador, que envolve não apenas arrependimento, mas também ação e renovação de vida. Yeshua nos convida a uma vida de introspecção, arrependimento sincero e transformação contínua, com uma ênfase no amor e na retificação das relações tanto com D’us quanto com os outros. O caminho da Teshuvah não é apenas uma correção superficial, mas um profundo processo de retorno à nossa verdadeira essência e à conexão com o Eterno.

Teshuvah é o processo de purificação da alma, uma vez manchada pela falha do nosso pai Adão, mas purificada pelo precioso sangue de Yeshua O Filho de D’us.

“Mas se andarmos na luz, como Ele está na luz, temos comunhão uns com os outros, e o sangue de Yeshua, seu Filho, nos purifica de todos os nossos pecados.”(1 João 1:7)

Abençoado Seja O Eterno


Comentários

Uma resposta para “Teshuvah – O Retorno da Alma”

  1. […] Saiba mais sobre Kashrut e a alma clicando aqui […]

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