Por que doze Apóstolos?

Por que doze Apóstolos ?

Shalom! Bem vindos ao nosso blog. Hoje, trazemos um estudo bem especial para vocês. Abordaremos o principal motivo pelo qual Yeshua escolheu doze Sh’lichim (apóstolos).

Os doze Sh’lichim (apóstolos) de Yeshua, O Ungido, pregavam as B’ssorot Tovot (Boas Notícias) ou, evangelho como é difundido no meio cristão. Esses homens vinham de origens diferentes, alguns eram pescadores, outro era coletor de impostos, outro era um zelote. Mas, todos tinham algo em comum: eram corajosos e deram suas vidas pela Emunah (fé).

Quase um ano e meio se passou desde que Yochanan (João) o imersor, apresentou Yeshua como o Cordeiro de D’us que tira o pecado do mundo. Quando Yeshua começou seu ministério, alguns homens sinceros se tornaram seus talmidim (discípulos). Com o tempo, muitos outros se juntaram ao Ungido de D’us, aumentando assim, o seu número de alunos. Agora Yeshua está pronto para escolher seus Sh’lichim (apóstolos). Esses trabalharão bem de perto com ele, recebendo um treinamento especial. Mas antes de escolhe-los, Yeshua sobe até um monte, talvez perto do mar da Galileia, próximo de Cafarnaum. Ele passa uma noite toda orando a D’us. No dia seguinte, ele chama seus discípulos e escolhe dentre eles 12 como seus apóstolos. A oração era fundamental na vida de Yeshua. Ele orava a noite toda antes de tomar uma decisão importante como essa. Muitas vezes, Yeshua nem tinha tempo para orar durante o dia, então levantava-se bem cedo ou ficava acordado até tarde para poder orar. Se, mesmo sendo O Filho de D’us, Yeshua cria na importância da oração o bastante para passar noites de sono orando, a oração deve ser uma prioridade para nós.

Yeshua orando antes de escolher os seus doze apostolos

12 E aconteceu que naqueles dias subiu ao monte a orar, e passou a noite em oração a Deus.13 E, quando já era dia, chamou a si os seus discípulos, e escolheu doze deles, a quem também deu o nome de apóstolos:14 Simão, ao qual também chamou Pedro, e André, seu irmão; Tiago e João; Filipe e Bartolomeu;15 Mateus e Tomé; Tiago, filho de Alfeu, e Simão, chamado Zelote;16 E Judas, irmão de Tiago, e Judas Iscariotes, que foi o traidor.(Lucas 6:12-16)

A maioria dos apóstolos era da região de Cafarnaum, desprezada pela sociedade judaica e conhecida, em realidade, como “Galileia dos gentios”. Não obstante, Yeshua fez desses doze homens rashím (líderes) vigorosos e porta-vozes capaz de transmitir com clareza a fé Judaica no Ungido de D’us. O sucesso que eles alcançaram dá testemunho do poder transformador do Senhorio de Yeshua. Após a morte e Ressurreição de Yeshua, os apóstolos se tornaram os rashím (líderes) da kehilah (congregação) primitiva, ensinando o que tinham aprendido com Yeshua e criando uma base sólida para o crescimento da congregação (Atos 9:31), com testemunhos dos milagres, da misericórdia de Yeshua bem como os seus ensinamentos da Torah. Hoje, essa congregação é chamada Messiânica/Nazarena, já que carrega consigo a missão de levar Yeshua, O Messias Nazareno ao mundo.

Por que doze apóstolos ?

Embora Yeshua fosse acompanhado por um grupo mais amplo de discípulos, Ele escolheu exatamente doze homens, nem mais, nem menos, para desempenharem um papel fundamental na proclamação da sua mensagem. Esse fato faz com que muita gente fique curiosa sobre o porquê de Ele ter escolhido justamente doze apóstolos. Não poderia ter sido onze ? Ou treze ? Por que doze ? Estudos acadêmicos apontam que em primeiro lugar, evidentemente a escolha do número de doze apóstolos está relacionada à história de Israel no “Antigo Testamento”. O povo escolhido por D’us para receber sua revelação especial e servir como meio pelo qual O Ungido Yeshua haveria de vir ao mundo, tinha doze patriarcas. Desses doze patriarcas surgiram as doze tribos de Israel. Assim, toda a nação estava formada e organizada sob essas doze tribos. Essa interpretação cristã é coerente e unanimemente aceita por aqueles que lêem a Bíblia, em especial o “Novo Testamento”. Todavia, esses estudos acadêmicos cristãos cometem no mínimo uma grande injustiça acompanhado de antissemitismo. Isso ocorre quando na continuidade errônea de interpretação sobre a escolha dos doze apóstolos, eles ensinam que em segundo lugar, ao escolher doze apóstolos, Yeshua estava pensando no “novo Israel”, que segundo a teologia sistemática do Novo Testamento, é a igreja. Assim como o antigo Israel tinha doze tribos e doze patriarcas, o “novo Israel” deveria ter doze apóstolos. Mas diferentemente do antigo Israel em que a relação especial de D’us estava restrita, o “novo Israel” agora congrega pessoas de todas as nações, substituindo o povo judeu. (Saiba mais em: A falaciosa Teologia da Substituição).

O termo grego apóstolos, está interinamente arraigado a falsa ideia da teologia da substituição. Apóstolos (απόστολος) é a junção de duas palavras: Apó (από) originalmente é uma preposição que significa para fora, longe. E Stolos (στολος) que significa enviar, expedir. Portanto, o termo grego apóstolos significa: Enviar para fora. Isso entra em contraste com a ordem inicial de Yeshua aos seus Sh’lichim (Enviados):

“Yeshua enviou estes doze, e lhes ordenou, dizendo: Não ireis pelo caminho dos gentios, nem entrareis em cidade de samaritanos; Mas ide antes às ovelhas perdidas da casa de Israel”(Mateus 10:5-6)

Óbvio que a mensagem de Yeshua também alcançou os gentios, porém esse é tema para outro estudo.

Doze tribos, doze juízes, doze apóstolos.

Em um momento de conversa com seus Sh’lichim, Yeshua lhes revelou uma promessa que com certeza os deixou maravilhados. Ele disse que, na regeneração de todas as coisas, quando o Filho do homem se assentar em seu trono glorioso, eles também se assentarão em doze tronos para julgar as doze tribos de Israel.

“Yeshua disse-lhes: Em verdade vos digo que, quanto a vós que me seguistes, quando o Filho do homem se assentar no trono da sua glória, no novo mundo, também vós vos assentareis em doze assentos e julgareis as doze tribos de Israel”.(Mateus 19:28)

Essa promessa de Yeshua tem um significado profundo, ela revela que a regeneração de todas as coisas é um evento futuro em que D’us renovará e restaurará toda a criação, eliminando o mal, a dor e a morte. Esse evento está ligado à volta de Yeshua, quando ele se assentará em seu trono glorioso e reinará para todos sempre. A promessa de Yeshua aos seus Sh’lichim indica que eles terão um papel importante no Olham Habá (Mundo Vindouro). Eles serão colocados em posições de autoridade e responsabilidade, julgando as doze tribos de Israel. Isso significa que os Sh’lichim serão reconhecidos como líderes e justos juízes, cheios de justiça e verdade. Essa promessa não foi meramente inventada por Yeshua. Conhecedor das escrituras, Yeshua está citando uma profecia que terá seu cumprimento na vida dos Sh’lichim no Mundo Vindouro. Sobre essa promessa, o Doutor David H Stern comenta o seguinte:

“O Tanach fala de um mundo regenerado em Isaías 1:25-2.5, 11:1-16, Jeremias 23:3-8, Miquéias 4:1-5,3. A literatura rabínica fala a respeito do Olham Habá (“Mundo” ou “era Vindoura”) e descreve seu tempo e caráter em lugares como o Talmud, assim como em Senhedrin 96-99. Este é um versículo importante do Novo Testamento, que confirma as promessas de D’us para a nação de Israel. Ver ainda Isaías 1:26: “E te resrituirei os teus juízes.” Veja também Ezequiel 48, e Isaías 9:5-6(6-7). Este versículo da uma razão para escolher 12 emissários e manter este número (At1:15-26); compare também com o Rv21:10-13?4.

O Rosh (líder) da congregação B’nei Or, Tsadok Ben Derech, em sua obra Peshitta, o novo testemunho aramaico, traz um comentário na nota de roda pé número 522: “O verso 28 confirma a promessa de YHWH em Is 1:26, inclusive consta da oração da Amidá o pedido para a restauração dos juízes como nos tempos antigos. Este é o motivo da escolha dos doze Sh’lichim e da manutenção deste número (Mt 10:2-4; At 1:16-26).

Para entendermos melhor esses comentários, precisamos voltar ao passado, voltar a Era dos Juízes. O nome “Era dos Juízes” faz referência à organização política do território, onde cada tribo era governada por um juiz, um líder militar que julgava tudo. Embora houvesse um juiz para cada tribo, Moshê continuava como o grande líder do povo, que mais tarde foi liderado por Yehoshua. Após a morte de Yehoshua, não houve um sucessor em Israel, pelo menos não nos mesmos moldes de sua liderança e da liderança de Moshê, antes dele. A escritura diz que durante os dias de Yehoshua, e também durante todos os dias dos anciãos que ainda sobreviveram depois dele, os israelitas serviram ao Eterno, e contemplaram toda a grande obra que Ele havia feito a Israel (Juízes 2:7)

No entanto, a referência dos anciãos como sucessores de Yehoshua diante de Israel, não durou muito. O relato bíblico conta que aquela geração morreu, e outra geração se levantou em seu lugar. O problema é que a nova geração não conhecia Adonay, e nem se atentou a tudo o que Ele havia feito aos seus antepassados. É assim que a Escritura diz que os filhos de Israel fizeram o que era mau aos olhos do Eterno, e praticaram a idolatria servindo aos falsos deuses após as mortes de Yehoshua e dos anciãos (Juízes 2:10-11). Os israelitas abandonaram Adonay, a passaram a servir a Baal e a Astarote, provocando a ira divina sobre eles.

Por causa do pecado de Israel, D’us entregou aquele povo na mão de povos estrangeiros. Esses povos espoliaram e despojaram os israelitas. Nesse tempo os filhos de Israel sofreram muito, pois onde quer que fossem a mão do Eterno era contra eles (Juízes 2:15). Mas diante da aflição do povo, Adonay se compadeceu e ouviu o clamor de Israel. Em resposta a isso, Ele levantou juízes que livraram os israelitas das mãos de seus opressores. Foi na pessoa do primeiro juiz, Otoniel, que surgiu a figura de um sucessor de Yehoshua, no sentido de haver um líder principal sobre as tribos israelitas. No entanto, como já foi dito, a liderança dos juízes não era exatamente do mesmo tipo da liderança de Yehoshua.

Último entre os juízes de Israel, Sh’muel (Samuel) liderou a nação com justiça, restituindo-lhe a antiga eminência. Homem justo, inspirava admiração e respeito em todos a sua volta e nunca permitiu que o poder o corrompesse. Tampouco fez uso indigno de sua posição de autoridade. Poucas figuras bíblicas receberam o louvor a ele atribuído – era homem bom frente a seus semelhantes e frente a D’us. O Midrash não poupa palavras para descreve-lo, dando ênfase especial ao fato de ser amado e unanimemente respeitado, além de ter absoluta integridade. Relata como nunca obteve benefício algum decorrente de sua posição. Homem rico, nunca aceitou pagamento de ninguém; e, quando viajava, sempre levava sua própria tenda e os suprimentos para se manter, pois se recusava terminantemente a aceitar presentes. Além do mais, procurava reduzir ao mínimo os custos dos julgamentos. Mas, suas contínuas viagens acabaram por desgasta-lo. Quando já não consegue ir aos quatro cantos de Israel, delega a seus dois filhos os poderes de ajuizar sobre Israel. Infelizmente, nenhum dos dois demonstra a mesma solidez de caráter do íntegro Sh’muel. Os textos bíblicos fazem severo julgamento de sua atuação.

No décimo ano da atuação de Sh’muel como Juiz de seu povo, os anciãos vão até ele pedindo um rei para Israel. Dizem-lhe:

“Eis que estás velho e teus filhos não andam por teus caminhos. Dá-nos um rei para que nos julgue e governe. Assim seremos como as demais nações”. (1 Samuel 8:5)

A exigência de um rei decepcionou e desagradou o profeta, pois Israel já tinha seu rei: D’us, e somente Ele é Rei de Israel. A Ele devemos obediência. Sem saber o que fazer, Sh’muel pede a D’us orientação em suas ações, expressando sua frustração. O Eterno lhe diz que o povo não buscava um substituto para o profeta, mas para Ele:

“Não é a ti que rejeitaram, mas a Mim. Não Me querem reinando sobre eles”. (1 Samuel 8:7)

Israel pedia um rei, como as outras nações, pois se haviam cansado de ser um povo diferente, cujo único Rei e Mandatário era D’us, Melech Malchei ha-Melachim, Rei sobre todos os Reis.

Entendendo a profecia (Isaías 1:26)

Como vimos nos comentários do Doutor David H Stern, e do Rosh Tsadok Ben Derech, a promessa de Yeshua aos seus Sh’lichim, está conectada com a profecia de Yeshayahu (Isaías) que diz:

“Eu restaurarei os teus juízes como no princípio, E seus conselheiros como no princípio .Depois disso você será chamado Cidade da Justiça, Cidade Fiel.”(Isaías 1:26)

Os sábios talmúdicos ensinam que essa profecia será cumprida com o “kibutz Galuiot” (reunião dos exilados) onde todo o povo judeu será reunidos na terra de Israel. Sabemos que esse grande evento acontecerá na volta de Yeshua. No Talmud, em Meguilá 17b:16, os sábios explicam a profecia:

A Gemara pergunta: E por que eles acharam adequado instituir que se diga a bênção da reunião dos exilados após a bênção dos anos? Como está escrito: “E vós, ó montes de Israel , brotareis os vossos ramos, e dareis o vosso fruto ao Meu povo Israel ; porque eles logo virão” ( Ezequiel 36:8 ), o que indica que a reunião dos exilados seguirá após Eretz Yisrael ser abençoada com abundante produção. E uma vez que os exilados tenham sido reunidos, o julgamento será aplicado aos ímpios, como está declarado: “E voltarei a minha mão contra vós e purificarei as vossas escórias como com lixívia” ( Isaías 1:25 ), e imediatamente depois está escrito: “E restaurarei os vossos juízes como no princípio” ( Isaías 1:26 ). Por esta razão, a bênção da restauração dos juízes vem após a bênção da reunião dos exilados.

Exilado na ilha chamada Patmos, Yochanan recebeu a revelação dos últimos dias. Em um momento da visão, Yochanan descreve a cidade celestial, a Nova Jerusalém, que desce do céu. Nessa cidade, a muralha tinha doze fundamentos, e neles estavam os nomes dos doze Sh’lichim do Cordeiro de D’us (Apocalipse 21:14). Esses fundamentos são os ensinamentos dos Sh’lichim que eles aprenderam com Yeshua. Esses ensinamentos não são outros além da Torah do Eterno. Yochanan ver exatamente a promessa se cumprindo.

Agora ficou claro o principal motivo pela qual Yeshua escolheu doze, nem onze nem treze, mas doze Sh’lichim (Emissários), para que no futuro, no kibutz galuiot, no Olham Habá essa profecia seja cumprida.

Abençoado seja O Eterno


Comentários

Uma resposta para “Por que doze Apóstolos?”

  1. Avatar de Aryeh Yossef
    Aryeh Yossef

    Maravilhoso e profundo estudo
    Obrigado pelo seu tempo em de debruçar e trazer este maravilhoso ensino no seu contexto original.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *