
Dando continuidade a parasha Chayey Sarah (Vida de Sarah). Na parte 2 vamos abordar sobre a necessidade de dar continuidade na vida (seguir em frente) após a perda de um ente querido, seja pai; seja mãe, a vida precisa continuar. Como estudamos anteriormente, após a morte de Sarah a presença divina se afastou do lar / tenda, fazendo com avraham.
“Sara morreu em Quiriate-Arba, hoje Hebrom, na terra de Canaã; e Abraão começou a lamentar e a lamentar Sara“. Gn 23:2

Perceba na palavra hebraica וְלִבְכֹּתָֽהּ Veliv’kotah marcada acima e na letra כֹּ Kaf que aparece com uma anomalia (escrita menor que as demais). Essa palavra significa chorar / lamentar, escrita dessa forma nos leva a crer que Avraham precisou conter seu sofrimento. Após uma possivel perda do filho que por si só causaria um grande abalo emocional, logo em seguida sua amada morre. Realmente não é para qualquer um! Foi preciso ter cabeça para negociar a compra do local de sepultamento, se manter firme, que é o papel que um homem normalmente deve ter. O homem é a figura da familia que serve também para passar segurança, confiança, que resolve problemas quando surge e que em determinados momentos precisa transparecer forte ainda que o coração esteja quebrado.
“E disse Abraão ao seu servo, o mais velho da casa, que tinha o governo sobre tudo o que possuía: Põe agora a tua mão debaixo da minha coxa“, para que eu te faça jurar pelo SENHOR Deus dos céus e Deus da terra, que não tomarás para meu filho mulher das filhas dos cananeus no meio dos quais eu habito. Gn 24:2

Que servo era esse? O mesmo servo אֱלִיעֶזֶר Eliezer mencionado em Gênesis 15:2 como o herdeiro da casa de Abraão antes do nascimento de Isaque.
Uma promessa e missão: Encontrar uma esposa para Isaque.
Qual era o objetivo? Um dos objetivo principal era garantir a continuidade da linhagem prometida por D’us a Abraão e garantir que Isaque tivesse uma companheira que pudesse que fosse de fato uma mulher exemplo de boa indole e claro que traria elevação espiritual para a tenda de seu lar. Levando em consideração, que Avraham só casou novamente após o seu filho Isaque adquirir uma esposa, mostrando assim o respeito e preocupação em passar o cetro da liderança de fato para seu filho.
Porque que Eliezer? No cap 24:2 é descrito como o mais velho da casa (o mais antigo dos servos) que tinha governo/controle/liderança sobre tudo que possuía, ou seja, esposa, filhos, bens materias e espiritual. Uma pessoa que governa bem o seu próprio lar e tem controle em suas finanças é sim uma pessoa certa a dar certas responsabilidades. Inclusive, dentro da Brit Chadasha (Novo Testamento) um dos parâmetros para se tornar um lider dentro da igreja [congregação] é justamente ser casado com pelo menos uma esposa e saber ser um chefe dentro de sua casa primeiramente. E obvio, que Avraham confiava, seu servo era leal, o ajudou a multiplicar suas riquezas com gados, agriculturas etc… Ninguém faz nada nessa vida sozinho, sempre dependemos de algo (Primeiramente de D’us).
E porque fazer um juramento com a mão sobre a coxa de Avraham? Eu sei que os cristão costumam simplificar a interpretação e até mesmo por falta de conhecimento ou negação do obvio entendem que a coxa seria um sinal de submissão, entre o servo e o mestre.
Para resumir essa parte, tem alguns rabinos que defende a ideia de que a Torah relatou dessa forma para amenizar o teor da mensagem, que na verdade o servo colocou a mão nas partes íntimas (na cicuncisão) pois fisicamente era o que se teria de mais sagrado para se jurar (não existia um sefer Torah escrito por exemplo, que serviria e como até hoje serve como um meio de juramento para atestar a veracidade da palavra). Em muito se dá a cerca desse entendimento as traduções do Targum, e interpretação dentro do Talmud.
Targum Jerusalém, Gênesis 24:2: Então disse Abraão ao seu servo, o príncipe que tinha domínio sobre tudo o que era seu: Põe agora a tua mão debaixo da coxa da minha aliança.
Targum Jonathan sobre Gênesis 24:2: Então disse Abraão a Eliézer, seu servo, o mais velho da sua casa, que tinha autoridade sobre todos os seus bens: Põe agora a tua mão sobre a parte da minha circuncisão.
Talmud Shevuot 38b:22: Instruindo seu servo a segurar seu pênis circuncidado, que é considerado sagrado até certo ponto, assim também, em juramentos administrados pela corte, deve-se segurar um item sagrado em sua mão ao fazer o juramento.
Eu sei que parece estranho a primeiro momento, mas deixa eu explicar uma coisa. No mundo antigo, principalmente Avraham e todos os que estavam com ele, não havia uma preocupação ou suspeita da masculinidade de alguém, o mundo não estava corrompido da forma que é hoje. Hoje, se um homem falar que o sapato ou a sandália de outro homem é bonita, já é suficiente para haver um mal julgamento. E claro, hoje, de fato, o mundo jaz no maligno e estar perdendo ou perdeu as raizes da pureza de outrora. O que quero dizer, é que em se tratando de Avraham e seus servos (que todos eram tementes a D’us) não podemos pensar nada contrario a natureza santa e justa dos mesmo. A mensagem principal entre as interpretações dos rabinos, do targum e talmud é apontar pelo fato que o juramento foi feito sobre “não em” a circuncisão para o Eterno. Porque isso? todos os homens tinham feito a Brit Milah, foi algo que conseguiram por meio da dor, por amor ao Eterno, que enxertou todos dentro da aliança dada para Avraham e seus descendentes e os “britados” e seus descendentes. Então era algo que eles amavam. Veja um midrash abaixo do mesmo assunto:
Midrash Bereshit Rabá 59:8 Perto do local da circuncisão. porque [o preceito da circuncisão] foi dado a eles através da dor, é por isso que era amado por eles, e eles fariam um juramento somente por isso.
O midrash acima trás a explicação que ao meu ver é a melhor, porque devemos levar em consideração primeiramente o que tá escrito no peshat (simples). Então, uma mão DEBAIXO da coxa, seria de fato o lugar mais próximo da Brit milah, mais próximo da santidade, local que simboliza não apenas uma aliança, mas uma aliança para as gerações futuras. Quebrar um pacto/juramento feito pela circuncisão, implicaria em amaldiçoar a geração futura de quem jurou.
Porque eles amavam tanto a Brit Milah?
“Porque sabiam que isso salvaria seus filhos de Gehinnom no mundo vindouro” Midrash Tanchuma Buber, Chayei Sara 6:6
E esse tipo de Juramento era costume no mundo antigo pessoa, vamos ver por exemplo em Gn 47:29 Ysrael repetindo a mesma situação: Chamando seu filho Yosef [José] para jurar com a mão na coxa. É a mesma palavra que aparece no caso de Avraham יְרֵכִי yerechi [Coxa ou Lombo].
Todas as almas que vieram com Jacó ao Egito, que saíram da sua coxa, fora as mulheres dos filhos de Jacó, todas foram sessenta e seis almas. Gn 46:26
Aqui a biblia faz uso simbolico indicando que os filhos saiam da coxa do pai. É apenas uma expressão. “Sob a coxa” é um eufemismo de juramento feito sobre algo sagrado. Por exemplo: “vou num pé e volto no outro”, expressão idiomática.
O literal mesmo é mão debaixo da coxa!
Elieser na busca da noiva
“E o servo tomou dez camelos, dos camelos do seu senhor, e partiu, pois que toda a fazenda de seu senhor estava em sua mão, e levantou-se e partiu para Mesopotâmia, para a cidade de Nachor” Gn 24:10
Dez camelos - Guardem essa informação
E fez ajoelhar os camelos fora da cidade, junto a um poço de água, pela tarde ao tempo que as moças saíam a tirar água. Gn 24:11

Chegando ao poço, ele ora a D’us, pedindo um sinal claro para identificar a mulher certa. Ele pede que a futura esposa de Isaque seja alguém que ofereça água para ele e para seus camelos, demonstrando bondade e generosidade. Rebeca aparece. Sua atitude imediata de oferecer água para Eliezer e seus camelos confirma que ela é a escolha certa. O Midrash Rabbah ressalta que Rebeca não apenas cumpre o sinal pedido por Eliezer, mas o faz com entusiasmo e diligência, mostrando que a bondade era parte integral de seu caráter.
Será que a sorte cai do céu? Sabemos que não
Ela é resultante de um poderoso sistema de atração: Você colhe as sementes que planta. E, quanto mais você doa ao mundo, mais o mundo responde favoravelmente a você, trata-se de um princípio universal. Eliezer, um homem bom, em seu camelo encontrou uma moça formosa, educada e generosa a ponto de oferecer água da fonte não só para ele, mas também para seus camelos. a palavra “camelo”, do hebraico “Gamal”, pode ser lida também como “Guimel” (terceira letra do alfabeto ג). Cada letra hebraica possui um significado associado e guimel representa o compartilhar.
Isaque estava orando, em meditação no campo, quando avistou o servo retornando com sua nova esposa. Enquanto os olhos de Isaque e Rebeca se encontravam, nascia um novo amor. Ou seja, compartilhar encontra compartilhar e benevolência encontra benevolência.
Foi por isso que Eliezer, um homem bom, encontrou uma moça formosa, educada e generosa a ponto de oferecer água da fonte não só para ele, mas também para seus camelos. O servo generoso que viaja com camelos, a moça que oferece água também para os animais, tudo isso simboliza o estado de doação que atrai as maiores bênçãos (Casamento entre o filho da promessa). Quando compreendemos nossa participação nas ações do mundo em nossa realidade, grandes bençãos hão de chegar até nós, cada um tem sua parcela de culpa no Tikun Olam. Portanto busquem sempre fazer o bem para atrair/colher coisas boas, quanto mais reclamamos da vida, mais motivos vamos ter para reclamar, quanto mais agrademos, mais motivo teremos para a gratidão.
Vamos ver refletir essa gratidão (que é algo que devemos sempre ser – Gratos a D’us) no servo, quando buscava por uma nova matriarca, levava consigo presentes, porém, jamais esquecia de reconhecer que D’us foi o provedor de tudo.
“Então inclinou-se aquele varão, e adorou ao SENHOR” Gn 24:26
“O eterno tem me abençoado muito” Gn 24:35
Elieser, um servo benevolente, grato, encontrou a benevolente Rebeca que agiu com bondade, se tornando a guardiã da presença (Ruach hakodesh).
Todo o restante da história já sabemos. Isaque e Rebeca se tornaram um casal lindo, tementes a D’us, que foram felizes até o fim de suas vidas, e carregaram o legado dado primeiramente a Avraham seu pai. Obs: Leia toda a parasha em sua biblia!
(Vamos adentrar a partir de agora no PARDES e tentar compreender ainda mais essa fascinante história em forma espiritual)
Avraham representa a fig. do Pai “Hashem”, Elieser o “Ruach”, Isaque “Yeshua” e Rebeca “Israel ou a congregação de Israel”
Elieser com a mesma vontade/mover de Avraham, na busca de achar na “terra” uma noiva digna e que aceitasse se casar com seu filho. Os 10 camelos podem faz alusão aos 10 Mandamentos (Asseret HaDibrot), que são os pilares da aliança entre Deus e Israel. Sendo assim, Elieser ofereceu a Torah para a noiva! E junto com esses camelos, foram levados presentes (adornos) e entregues para a noiva se embelezar. Esses adornos representam as nações, os estrangeiros, os gentios, que habitam, ou seja, que está na noiva “Israel” também pode representar os dons do Ruach. É um dom do ruach “espirito” por exemplo: Deixamos de fazer algo, deixarmos de comer algo e de certa forma dificultar nossas vidas por amor a Torah, por amor a Hashem.
A gematria do nome Elieser אליעזר é 318, somados os valores 3+1+8 vamos obter o valor de 12, simbolizando as 12 tribos de Israel ou/e os 12 apóstolos. Eliezer, como o servo fiel, prefigura o papel do Espírito Santo (Ruach Hakodesh) que guia a congregação ao noivo Mashiach.
A ato de Rebeca de oferecer água ao servo e aos camelos reflete a missão da congregação em servir e ser fonte de água viva , como mencionado em João 4:14 e a Torah é chamada de água viva nas escrituras. Então, Eliezer para justamente no poço e justamente nesse local que Rebeca iria extrair a agua, ou seja, a Torah. A congregação de Israel deve guardar mandamento por completo, pois, a lei não foi dada apenas para Israel, mas para todos na congregação / Kehilat como mencionado na parasha Nitsavim. Então, esse poço que foi o ponto de conexão entre o ruach e a noiva é uma referência ao poço de salvação (Isaías 12:3)
Em Efésios 5:25-27: Paulo descreve a relação entre Mashiach e a “Igreja” como a de um noivo com sua noiva. Isaque esperava por sua noiva no campo, assim como Yeshua espera pela “Igreja”.
Isaque foi quase sacrificado no monte Moriá Gênesis 22, assim como Yeshua foi crucificado. Seu casamento com Rebeca é uma sombra do casamento (para o futuro) do Cordeiro Apocalipse 19:7-9.
Isaque é o filho da promessa, gerado de forma milagrosa, Yeshua é o prometido que também nasceu de forma milagrosa.
Ela [Rebeca] responde prontamente ao chamado Gênesis 24:58, da mesma forma, Israel aceitou a Torah prontamente “Faremos e ouviremos” Deuteronômio 5:27, a “Igreja” responde e aceita as boas novas e seu Mashiach Yeshua.
יצחק Itzchak (Isaque) tem valor de 208, 2+0+8 = 10. Isaque representa a plenitude dos mandamentos. Yeshua Hamashia é a plenitude da divindade, as 10 sefirot, e sendo ele o objetivo da lei “fim da lei” que é seus passos que devemos seguir.
A soma total de Itzchack + Rivkah יצחק + רבקה é 515, que é o mesmo valor da palavra tefilah תפלה “oração”. Nos indicando que a união “casamento” entre Yeshua e a igreja é espiritualmente fundamentada na oração e comunhão com D’us.
A Torah foi oferecida em casamento para Israel no deserto e eles prontamente aceitaram, se casando com Hashem e recebendo os papéis de garantia desse casamento que são as 2 tábuas da lei ou 10 mandamentos.
Para finalizar
Avraham volta a se casar novamente, gera outros filhos. Morre aos 175 anos numa boa velhice, sendo enterrado por Deus filhos Isaque e Ismael – E aqui vale uma observação: Muitos pensam que Ismael e Isaque eram inimigos e que travavam guerras desde sempre, porém os sábios ensinam diferente “eles se gostavam e se davam bem”, mas isso é estudo para outro momento. Rapidamente a Torah relata também a morte e Ismael aos 137 anos.
Então esse é um pequeno resumo da parasha Chayey Sarah parte 2. Espero que tenham gostado e que o Eterno derrame chuvas de bençãos em vossas vidas. Amén!


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