Parashá Bereshit – No Princípio – Parte 2

Shalom…

Hoje, daremos continuidade ao estudo da Parasha Bereshit. Na primeira parte tivemos um estudo introdutório, onde explicamos o conceito do Tzimtzum sobre a Criação. Vimos também alguns propósitos da Criação. Seguindo com o estudo, hoje iremos “detalhar” o relato da Criação.

(Veja também: Bereshit parte 1)

ENTENDENDO O PASSADO – COMPREENDENDO O FUTURO PARTE 2DETALHES DA CRIAÇÃO

Bereshit – O princípio dos princípios

בראשית ברא אלהים את השמים ואת הארץ

Bereshit Bará Elohim Et HaShamayim V’et HaAretz

Em (“No”) Princípio Criou D’us os Céus e a Terra(Gn 1:1)

A maioria das traduções bíblicas traduzem a primeira palavra da Torah como “No Princípio”. E realmente, essa seria uma boa tradução para o termo “Bereshit”. Porém, muitos estudiosos da Torah notaram, e há quase dois mil anos vem notando, uma inconsistência gramatical na abertura da Torah, e sugerem que a palavra mais adequada para passar esse sentido da tradução tradicional, “No princípio criou D’us os céus e a terra”, seria o termo “Barishoná”, “no princípio” (que aparece mais de 20 vezes no Tanach), e não “bereshit” (no princípio de…). Essa simples e pequena mudança gramatical é o suficiente para modificar o significado de “no princípio” para “no princípio de…”, pois faz com que a palavra “bereshit” esteja na forma construta, dando posse.

Há um texto bíblico no livro do Profeta Jeremias, capítulo 26, verso 1, que mostra o uso da palavra Bereshit, como “No princípio de…”:

בְּרֵאשִׁית מַמְלְכוּת יְהוֹיָקִים בֶּן-יֹאשִׁיָּהוּ

Bereshit mamlechut Yehoyaqiym ben Yoshiyyahu…

No princípio do reinado de Jeoiaquim, filho de Josias

Assim, em Jeremias, o termo Bereshit faz sentido, mas quando no Gênesis 1:1, temos que nos perguntar: “no princípio de… que”?

O que a Torah quer nos ensinar com essa aparente desconexão da gramática hebraica? Qual é a mensagem embutida nesse “possível erro” de escrita?

Bereshit” é uma palavra estranha, e, até onde vai o nosso conhecimento, um caso único no Tanach. Mas “estranhamente”, há uma explicação para essa construção gramatical. De fato, é proposital que esteja dessa forma, pois um caso construto que não se conecta às palavras seguintes, deve se conectar consigo mesmo (uma reflexão). Assim, “bereshit”, na verdade, pede uma leitura refletiva, que volta a si mesma, “bereshit”, “no princípio”, voltando a si mesma, e causando um efeito superlativo, “no princípio dos princípios” ou “no mais absoluto princípio”.

E o que isso teria a ver com a história da Criação? Por que isso nos interessaria?

Um acontecimento sem igual, um acontecimento que não há nada que chegue perto de se assemelhar em toda a história da existência: D’us, a partir DO NADA traz o Universo à Existência! Uma palavra excepcional, expressa o conceito excepcional de um Princípio Absoluto, um início que vem de um “nada”. O início do tempo, do espaço, da matéria e da energia. O princípio da existência de todas as coisas, um ponto que está muito, muito além da compreensão humana. É por isso que a primeira palavra da Torah não pode se conectar ao restante de sua frase, pois quando foi proferida, ainda não existia o “restante”. Isso é algo que fala não apenas do universo ter um ponto de partida, mas de que D’us é esse ponto de partida. E esse fato de que D’us é o Criador do universo, faz com que seja impossível a total compreensão e o entendimento dos processos que estiveram envolvidos antes e até mesmo durante a criação deste universo.

Toda a perfeição que vemos, seja no mundo astrofísico, no vegetal, no animal e seus arranjos e auto-complementos expressam a capacidade ímpar da mente de quem os criou.

“Os céus declaram a glória de Deus e o firmamento anuncia a obra das suas mãos.”(Salmo 19:1)

Quando D’us explica a Jó que um simples mortal não pode conhecer os caminhos da justiça divina,O Santo Bendito Seja Ele, ilustra a limitação do conhecimento humano por meio do processo da Criação do Mundo:

“Onde estavas tu, quando eu fundava a terra? Faz-me saber, se tens inteligência.Quem lhe pôs as medidas, se é que o sabes? Ou quem estendeu sobre ela o cordel?Sobre que estão fundadas as suas bases, ou quem assentou a sua pedra de esquina,”(Jó 38:4-6)

A Criação ex nihilo, DO NADA, é um processo que nenhum homem testemunhou e que por isso está para muito além da compreensão humana. Todas as explicações científicas, até aqui, e também os comentários dos Sábios do povo de Israel, são projeções (teorias) da imaginação do homem. Não se deixe impressionar por elas, pois as Criações do Eterno não estão ao alcance da nossa compreensão.

Bereshit – O Mashiach

O livro de Bereshit/Gênesis, com seu poderoso início, nos oferece uma revelação surpreendente que transcende o tempo e o espaço, conectando o ato da criação com a figura do Mashiach, Yeshua: O Princípio e o Fundamento de Tudo. Este estudo busca “desvendar” essa conexão profunda, iluminando o papel central do Mashiach não apenas como parte da história da criação, mas como o alicerce sobre o qual toda a existência é edificada.

Analisando a palavra Bereshit a nível Sod (Visão mística dos sábios de Israel), descobrimos que ela, usada para definir o termo “No princípio” como geralmente é traduzida, é formada pela união da preposição bêit (ב)com a palavra reshit (רשית). Essa forma, essa composição, indica que a palavra reshit (que significa princípio) é, na verdade, uma causa, um “elemento de ação” e não apenas um momento no tempo. É como se o texto estivesse falando de alguém.

Mas, então, quem seria esse alguém?

Como vimos na parte 1 desta parashá: é ensinado pelos sábios que o Todo-Poderoso criou um universo físico porque desejava ter uma Morada aqui em nossa realidade terrena. Isto significa que D’us deseja ser encontrado no mundo físico que Ele criou e, desta forma, permeá-lo com a Revelação de Sua Bondade Infinita. Mas, para que isto pudesse ocorrer, Ele “precisou” retrair sua Luz (processo do Tzimtzum como já explicamos), gerando de si mesmo uma luz retraída para que o mundo pudesse suportar. Essa luz que é descrita no terceiro versículo de Bereshit, ensinam os Sábios da Cabalá que é o Mashiach, Yeshua.

O Todo Poderoso “almejando” se relacionar com a sua Criação, teve que se “diminuir” para que pudéssemos suporta-lo. Assim, ele gera de si mesmo (Or Ein Sof – Luz Infinita) o Mashiach (Yeshua), que é a maior das suas múltiplas Emanações neste mundo físico. Pois é dito:

“Cuidado para que ninguém vos engane por meio de filosofias e vãs sutilezas, segundo a doutrina dos homens, segundo os princípios do mundo, e não segundo o Mashiach. Porque nele habita corporalmente toda a plenitude da divindade.(Colossenses 2:8-9)

[…Ao proferir estas palavras, Rav Shau’l está qualificando Yeshua com os (7) sete Espíritos do Eterno descritos pelo profeta Yeshayahu (Isaías):

“E sairá uma vara do tronco de Jessé, e das suas raízes um renovo crescerá. e o Espírito do Senhor repousará sobre ele, o espírito de sabedoria e de entendimento, o espírito de conselho e de fortaleza, o espírito de conhecimento e de temor do Senhor.”(11:1-2)

Esses sete Espíritos é “visto” por João, segundo ele mesmo escreveu:

“E do trono saíam relâmpagos, e trovões, e vozes; e diante do trono ardiam sete lâmpadas de fogo, as quais são os sete espíritos de Deus”(Apocalipse 4:5)…]

Mas, então, quem seria esse (“Bereshit”) alguém?

O maior comentarista da Torah, não estou falando do Rashi, mas do Rav Shau’l (Paulo). Ele escreveu o seguinte:

“Ele nos libertou do poder das trevas e nos transportou para o reino do filho amado, de quem temos a redenção e a remissão dos nossos pecados. Ele é a imagem do D’us invisível, o primogênito de toda a criação, pois nele foram criadas todas as coisas nos céus e sobre a terra, visíveis ou invisíveis, sejam tronos, soberanias, principados e potestades. Tudo foi criado por meio dele e para ele. Ele é o primeiro de todas as coisas. Ele é antes de todas as coisas. Nele tudo sub existe. Ele é a cabeça (Rosh רֹאשׁ) do corpo que é a kehilah; ele é o princípio (Reshit רשית), o primogênito dentre os mortos. Para em todas as coisas terá primazia.”(Colossenses 1:13-18)

Nessa passagem, Shau’l pegou todos os significados possíveis da palavra reshit e todos os possíveis usos da preposição bêit e os aplicou a Yeshua. É como se Shau’l estivesse nos ensinando que aquilo que está escrito em Gênesis 1:1 “No princípio criou D’us os céus e a terra” significa que através de alguém “chamado” Princípio, D’us criou os céus e a terra.

Em (“No”) Mashiach, D’us criou os céus e a terra.

Yeshua é O Reshit (Princípio) da criação. Ele é aquele por meio de quem tudo o que existe veio a existir. Yeshua está embutido no primeiro versículo do primeiro capítulo do primeiro livro da Torah: O Gênesis.

Ha’Shem decidiu governar o universo por meio do Mashiach. Portanto, a palavra Reshit está relacionada nas Escrituras ao início de um reinado. Além disso, o projeto Mashiach é a razão pela qual todas as coisas foram criadas e para quem tudo foi feito. Ha’Shem criou todas as coisas por meio do plano do Mashiach, e para o Mashiach, que mais tarde seria manifestado por meio de um homem, como está escrito:

“O que existiu desde o início, o que ouvimos, o que vimos com os nossos olhos, o que contemplamos e o que as nossas mãos sentiram, sobre a Palavra da vida, porque a vida se manifestou, e a vimos e testemunhamos e anunciar a vida eterna para você, que estava com o Pai e se manifestou.”(1 João 1:1-2)

O Criador é invisível e inacessível para as coisas criadas. Só é possível conhecê-lo por meio do que ele revela sobre si mesmo. Ele nos ensina que o caminho para conhecê-lo passa pela criação e Reshit. Desta forma, o Filho, o Mashiach, é o principal agente pelo qual o “Homem” Invisível se manifesta no mundo, como está escrito:

“D’us, tendo falado há muito tempo, em muitas ocasiões e de muitas maneiras aos pais por meio dos
profetas, nestes últimos dias nos falou por meio de seu Filho, a quem fez herdeiro de todas as coisas, por
quem também fez o universo.
Ele é o brilho de sua glória e a expressão exata de sua essência, e ele
sustenta todas as coisas pela palavra de seu poder. Depois de realizar a purificação dos pecados, ele se
sentou à direita da Majestade nas alturas.”
(Hebreus 1:1-3).

O Pai se manifesta neste mundo por meio de seu Filho. Agora, não podemos cair na armadilha de pensar que Ha’Shem é como os homens ou animais para que Ele possa se reproduzir e ter filhos como nós, ou se misturar com os homens e ter filhos. Este pensamento é encontrado nas religiões pagãs entre pessoas que não conhecem a verdade da Torah. Quando fala do Filho, refere-se ao papel de seguidor e representante, assim como o filho imita e representa o pai na família. O rei Davi era o oitavo filho de Yishai (Jessé), mas ele é chamado de primogênito (Salmo 89:20, 27). Quando o Rav Shau’l escreve em Colossenses que o Mashiach é o primogênito de toda a criação, não significa que ele nasceu do Pai através de uma reprodução, mas que ele estava destinado a ocupar o lugar de governante sobre todas as coisas criadas, invisíveis e visíveis. O filho primogênito é aquele que terá o nome do pai e o direito de governar na família quando o pai não estiver mais presente. Da mesma forma, o Mashiach é chamado de Filho, não porque Ha’Shem foi capaz de dar à luz ou se reproduziu, mas porque o Mashiach obteve a posição de governante sobre todas as coisas criadas.

“No Princípio Criou”… A palavra hebraica que foi traduzida como “criou” é Bará (ברא). Essa palavra aparece cerca de 50 vezes nas Escrituras e sempre tem a ver com a ação de produzir ou fazer algo que antes não
existia. É sobre trazer algo à existência. Em sentido estrito, apenas o Criador pode criar. Só Ele pode trazer algo à existência sem nunca ter existido antes. A expressão “criar do nada” é uma forma de expressar esse
conceito. Porém, esta expressão não explica bem o que a palavra Bará significa, visto que Ha’Shem “não criou as coisas do nada”, pois antes de existirem como criação existiam como um projeto na mente do Criador.
Portanto, as coisas visíveis são o resultado de coisas invisíveis, que por sua vez estão dentro da mente do Criador, como está escrito: em Hebreus 11:3:

“Pela fé entendemos que o universo foi preparado pela Palavra de D’us, de modo que o que é visto não foi
feito de coisas visíveis.”
(Hebreus 11:3)

“Elohim”… É de suma importância entender o pensamento, a mente judaica, a compreensão hebraica de seu próprio idioma hebreu, o hebraico. Quando alguém, mesmo com boa vontade aprende o idioma hebraico, e tenta se aplicar numa tradução ele perderá muito não conhecendo a tradição e a cultura do povo. Muitos num pensamento idólatra querem afirmar que foram deuses que criaram os mundos e tudo que existe. No pensamento judaico, na linguagem e compreensão hebraica a palavra Elohim tem duas formas de se apresentar em uma narrativa, num texto ou declaração. A forma Absoluta e a forma substantiva.

Na forma absoluta sempre representará o D’us Criador. Aquele que é UM e dele vem o plural. Pois é ele quem pluralisa todas as coisas por isso se apresenta na forma plural. Na forma substantiva sempre representará “elevados, majestosos, príncipes, juízes, anjos, poderosos …”

Tohu Va’vohu – Sem forma e vazia

…והארץ היתה תהו ובהו וחשך על פני תהום

Vehaárets háitah tóhu vavóhu vechoshéch ál penei Tehóm …

“e a Terra era (estava) sem forma e vazia e havia trevas sobre a face do abismo …”(Gn 1:2)

Quando vejo esse texto como o tradutor entendeu e traduziu me deixa faltando algumas respostas a algumas perguntas. Pois assim o como o texto está, sou levado a entender uma sequência textual, como … D’us criou a Terra sem forma e vazia. Porque se no princípio D’us criou os céus e a Terra e a Terra era… sem forma e vazia… estou vendo e entendendo uma sequência textual. Isso entra em contradição com o que o próprio D’us disse por Yeshayáhu hanaví (profeta Isaías)…

“Porque assim diz Adonay que tem criado os céus, o D’us que formou a terra, e a fez; ele a confirmou, não a criou vazia, mas a formou para que fosse habitada: Eu sou Adonay e não há outro.”(Is 45:18)

O mesmo verbo (היתה) háitah pode ser entendido como “era” e “estava”. A grande questão é que se você entender que D’us fez a terra sem forma e vazia ele estará se contradizendo e você ficará sem algumas respostas para as perguntas que surgem…

D’us está criando tudo, certo? Então explique que abismo é esse que aparece.. o que o provocou?. E o por quê que a porção seca está submersa nas águas… ? Se no verso um, D’us criou os céus e a Terra, por que aqui parece tudo está num caos, sem forma e vazio? Por que D’us cria os astros só no quarto dia e no verso um, diz que ele criou os céus?E as águas.. ? Em nenhum momento antes aparece D’us criando as águas.

Mas se entendermos este verso aplicando o verbo como “estava” perceberemos que a Terra e tudo “se tornou” e não “era” um caos. “Estava”, sendo a melhor aplicação do verbo na sua tradução porque assim compreenderei que algo provocou o caos. Entenderei bem melhor a queda de hasatán (satanás) e seus anjos trazendo caos a Criação.

ורוח אלהים מרחפת על פני המים

V’Ruach Elohim Meracheft Al Panay Ha’maiym

“E o Sopro (“Espírito”) de D’us Movia-se Sobre a Face das Águas”(vs 2)

Uma frase curta, concisa, e que gerou, e ainda gera repercussão por toda a Escritura e no mundo fora dela. Quando falamos sobre o Ruach Elohim, o “Espírito” de D’us, encontramos muitos comentários e interpretações, muitas polêmicas também. Um dos mais interessantes comentários, que encontrei, está na literatura rabínica, e afirma que o “Espírito” que se movia sobre as águas no princípio era o “Espírito” do Mashiach (Yeshua).

“…e o Espírito de D’us pairava” – isto é [uma referência a] o espírito do Rei, Messias, como você diria (Isaías 11:2), “E repousará sobre ele o Espírito de Adonay.” Em que mérito aquele que pairava sobre as águas vem? No mérito do arrependimento, que é comparado à água, como está escrito (Lamentações 2:19), “derrama o teu coração como águas diante da presença do Senhor”.(Talmude da Babilônia, Tratado Nedarim 39b).

De uma forma geral, agente pode entender que há uma revelação da participação de Yeshua Ha’Mashiach (“Jesus Cristo”), no evento ímpar da Criação, sendo aqui representado simbolicamente pela expressão “Espírito de D’us”. Entretanto, como a Escritura usa de elementos físicos para representar coisas espirituais (concreto x abstrato) e vice-versa, é necessário um maior aprofundamento nessas palavras, a partir do hebraico, para podermos expandir e extrair as lições que estão em camadas mais profundas desse pasuk (versículos).

Ruach Elohim – O que mais pode significar?

A tradução das duas palavras Ruach Elohim, vai trazer uma expansão e melhor entendimento da atuação do “Espírito” de D’us, também chamado de (רוח הקודש) Ruach Hakodesh, “Espírito” do Separado (“Santo”). No hebraico bíblico o termo Ruach literalmente significa “vento”. Mas Ruach é também um homônimo, ou seja, é uma palavra que possui diversos significados. Segundo os professores (Israelitas) de Hebraico, este termo pode ter mais de trinta significados diferentes. De uma maneira geral, Ruach pode ser usada para se referir à alma, à respiração, e também à inspiração (um estado de espírito, um estado de mente, de sentimento em particular, que se move inspirando os seres humanos – em especial os Profetas). Frequentemente essa “inspiração” é positiva e boa. Porém Ruach pode vir a ser (רוח רעה) Ruach Raah – um estado negativo de mente, muito mais conhecido como depressão. Foi exatamente isso (depressão) que tomou conta do Rei Saul em 1 Samuel 16:14, mas não convém tratarmos desse episódio aqui.

Um outro significado para essas duas palavras, Ruach Elohim, expressava um tipo especial de sabedoria que era inspirado pelo Altíssimo àqueles que eram obedientes à Sua Palavra. Quando Faraó se admira diante da sabedoria de Yossef, (José), ele diz que Yossef possuía Ruach Elohim (o “Espírito” de Deus): “E disse Faraó a seus servos: Acharíamos um homem como este em quem haja o (Ruach Elohim) Espírito de D’us?(Gn 41:38) Esse mesmo “Espírito” estava sobre Daniel – Espírito de Sabedoria.

Em uma outra interpretação que inclui o Targum Onkelos (a tradução da Bíblia hebraica para o Aramaico), e o Rabino Iben Ezra, a Torah estaria se referindo ao Ruach, de forma literal – vento. Assim comenta o Rabino: E O ESPÍRITO DE DEUS. Ru’ach (vento) está na construção com Elohim (D’us) porque foi o meio empregado por D’us para secar a terra.

Explicamos que o termo Elohim não significa exclusivamente D’us, pois carrega consigo outros significados. Se entendermos esse termo, exclusivamente neste versículo, em sua forma substantiva, podemos traduzir a expressão Ruach Elohim como “Vento Poderoso”. Esse seria sem dúvidas, o nível mais p’shat (simples) de ser compreendido.

V’Ruach Elohim Meracheft Al Panay Ha’maiym E (um) Vento Poderoso Movia-se Sobre a Face das Águas.

Todas essas traduções e interpretações são válidas e particularmente a última vai fazer uma conexão importantíssima, que está relatada no livro de Ma’asey HaShelihim, Atos dos Apóstolos:

“E de repente veio do céu um som, como de um vento impetuoso, e encheu toda a casa onde estavam assentados”.(At 2:2)

Ruach Searáh (רוח סערה) – Vento Impetuoso (tempestade ou ventania, sempre com a conotação de força ou poder) é o termo hebraico que aparece no texto acima citado, que é o mesmo que estava no Princípio, sobre a face das águas. No verso 2:4 de Atos dos Apóstolos, o Ruach Searáh, já é chamado de Ruach Hakodesh, o “Espírito” do Separado (“Santo”), que encheu toda a casa e todos foram cheios dele. E como vimos no início deste estudo, o Vento Poderoso que soprava no Princípio é o “Espírito” do Mashiach, Yeshua. E o “Espírito” de Yeshua é o “Espírito” do Eterno.

Yehí Ór – Haja Luz

ויאמר אלהים יהי אור ויהי אור

Vayiomer Elohim Yehí Ór Vayhí Ór.

E disse D’us: Haja Luz e Houve Luz(vs 3)

No princípio, quando a terra se tornou sem forma e vazia, o primeiro mandamento de vida de D’us foi: “Haja luz”. E houve luz, conforme o relato fidedigno das Escrituras. A pergunta que se faz muitas vezes é: De onde veio a luz (Gênesis 1:3) se o sol foi criado somente no quarto dia? Como já explicamos na parte 1 desta parashá, antes do princípio (Bereshit), só “havia” Luz. Logo, não seria nenhum absurdo supor que a luz do primeiro dia da criação emanou-se do próprio D’us, isto é, a manifestação da glória de D’us em forma de luz. Parece que Yochanan (João) tinha isso em mente quando diz que “D’us é luz” (1 Jo 1:5). E igualmente Ya’akov (Tiago) ao chamá-lo de “Pai das luzes” (Tg 1:17). Também o salmista escreveu:

“Bendize , ó minha alma, ao Eterno; Ó Eterno, meu D’us, tu és muito grande; estás vestido de glória e de majestade, envolto em um manto de luz; Você estendeu os céus como um pano de tenda.”(Salmo 104:1-2).

A primeira ordem do Eterno foi que a sua luz (presença, manifestação no mundo físico) fizesse parte de toda criação. Ele a chama de tov (boa). Assim quando vemos em cada etapa a frase: “….e viu D’us que era tov (bom),” podemos inferir que a LUZ do ETERNO estava presente como uma “força motriz” em toda a Criação.

Todavia, o mundo não estava preparado para absorver a intensidade de tão Infinita Luz. Por isso, O Santo Bendito Seja ocultou tal Luz para os justos no Mundo Vindouro.(Bereshit Raba 3:6) Encontramos uma profecia exatamente sobre a manifestação desta luz nos últimos dias, no livro do profeta Yeshayahu (Isaías):

“O sol não será mais a tua luz durante o dia, nem com o seu resplendor a lua te alumiará; mas o Senhor será a tua luz perpétua, e o teu D’us a tua glória.”(60:19)

Entendemos que a revelação (completa) desta luz, acontecerá no final das eras, ou seja Olam Haba – Mundo Vindouro. Pois a nós foi revelado no livro do Apocalipse:

“E a cidade não necessita nem do sol nem da lua, para que nela resplandeçam, porque a glória de D’us a tem iluminado, e o Cordeiro (Yeshua) é a sua lâmpada.”(21:23)

No entanto, esta Luz começou a ser revelada há mais de dois mil anos. Ensinam os Sábios do povo judeu, que os (6) seis mil anos da Criação foi dividida em (3) três períodos: (2) dois mil anos “sem” Torah; (2) dois mil anos com Torah; (2) dois mil anos com Mashiach. Sabemos que o judaísmo tradicional não crer que Yeshua é o seu Mashiach. Por esse motivo, eles dizem que estamos vivendo os (2) dois mil anos de Mashiach sem Mashiach. Todavia, para nós que cremos em Yeshua, o Mashiach já veio – Yeshua. A luz que foi oculta (como os sábios ensinam) na criação, já foi, é, e será revelada. Yochanan Ha’shaliach (O Apóstolo João) parece ter esse entendimento quando escreveu:

Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez. Nele estava a vida, e a vida era a luz dos homens. E a luz resplandece nas trevas, e as trevas não a compreenderam. Houve um homem enviado de Deus, cujo nome era João. Este veio para testemunho, para que testificasse da luz, para que todos cressem por ele. Não era ele a luz, mas para que testificasse da luz. Ali estava a luz verdadeira, que ilumina a todo o homem que vem ao mundo. Estava no mundo, e o mundo foi feito por ele, e o mundo não o conheceu. Veio para o que era seu, e os seus não o receberam. Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, aos que crêem no seu nome; Os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus. E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade.”(João 1:2-14)

João não foi o único a relacionou Yeshua com a luz de Bereshit.

“Havia em Jerusalém um homem cujo nome era Simeão; e este homem era justo e temente a Deus, esperando a consolação de Israel; e o Espírito Santo estava sobre ele. E fora-lhe revelado, pelo Espírito Santo, que ele não morreria antes de ter visto o Ungido do Senhor. E pelo Espírito foi ao templo e, quando os pais trouxeram o menino Yeshua, para com ele procederem segundo o uso da lei, Ele, então, o tomou em seus braços, e louvou a Deus, e disse: Agora, Senhor, despedes em paz o teu servo, Segundo a tua palavra; Pois já os meus olhos viram a tua salvação, A qual tu preparaste perante a face de todos os povos; Luz para iluminar as nações, E para glória de teu povo Israel.”(Lucas 2:25-32)

O próprio Yeshua disse:

“Eu sou a luz do mundo; quem me segue não andará em trevas, mas terá a luz da vida”.(João 8:12)

A palavra luz aparece (em minha pesquisa) 23 vezes na Bessorá (evangelho) segundo João. Dessas, 21 se referem a Yeshua. Em João, luz é uma metáfora acerca de Yeshua. A ideia de Yeshua como a luz do mundo é uma metáfora rica em significado e profundidade espiritual. Quando ele disse ser a luz do mundo, quis dizer que é a solução para as trevas em que o mundo está. Ao olharmos para o mundo em que vivemos, não é difícil concluirmos que ele está em trevas. Basta sair às ruas. Basta consultar a mídia. Basta conversar com pessoas. Toda a criação está sob o poder do mal, isto é, mantida em submissão pelo adversário (diabo), o qual, segundo Yeshua, é o príncipe deste mundo. Ao dizer “Eu sou a luz do mundo; quem me segue não andará em trevas, mas terá a luz da vida“, Yeshua está (a nível Sod) se identificando com a luz da Criação em Bereshit.

Assim, também entendemos que quando D’us disse “Yehí Ór – Haja Luz”, Ele está dando uma ordem para que algo se torne, seja Luz. E logo após a ordem ele faz
separação entre a Luz e as trevas. Podemos compreeender daqui que D’us fez separação
entre o reino de Luz e o reino de trevas. Não se unem, estão terminantemente separados. E então, D’us vai criar o conceito de dia e o chama para a Luz, para que o dia represente o conceito de Luz. E o conceito de noite D’us chama para as trevas, para a escuridão, para
que este represente o conceito de trevas.

E termina esta parte também com algo tão simples, mas que também é mal traduzido…

Dia UM

ויהי ערב ויהי בוקר יום אחד

Vayhí érev vayhí boker , yom Echád

“E foi tarde e foi manhã, o dia UM.”(vs 5)

Este verso é sempre traduzido como “dia primeiro” apresentando-se como forma ordinal “primeiro, segundo, terceiro…” mas aqui no hebraico, no original, está na forma cardinal “um, dois, tres, …” . Está escrito “Dia UM” e não “dia primeiro”. Isso nos leva a entender melhor que aqui não há um período de vinte e quatro horas e sim um limíte de tempo incalculável podendo ser de milhões à bilhões de anos.

Vimos que o que é chamado de primeiro dia não é primeiro e sim Dia UM. A partir do segundo sim, contamos de forma ordinal, o dia segundo, o dia terceiro e assim por diante.

A partir de agora, iremos trazer um midrash explicativo sobre os dias da Criação.

Segundo dia

“E disse D’us: Haja uma expansão no meio das águas, e haja separação entre águas e águas. E fez D’us a expansão, e fez separação entre as águas que estavam debaixo da expansão e as águas que estavam sobre a expansão; e assim foi. E chamou D’us à expansão Céus, e foi a tarde e a manhã, o dia segundo.” (Gênesis 1:6-8)

A Terra que D’us criou no primeiro dia estava coberta de água, que estava amontoada sobre o chão a grande altura. Não havia firmamento. No segundo dia, porém, D’us ordenou para as águas:”Dividam-se em duas! Uma das metades ficará no alto e a outra afunde na Terra e Eu fixarei o firmamento no meio.” D’us chamou o firmamento Shamáyim, Céu. Ele manteve água nas nuvens em forma de vapor para mandar mais tarde em forma de chuva, a fim de que as plantas na Terra pudessem crescer.

Terceiro dia

“E disse D’us: Ajuntem-se as águas debaixo dos céus num lugar; e apareça a porção seca; e assim foi.E chamou D’us à porção seca Terra; e ao ajuntamento das águas chamou Mares; e viu D’us que era bom.E disse D’us: Produza a terra erva verde, erva que dê semente, árvore frutífera que dê fruto segundo a sua espécie, cuja semente está nela sobre a terra; e assim foi. E a terra produziu erva, erva dando semente conforme a sua espécie, e a árvore frutífera, cuja semente está nela conforme a sua espécie; e viu D’us que era bom. E foi a tarde e a manhã, o dia terceiro.”(vs 9-13)

D’us criou a terra seca, a grama, as árvores e todas as espécies de plantas:No terceiro dia, a água ainda cobria toda a Terra. Não havia um único ponto seco. D’us ordenou ao anjo do mar: “Reúna toda a água em alguns lugares para que o restante se torne seco.”O anjo do mar perguntou: “Onde porei toda a água que sobrar? Dificilmente haverá lugar suficiente na Terra para tanta água!”

D’us então juntou toda a água da Terra e a derramou nos oceanos, lagos e rios. O restante da Terra se tornou seca. A água, porém, ficou tão aborrecida por estar aprisionada que ameaçou transbordar e cobrir tudo outra vez.”Fique onde a deixei!”, ordenou D’us. Não inunde a terra seca!” D’us pegou um pouco de argila, escreveu sobre ela Seu grande Nome de quarenta e duas letras e jogou-a no fundo d’água. Enquanto a argila estiver lá embaixo, nas profundezas da água, esta não inundará a terra. (Antes do Dilúvio, D’us a removeu). Então D’us ordenou:

“Que a relva cubra a terra seca!”

Imediatamente, a relva começou a brotar da terra. Além da grama para os animais, D’us criou todos os tipos de grãos, vegetais e ervas comestíveis. Ele também ordenou à terra que produzisse uma grande variedade de flores, para dar prazer à visão e ao olfato; além de todos os tipos de folhas e arbustos. Estes maravilhosos exemplos das obras de D’us podem ser admirados nos jardins e campos, nas florestas e montanhas e todas elas foram produzidas por D’us no terceiro dia da Criação. Então D’us ordenou: “Que árvores frutíferas cresçam na terra!”Imediatamente, emergiram milhares de tipos de árvores; macieiras, pereiras e laranjeiras, ameixeiras, pessegueiros e o que se pudesse imaginar, cada uma com frutas deliciosas, de cores e formas diferentes.

Quarto dia

“E disse D’us: Haja luminares na expansão dos céus, para haver separação entre o dia e a noite; e sejam eles para sinais e para tempos determinados e para dias e anos. E sejam para luminares na expansão dos céus, para iluminar a terra; e assim foi. E fez D’us os dois grandes luminares: o luminar maior para governar o dia, e o luminar menor para governar a noite; e fez as estrelas. E D’us os pôs na expansão dos céus para iluminar a terra, E para governar o dia e a noite, e para fazer separação entre a luz e as trevas; e viu D’us que era bom. E foi a tarde e a manhã, o dia quarto.”(vs 14-19)

D’us suspende o Sol, a Lua e as estrelas no firmamento: No quarto dia, D’us colocou o sol, a lua e as estrelas no firmamento. Existem sete Céus, um sobre o outro. D’us pôs o Sol no Segundo Céu e não no mais baixo, pois queimaria o mundo inteiro com seu intenso calor. O Midrash explica: A lua é punida por reclamar. Quando D’us criou o Sol e a Lua, Ele fez os dois exatamente do mesmo tamanho. A Lua disse para D’us: “Sempre que criastes um par, fizestes um maior que o outro. Fizestes dois mundos – olam hazê, este mundo e olam habá, o mundo vindouro. Dois olam habá é o maior. Criastes o Céu e a Terra, o Céu é maior, por ser Tua morada. De fogo e água, a água é mais forte, porque extingue o fogo. Só o Sol e eu, a Lua, fizestes do mesmo tamanho. Um de nós tem que ser maior.”

“Ahá!” exclamou D’us. “Sei qual é seu verdadeiro propósito, Lua! Você gostaria que a fizesse maior e o Sol se torna-se o menor. Mas por ter se queixado, Eu a farei menor.” “O meu castigo será tão grande, só porque me ter reclamado?” perguntou a Lua. “Bem,” respondeu D’us, “no futuro, quando Mashiach chegar, Eu farei a sua luz mais forte, tão forte como a luz do Sol agora.” “Serei então igual ao Sol?” “Não,” respondeu D’us, “porque então o Sol brilhará sete vezes mais do que agora.”

Quinto dia

“E disse D’us: Produzam as águas abundantemente répteis de alma vivente; e voem as aves sobre a face da expansão dos céus. E D’us criou as grandes baleias, e todo o réptil de alma vivente que as águas abundantemente produziram conforme as suas espécies; e toda a ave de asas conforme a sua espécie; e viu D’us que era bom. E D’us os abençoou, dizendo: Frutificai e multiplicai-vos, e enchei as águas nos mares; e as aves se multipliquem na terra. E foi a tarde e a manhã, o dia quinto.”(vs 20-23)

D’us criou os peixes e os pássaros:No quinto dia, D’us encheu as águas com milhares de espécies de peixes e criaturas marinhas. Ele também criou os pássaros que voam no firmamento.

Sexto dia – A Coroa 👑 da Criação

“E disse D’us: Produza a terra alma vivente conforme a sua espécie; gado, e répteis e feras da terra conforme a sua espécie; e assim foi. E fez D’us as feras da terra conforme a sua espécie, e o gado conforme a sua espécie, e todo o réptil da terra conforme a sua espécie; e viu D’us que era bom. E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; e domine sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e sobre o gado, e sobre toda a terra, e sobre todo o réptil que se move sobre a terra. E criou D’us o homem à sua imagem; à imagem de D’us o criou; homem e mulher os criou. E D’us os abençoou, e D’us lhes disse: Frutificai e multiplicai-vos, e enchei a terra, e sujeitai-a; e dominai sobre os peixes do mar e sobre as aves dos céus, e sobre todo o animal que se move sobre a terra.E disse D’us: Eis que vos tenho dado toda a erva que dê semente, que está sobre a face de toda a terra; e toda a árvore, em que há fruto que dê semente, ser-vos-á para mantimento. E a todo o animal da terra, e a toda a ave dos céus, e a todo o réptil da terra, em que há alma vivente, toda a erva verde será para mantimento; e assim foi. E viu D’us tudo quanto tinha feito, e eis que era muito bom; e foi a tarde e a manhã, o dia sexto.”(vs 24-31)

No sexto dia, D’us fez todos os animais, grandes e pequenos. Ele pôs sobre a Terra elefantes, ursos, leões, tigres, panteras, vacas, carneiros, cachorros, gatos bem como camundongos, ratos, doninhas, esquilos e tantas outras espécies de animais. Não se pode esquecer dos insetos. Pode-se conhecer apenas alguns poucos insetos, como moscas, pernilongos, formigas, aranhas, baratas e, naturalmente, zangões e gafanhotos, mas na realidade existem milhões!

Mesmo o corpo dos menores insetos foi feito por D’us para funcionar como um mecanismo complexo. Ao serem estudadas as partes do corpo de um inseto, começa-se a entender um pouco sobre a fantástica sabedoria de D’us.

Finalmente, D’us formou a maior de suas Criações: o homem.

Se a Torah afirma que D’us não tem forma, qual o significado do versículo: “E D’us disse: Façamos o homem à Nossa imagem e semelhança” (vs 26)? E a quem Ele estava falando?

As dúvidas que geralmente são suscitadas por este versículo são:

Com quem D’us estava falando? A Torah quer dizer (D’us não o permita) que há mais de um D’us? Alguns dizem que D’us estava falando com os anjos – mas quem mencionou os anjos? Existe uma explicação simples e uma interpretação coerente para este versículo? D’us tem uma imagem? O que significa a repetição: “à nossa imagem, nossa semelhança”?

O homem é a única criatura a ser apresentada individualmente na cena, porque o Homem é o ponto alto da criação. Tudo foi criado para ele e seu uso. Está subentendido que o Homem é portanto considerado responsável por suas ações, pois estas afetam não apenas a ele, como também todas as criaturas de D’us.

Com quem D’us estava falando? A resposta a nível p’shat (simples) é: D’us estava falando com a mesma entidade com quem falou nos dias precedentes – o universo inteiro! D’us na verdade está dizendo: “Que a adamá (terra) e tudo que nela existe, e Eu façamos o homem.” É como se todas as forças da natureza estivessem comprimidas em uma pequena criatura chamada Adão (“Homem”). Mas isso é exatamente o que este versículo nos diz.

Todos os elementos que compõem o corpo humano é proveniente do solo – Terra. Esses elementos são: oxigênio – responsável por 65%, carbono por 18%, hidrogênio por 10%, nitrogênio em torno de 3%, cálcio 1,5%, fósforo 1%, existindo ainda traços de outros elementos como K, S, Na, Cl, Mg, Fe, entre outros.

Todavia, a explicação a nível Sod (segredo) dada por alguns sábios judeus, é que o Eterno estava falando com o seu Mashiach (Yeshua), já que este é o agente da criação.

D’us tem uma imagem? Não! Quando o versículo diz “imagem,” isso significa “essência,” querendo dizer que o homem foi criado da essência do cosmos, e da essência de D’us. O homem tem em si um aspecto de tudo da criação: todo animal tem sua contraparte no homem, assim como cada mineral e elemento, como já explicamos acima. O homem foi feito da essência de D’us, como está explicado no próximo versículo: (27): “… na essência de Elohim Ele o criou.” O que a Torah está nos dizendo é que o homem foi feito similar a Elohim, (um dos Atributos Divinos, que significa “juiz”) Em outras palavras: “À imagem do Juízo Ele o criou.” Ter a “imagem” de D’us significa não apenas possuir ânsias espirituais como somente o Homem possui, como também a habilidade de julgar entre opções moralmente boas ou más.

Todavia, a explicação a nível Sod (segredo) pode ser a seguinte: Essa imagem é de fato física, pois é a imagem “corpórea” de D’us revelada no Mashiach – Yeshua.

O Shabat – O Memorial da Criação

Sobre o Shabat, temos aqui no blog um estudo especial – confira neste link: Estudo Especial de Shabat.

Adão nomeia os animais

D’us criou cada ser em apenas alguns segundos. Adão foi uma exceção. D’us se ocupou com sua Criação por muitas horas. (Ele fez isso para nos mostrar como Adão era importante). Durante a primeira hora D’us juntou pó de toda a Terra. Durante a segunda hora D’us misturou o pó com a água e amassou–o até formar uma substância parecida com massa. Durante a terceira hora D’us formou o corpo de Adão, seus braços e pernas. Durante a quarta hora D’us soprou a Neshamá (alma) no corpo de Adão. O corpo de Adão era de terra, mas sua alma era um sopro Divino. É por isso que cada pessoa é capaz de se tornar um grande Tsadic, porque nossas almas são fonte de santidade, do Próprio D’us. Durante a quinta hora, Adão se levantou. Durante a sexta hora, D’us trouxe todos os animais perante Adão. Com a sabedoria que D’us lhe deu, Adão pôde dar a cada animal o nome apropriado pelo qual deveria ser chamado.

Eva – Um presente para Adão

Durante a sétima hora, D’us falou: “Não é bom que Adão fique só. Vou lhe dar uma esposa para ajudá-lo!” D’us provocou em Adão um sono profundo. De um dos ossos que retirou do corpo de Adão, criou a mulher, Eva. D’us fez Eva de uma parte (costela) de Adão para que este gostasse de sua esposa tanto quanto dele mesmo.

Adão e Eva no Gan Eden – Paraíso

D’us colocou Adão e Eva no Gan Eden, o jardim mais encantador da Terra. Todas as árvores preenchiam o ar com frutas doces e perfumadas de todas as espécies. Adão e Eva só tinham que estender a mão para pegar uma das deliciosas frutas ou beber água do rio cintilante e límpido que corria através do Gan Eden. D’us ordenou a Adão para cumprir certas mitsvot. Sempre que ele cumpria estas Mitsvot, as plantas do Gan Eden cresciam. D’us mandou um anjo para o Gan Eden. O anjo escreveu um livro para Adão que continha muitos segredos de D’us. Adão estudou este livro. Ambos, Adão e Eva eram pessoas santas e puras, onde o mal e a má inclinação não existiam. Eles estavam sempre pensando e fazendo o bem.

Até que……

Aguarde a parte 3

Abençoado Seja O Eterno


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