
Uma breve reflexão
Já imaginou um poder incalculável presente dentro de você, capaz de trazer a vida e a morte, mover céu e terra? Cuidado! Simples palavras podem mudar a sua vida.
E se um homem pensa que serve a Elohim e não guarda a sua língua, mas o coração deste o engana, este seu serviço é inútil.(Ya’akov/Tiago 1:26)
A parábola da melhor e da pior comida do mundo

Há mais de dois mil e quinhentos anos, um rico mercador grego tinha um escravo chamado Esopo. Um escravo corcunda, feio, mas de sabedoria única no mundo. Certa vez, para provar as qualidades de seu escravo, o mercador ordenou:
— Toma, Esopo, aqui está esta sacola de moedas. Corre ao mercado, compra lá o que houver de melhor para um banquete. A melhor comida do mundo!
Pouco tempo depois, Esopo voltou do mercado e colocou sobre a mesa um prato coberto por fino pano de linho. O mercador levantou o paninho e ficou surpreso.
— Ah, língua? Nada como a boa língua que os pastores gregos sabem tão bem preparar. Mas por que escolheste exatamente a língua como a melhor comida do mundo?
O escravo, cabisbaixo, explicou sua escolha: — O que há de melhor do que a língua, senhor? A língua é que une a todos, quando falamos. Sem a língua não poderíamos nos entender. A língua é a chave das Ciências, o órgão da verdade e da razão. Graças à língua é que se constroem as cidades, graças à língua podemos dizer o nosso amor. A língua é o órgão do carinho, da ternura, da compreensão. É a língua que torna eternos os versos dos grandes poetas, as ideias dos grandes escritores. Com a língua se ensina, se persuade, se instrui, se reza, se explica, se canta, se elogia, se demonstra, se afirma. Com a língua, dizemos “sim”. Com a língua dizemos “eu te amo”! O que pode haver de melhor do que a língua, senhor?
O mercador levantou-se entusiasmado:
— Muito bem, Esopo! Realmente tu me trouxeste o que há de melhor. Com esta outra sacola de moedas, vai de novo ao mercado e traze o que houver de pior, pois quero ver a tua sabedoria.
Mais uma vez, tempos depois, Esopo voltou do mercado trazendo um prato coberto por um pano. O mercador recebeu-o com um sorriso.
— Hum… já sei o que há de melhor. Vejamos agora o que há de pior. O mercador descobriu o prato e ficou indignado:
— O quê?! Língua? Língua outra vez? Língua? Não disseste que a língua era o que havia de melhor? Queres ser açoitado?
Esopo encarou o mercador e respondeu:
— A língua, senhor, é o que há de pior no mundo. É a fonte de todas as intrigas, o início de todos os processos, a mãe de todas as discussões. É a língua que divide os povos. É a língua que usam os maus políticos quando querem enganar com suas falsas promessas. É a língua que usam os vigaristas quando querem trapacear. A língua é o órgão da mentira, da discórdia, dos desentendimentos, das guerras, da exploração. É a língua que mente, que esconde, que engana, que explora, que blasfema, que vende, que seduz, que corrompe. Com a língua dizemos “não”. Com a língua dizemos “eu te odeio”! Aí está, senhor, porque a língua é a pior e a melhor de todas as coisas…
A vários conselhos e ensinamentos nas escrituras concernentes a língua. Um dos versos mais impactante sobre a língua, foi dito pelo Sábio Sh’lomoh (Salomão)
פי-צדיק ינוב חכמה ולשון תהפכות תכרת
A boca do justo brota sabedoria, a língua perversa será cortada.(Mishlei/Provérbios 10:31)
Já na B’rit Chadashá (“Novo Testamento”) é a vez do irmão de Yeshua, Ya’akov, falar algo tremendo sobre a língua.
“Porque todos tropeçamos em muitas coisas. Se alguém não tropeça em palavra, o tal é perfeito, e poderoso para também refrear todo o corpo. Ora, nós pomos freio nas bocas dos cavalos, para que nos obedeçam; e conseguimos dirigir todo o seu corpo. Vede também as naus que, sendo tão grandes, e levadas de impetuosos ventos, se viram com um bem pequeno leme para onde quer a vontade daquele que as governa. Assim também a língua é um pequeno membro, e gloria-se de grandes coisas. Vede quão grande bosque um pequeno fogo incendeia. A língua também é um fogo; como mundo de iniqüidade, a língua está posta entre os nossos membros, e contamina todo o corpo, e inflama o curso da natureza, e é inflamada pelo inferno. Porque toda a natureza, tanto de bestas feras como de aves, tanto de répteis como de animais do mar, se amansa e foi domada pela natureza humana; Mas nenhum homem pode domar a língua. É um mal que não se pode refrear; está cheia de peçonha mortal. Com ela bendizemos a Deus e Pai, e com ela amaldiçoamos os homens, feitos à semelhança de Deus. De uma mesma boca procede bênção e maldição. Meus irmãos, não convém que isto se faça assim. Porventura deita alguma fonte de um mesmo manancial água doce e água amargosa? Meus irmãos, pode também a figueira produzir azeitonas, ou a videira figos? Assim tampouco pode uma fonte dar água salgada e doce.“(Ya’akov/Tiago 3:2-12)
Sh’lomoh, com toda sabedoria ainda diz:
“A morte e a vida estão na mão (poder) da língua, e aqueles que a amam comerão do seu produto (recompensa ou consequência).”(Mishlei/Provérbios 18:21)

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