
Continuando a série de comentários dos 613 Mandamentos, hoje falaremos do Shabat, o 4° Mandamento.
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זכור את יום השבת לקדשו
Zakhor Et Yom Ha’Shabt L’kadsho
Lembra-te do dia do Shabat para separar ele (Shemot/Êxodo 20:8)
Quero começar esse estudo especial de Shabat com um lindo Midrash:

“Todos os anjos dançaram em santidade e alegria. Encheram os céus com felicidade! Louvaram a D’us e gritavam: “A glória de D’us durará para sempre!” Também cantavam: “Que D’us se regozije com a maravilhosa Criação que Ele fez!”Então D’us acenou para o anjo encarregado do Shabat e sentou-o no trono de honra. Todos os anjos dançaram ao seu redor e cantaram, “Hoje é Shabat Côdesh, o santo Shabat para D’us! Depois que D’us criou Adão, Ele o ergueu e deixou-o ver como era grande a felicidade do Shabat no Céu. O dia do Shabat era como um grande siyum (conclusão de um evento especial), uma festa de celebração, porque D’us havia terminado Sua obra. Quando Adão viu os anjos cantando e dançando, compreendeu como é santo o dia de Shabat e a felicidade que ele poderia trazer para as pessoas na Terra. Depois que D’us fez o Shabat, o Shabat exclamou: “Estou tão triste e solitário. Sou o único dia que não tem sócio. Domingo vai junto com a Segunda; Terça é vizinha da Quarta; Quinta tem Sexta. Mas eu não tenho ninguém que esteja junto comigo, porque sou o último dia da semana! “D’us respondeu: “Não se preocupe, Shabat. Um povo inteiro será seu amigo. O povo judeu terá o privilégio de mantê–lo santificado. Por isso você, Shabat e o povo judeu irão sempre pertencer um ao outro!”
Somos ordenados pelo Santo Bendito Seja Ele, a lembrar do Shabat; mas lembrar significa muito mais que meramente não esquecer. Significa também lembrar do seu significado. Depois que o quarto Mandamento foi instituído pela primeira vez, D’us explica:
כי ששת ימים עשה יהוה את השמים ואת הארץ את הים ואת כל אשר בם וינח ביום השביעי על כן ברך יהוה את יום השבת–ויקדשהו
“Porque em seis dias fez Adonay os céus e a terra, o mar e tudo que existe neles, e no dia sétimo, descansou: portanto, abençoou Adonay o dia do Shabat e separou ele.” (Shemot 20:10)
O texto nos diz explicitamente o motivo pelo qual devemos lembrar do Shabat, “porque em seis dias fez Adonay toda sua criação”. O Shabat é o memorial da criação de D’us, a assinatura deixada por ele. A criação é um livro de sete páginas.
Na primeira página, D’us relata a criação do céu e da terra. Na segunda, ele relata a separação das águas. Na terceira, ele relata o surgimento da parte seca emergindo das águas. Na quarta, ele relata a criação do sol, da lua e das estrelas. Na quinta, ele relata o povoamento dos mares com peixes e outros animais marinhos, e no ar acima da terra, os pássaros. Na sexta, ele relata a criação de outros animais (grandes e pequenos), e o apogeu da sua criação, pois perto do final do sexto dia, D’us colocou uma alma divina num corpo que Ele fez de terra e barro: o ser humano. Na sétima página, não há nenhum relato, pois ela foi separada por D’us para que nela, ele pusesse a sua assinatura. Ao observar o dia de Shabat, mostramos que acreditamos em D’us como o Criador de todo o universo, e assim fechamos qualquer brecha para idolatria.

A palavra Zakhor (זכור) “lembra-te” em hebraico, vem do verbo Zakhr (זכר) literalmente “lembrar”. Esse verbo da origem ao substantivo Zekhot (זְכוּת) que significa: privilégio, benefício, vantagem, recompensa, favor. Lembrar do Shabat é uma privilégio, pois O Santo Bendito Seja Ele, tem bençãos para todos aquele que lembram do Shabat para o Santificar. A gematria final da palavra Zakhor é 8, a mesma gematria do nome do Santo Bendito Seja Ele (יהוה), isso é incrível ! Lembrar de guardar o Shabat, é lembrar e reconhecer que D’us é o Criador de todas as coisas. Com essa mesma gematria, nós temos as palavras: Even (אבן) pedra; Torah (תורה) “lei”; Yeshua (ישוע). Pedra nas escrituras hebraicas significa exatamente memória, memorial, testemunho.
“E escreveu ali (Yehoshua) sobre as pedras uma cópia da Torah de Moshê, a qual escreveu na presença dos filhos de Israel.”(Yehoshua 8:32) “Então Ya’akov pegou uma pedra e a ergueu como monumento (…) E Lavan disse: “Este monumento é hoje uma testemunha entre mim e você”. Portanto, ele o chamou de Gal ed”. (Bereshit 8:45,48) “Assim morreu Rahel e foi sepultada no caminho de Efrata, que é Belém. E Ya’akov ergueu um monumento (pedra) sobre o seu túmulo; essa é a lápide de Rahel até hoje.” (Bereshit 35:19-20)
Lembrar do Shabat é lembrar que a Torah é Eterna, pois foi escrita em pedras como testemunho de que no mundo vindouro o Shabat será sempre lembrado.
O Shabat aparece pela primeira vez na Torah, ainda no relato da criação.
ויברך אלהים את יום השביעי ויקדש אתו כי בו שבת מכל מלאכתו אשר ברא אלהים לעשות
E abençoou Elohim o dia sétimo e separou ele como sinal, porque nele cessou todo trabalho dele, que Elohim criou para fazer. (Bereshit 2:3)
Como já mencionei anteriormente, O Santo Bendito Seja Ele, separou (como um sinal de aliança ligando a ele todos quantos guardarem esse dia) o Shabat dos demais dias e o encheu de bençãos para todos aqueles que honrarem esse dia sagrado. Os sábios judeus trazem um comentário bem interessante sobre esse versículo, veja alguns:
Even Ezra comenta: “Uma bênção significa um aumento no bem-estar. No Shabat o corpo é abençoado com uma renovação da sua força reprodutiva e a alma com um aumento nas suas capacidades intelectuais e de raciocínio.
Rashi comenta: “Ele abençoou através do Maná, para que em todos os outros dias da semana caísse para eles (os israelitas) um Omer para cada pessoa, enquanto no sexto dia deveria cair duas vezes tanto daquele pão. Assim, também, Ele o santificou através do Maná, para que não caísse no sábado ( Bereshit Rabá 11:2 ). Este versículo está escrito aqui com referência ao que aconteceria no futuro.
Radak comenta: “Sim, isso se refere à adição de algo benéfico. O sétimo dia se distingue pelo fato de desfrutar de um bem adicional, ou seja, de bênçãos divinas adicionais. Estas consistem no fato de que o judeu tem a oportunidade de estudar a Torá em um ambiente tranquilo e sem pressa, permitindo-lhe obter o máximo benefício de tal estudo. D’us estendeu esta bênção no momento em que ordenou ao povo judeu que observasse este dia como um dia de “descanso”, santificando esse dia.”
O profeta Yeshayahu profetisa(58:13-14):
“Se você impedir o seu pé por causa do Shabat, de realizar seus negócios no Meu santo dia, e chamar o Shabat deleitoso, o santo dia de Adonay honrado, e você o honrar não seguindo seus caminhos habituais, não seguindo seus assuntos e falar palavras.
Então te deleitarás em Adonay, e te farei cavalgar sobre os altos da terra, e te darei de comer da herança de Ya’akov, teu pai, porque a boca de Adonay falou.”
O comentário dos sábios sobre essa benção posta sobre o Shabat para quem o guarda, faz todo sentido. Eu, todavia, prefiro me agarrar ao que disse o profeta Yeshayahu. Todo judeu sabe na prática o quão é especial esse dia, e quão feliz é aquele que o guarda.
O SHABAT E O SÉTIMO MILÊNIO
O Talmud ensina que os seis dias da Criação correspondem aos seis mil anos de história humana. O sétimo dia, Shabat, corresponde ao sétimo milênio, o “dia em que todos os dias serão Shabat”. Em seu comentário sobre a Torah, Nachmanides cita o verso do Tehilim que afirma: “Mil anos em Seus olhos são como um dia que se passou” (Tehilim 90:4), e explica como cada um dos seis dias da Criação está associado a um dos milênios da história humana. Shabat, o dia sagrado de descanso e deleite, é o sétimo e último dia da semana. Corresponde ao sétimo milênio, a Era Messiânica – a era em que todo o mundo será permeado pela Shechiná – a Presença Divina. Nesses mil anos, a santidade, a bondade e o deleite preencherão o mundo e a humanidade nunca mais conhecerá o sofrimento e a morte.
A Torah nos ordena trabalhar durante os seis dias da semana, para que possamos nos aperfeiçoar e melhorar o mundo que nos foi confiado por Aquele que o criou. O sétimo dia, Shabat, é um alívio garantido que ocorre ao final da semana. O mesmo vale para a história da humanidade. Por quase seis mil anos, a humanidade trabalhou para melhorar o mundo e tornar a vida nele melhor para seus habitantes. Com o advento do sétimo milênio, os seres humanos, judeus e não judeus, poderão desfrutar dos frutos de seu trabalho. De fato, a história humana tem início e destino, um destino feliz para todas as pessoas de bem. Por meio do Shabat, foi dado ao Povo Judeu um vislumbre do Mundo Vindouro, a utopia que muito em breve chegará. Toda semana, durante um dia, somos lembrados do propósito máximo e do destino da Criação, a era em que o mundo todo será aperfeiçoado e se deleitará com a Luz do Infinito.
“E ali não haverá mais noite, e não necessitarão de lâmpada nem de luz do sol, porque o Senhor D’us os ilumina; e reinarão para todo o sempre.” (Hizaion/apocalipse 22:5)
As pessoas que não querem guardar o Shabat, argumentam que esse mandamento foi dado aos judeus como um memorial de sua libertação do Egito. Esse argumento não está totalmente errado, pois de fato o Shabat também representa isso para os judeus. No entanto, eu faço questão de esclarecer alguns pontos relevantes sobre essa argumentação.
1° ponto: O Shabat foi estabelecido no Gan Eden (Jardim do prazer), quando só havia um casal, nossos pais, Adam e Chavá. Portanto, o Shabat não foi dado para uma etinia, mas para a humanidade.
2° ponto: As escrituras deixa claro que o Shabat é o memorial da criação de Adonay, é a assinatura dele como o Único autor de todas as coisas.
3° ponto: Se o Shabat foi dado para um povo (etnicamente falando) que foi liberto do Egito. É Justo salientar que esse povo não é apenas o povo judeu, pois é dito na Torah que uma grande multidão de povos mistos saíram do Egito junto com os hebreus. Essa grande multidão era formada por pessoas de setenta nações.
4° ponto: Os povos que saíram do Egito, de fato receberam o Shabat como um memorial de sua libertação, isso implica que dizer que eles têm motivos duplos para guardar o Shabat.
SHABAT, UMA CONEXÃO DIRETA COM OS CÉUS

O Shabat foi separado desde a criação para um propósito específico. O propósito do Shabat é de nos conectar diretamente com o Santo Bendito Seja Ele. O Shabat não é apenas um dia de folga dos nossos afazeres diários, o Shabat é o dia de nos conectarmos com D’us e os céus. Uma má tradução das escrituras sagradas, não mostra com clareza a grandeza de se guardar esse dia, que é tão especial para nós e para Adonay.
Shemot/Êxodo 31:14-15 NTLH
“Portanto, guardem o dia de descanso porque ele é santo para vocês. Quem não o guardar, mas trabalhar nesse dia, deverá ser morto. Vocês têm seis dias para trabalhar, porém o sétimo dia é o dia solene de descanso, separado para mim. Quem fizer qualquer serviço nesse dia deverá ser morto.”
Essa é uma das piores traduções que existe concernente a esse texto. Essa tradução omite a palavra Shabat, permitindo ao leitor escolher o seu próprio dia de descanso e torná-lo santo. Ainda enfatiza a ideia de que o leitor deve trabalhar durante os seis dias da semana, que vai de segunda ao sábado, e descansar no sétimo dia, que nesse contexto sistemático e enganoso é o domingo. Porém, essa não é a pior tradução, apior tradução nós vamos ver agora.
Tradução da NVB
“Descansem, pois, nesse dia, porque é santo. Quem desobedecer morrerá. Quem fizer qualquer trabalho nesse dia, será morto. Por isso, trabalhem seis dias da semana, e descansem no sétimo dia.”
Essa tradução é péssima, não é digna de comentários. Agora vamos ver esse texto em seu idioma original, o hebraico.
Shemot 31:14-15 BH
ושמרתם את השבת כי קדש הוא לכם מחלליה מות יומת–כי כל העשה בה מלאכה ונכרתה הנפש ההוא מקרב עמיה
Guardem O Shabat porque ele é Separado para vocês, e quem o profanar (tornar comum), morte morrerá (certamente morrerá), porque todo que fizer trabalho nele, será cortada essa alma do meio do povo dela.
ששת ימים יעשה מלאכה וביום השביעי שבת שבתון קדש ליהוה כל העשה מלאכה ביום השבת מות יומת
(Em) seis dias farás trabalho, e no dia sétimo é Shabat de descanso completo, separado para Adonay, todo que fizer trabalho no dia do Shabat, morte morrerá (certamente morrerá)
No versículo 14 é dito que o Shabat é separado para nós, e no versículo seguinte é dito que o Shabat é separado para Adonay. O termo hebraico é Kadosh (קדש) que geralmente é traduzido como “Santo ou Sagrado”. Porém, o que vamos fazer agora, é devolver a palavra hebraica “Kadosh” para a sua semântica e desmistificar a palavra “Santo” A palavra santo nos a remete a algo ou alguém puro, sem defeito, perfeito, dotado de unção, espiritualidade, e lamentavelmente a imagens de escultura religiosa.
Kadosh (קדש ) literalmente “Separado”, vem da raiz Kadash (קדש) que significa “ser separado”. Desse mesmo radical nos temos a palavra Kodesh (קדש) usada para objetos ou lugares separados com um propósito específico. Também, dessa mesma raiz nós temos o substantivo masculino Kadesh (קדש) que era usado para um prostituto cultual nos templo religiosos dos cananeus, e sua forma feminina era Kedesha (קדשה), prostituta cultual.
לא תהיה קדשה מבנות ישראל ולא יהיה קדש מבני ישראל
“Não haverá (Kedesha) prostituta entre as filhas de Israel, e não haverá (Kadesh) prostituto entre os filhos de Israel.(Devarim/Deuteronômio 23:18)
Assim, dissipamos a ideia equivocada sobre o termo hebraico “Kadosh” e ainda o devolvemos para sua semântica original. Kadosh significa Separado. Tudo quanto é separado, é para um propósito específico, por exemplo:.
Utensílios do Templo e seus significados
A Mesa dos Pães:

Essa mesa que tinha o propósito de exibir os pães e mantê-los, ela se chamava Mesa dos Pães. Assim, a cada Shabat, os sacerdotes comiam estes Pães da Proposição no, e os pães frescos eram então colocados nessa mesa. A saber, Muitos milagres aconteciam com estes pães, em especial eles nunca perdiam o seu frescor.
A taça da benção

No Tabernáculo os Sacerdotes comiam suas refeições com vinho, de forma a buscar demonstrar o controle da mente sobre o corpo. De fato, havia então, no Tabernáculo, um cálice espeical usados nos rituais de bençãos antes e após as refeições.
O Óleo da Unção

O Óleo da Unção discutido na Bíblia era extraído de plantas, em especial as azeitonas. A saber, este azeite foi inicialmente feito por Moisés no deserto, e depois parte da sua produção envolvia misturar este Azeite original com o azeite novo. Decerto, ele foi usado para muitos propósitos diferentes. Porém o seu usuo mais comum era para a Menorá no Templo.
Menorá

A Menorá é um grande candelabro, com sete ramos. Ela estava dentro do santuário do Templo e do Tabernáculo. A Menorá era iluminada e limpa pelos Sacerdotes todos os dias em um ritual. A luz da Menorá simboliza a tocha da verdade e justiça. Por isso a Menorá iluminava não só o Templo mas como o mundo todo. Certamente, as sete lâmpadas do candelabro se referem aos sete dias da semana. Este sem dúvida é um dos mais importantes untesílios do templo.
Altar do Incenso

O Altar do Incenso era usado diariamente. Incensos eram oferecidos no Altar do Tabernáculo sempre por uma Sacerdote diferente. Aliás, cada sacerdote tinha o mérito de usar o Altar do Incenso uma única vez em toda a sua vida. Este Incenso era muito especial e feito por diversas especiarias, muitas delas não encontradas hoje em dia.
O Lavatório do Tabernáculo da Emunah

O lavatório era uma espécie de recipiente de cobre com torneiras na parte exterior, assim ele era usado por Aarão e seus filhos, para lavar as mãos e os pés, bem antes dos serviços sagrados.
A Arca da Aliança

Este sem dúvidas era o utensílio mais importante do Tabernáculo da Emunah. Por exemplo. depois da construção do Templo de Jerusalém, a Arca da Aliança esteve presente no Templo de Salomão, porém não mais no Segundo Templo de Jerusalém. Em suma, é certo que ela em si tinha uma importância inestimável, porém o mais importante é o que ela guardava dentro dela. Portanto, a Arca da Aliança guardava os seguintes objetos:
As duas tábuas da Torah; a vara de Aarão; e um vaso com o maná.
Agora vamos voltar para o Shabat
O Shabat foi separado para nós e para Adonay, isso nos ensina que no Shabat há uma conexão direta entre a terra e o céu, entre os que guardam o Shabat e D’us. Seis dias trabalhamos, e no sétimo dia, O Shabat, nos aproximamos mais de Ha’Shem e ele de nós. Da mesma maneira que celebramos o Shabat aqui na terra, assim é feito no céu.
SHABAT NA B’RIT CHADASHÁ
Sendo o Shabat tão importante, porque não há uma ordem legal na B’rit Chadashá para guarda-lo ? Essa é uma pergunta muito boa, e muito fácil de responder. Vamos usar o exemplo das pautas.
No direito, um juiz usa uma pauta para averiguar as relações das datas e feitos que vão ser julgados. A locução adverbial “em pauta” significa alguma coisa deve ser debatida, ou está na ordem do dia. Por exemplo: Temos que falar sobre esse assunto amanhã, porque ele não está em pauta. A pauta de uma reunião é uma espécie de documento onde se encontram os tópicos que devem ser abordados durante a determinada reunião.
Na política, uma pauta é o conjunto de temas que compõe as preocupações ou problemas atuais de um determinado órgão do governo. Por exemplo: Um senador apresenta, no congresso nacional, uma pauta relatando todos os problemas do seu respectivo estado. Tipo:

Porque o setor agrícola e turístico não está em pauta ? A resposta é simples: Atualmente, o Rio grande do Norte não sofre com problemas nesse setor.
Vamos a mais um exemplo, bem simples e prático:
Pedro é casado com a Joyce, ambos são os pais do Miguel e do Júlio, adolescentes de 13 e 15 anos. O Pedro e a Joyce saem para trabalhar às 6:00, e retornam somente as 16:00 horas. Enquanto isso, o Miguel e o Júlio, em período de férias escolares, cuidam da casa na ausência dos pais. Certo dia, O Pedro voltou do trabalho mais cedo, e chegando em casa encontrou o Júlio regando as lindas roseiras do jardim, enquanto o Miguel via tv na sala. Pedro perguntou para o Júlio a quanto tempo ele pegava o jardim. Júlio respondeu que fazia desde o primeiro dia que ficou de férias. Pedro ainda perguntou ao Júlio se o Miguel fazia o mesmo, e Júlio disse que não. Em conversa com a Joyce, Pedro elaborou uma lista com algumas tarefas e as deu para seus filhos. Na lista do Miguel havia uma tarefa a mais, justamente regar o jardim. Miguel perguntou para o seu pai, por qual motivo havia uma tarefa a mais em sua lista. O Pedro respondeu dizendo: ” Há quanto tempo você rega o jardim ?” Miguel, baixando a cabeça respondeu: “Eu não rego o jardim” Pedro continuou a conversa com seu filho, dizendo: Você acha justo cobrar do seu irmão algo que ele já faz ?
Ilustração didática

Não há nenhuma ordem legal para guardar o Shabat nos Escritos dos Nazarenos porque o Shabat já era guardado. O Shabat não era um problema vigente na época.
“E alguns dentes os homens receberam prontamente a sua palavra e creram, e foram imersos. E foram acrescentadas naquele dia cerca de três mil almas. E eles estavam firmes no ensino dos Sh’lichim (apóstolos), e se associavam na oração e no pedaço do pão.”(Atos 2:41-42)
As pessoas querem sustentar a ideia equivocada de que não é preciso guardar o Shabat na “nova aliança” porque no concílio de Jerusalém ele não é mencionado. Nesse estudo você acabou de ver o exemplo das pautas. Mas, para acabar de vez com as dúvidas, vamos ao contexto do concílio de Jerusalém.
“E uns homens desceram de Yehudá e ensinavam aos irmãos: Se vocês não se circuncidarem, segundo o costume da Torah, não poderão ter a vida eterna. E Shau’l e Bar Naba tiveram muita perturbação e disputa com eles. E aconteceu que subiram Shau’l, Bar Naba e outros com eles aos Sh’lichim e anciãos, que estavam em Jerusalém, por causa da disputa”.(Atos 15:1-2)
Nesse concílio houve a discussão se os gentios que seguiam Yeshua deveriam observar o mandamento da circuncisão. Inicialmente, alguns Talmidim (discípulos) entenderam que sim, eles necessitariam fazer a circuncisão. O texto deixa bem claro que esse é o contexto, ou seja, o assunto em pauta, e não o Shabat. Seguindo com o texto, vamos encontrar a decisão final dos Sh’lichim liderados por Ya’akov (Tiago) irmão de Yeshua.
“Por causa disso, eu digo que eles não devem pressionar aqueles que dentre os gentios se voltaram para Elohim. Mas que lhes seja enviada (esta halachá): Que se apartem da impureza do que é sacrificado (aos ídolos), da prostituição , do que é sufocado e do sangue. Porque Moshê (Torah), desde as primeiras gerações, tem em toda a cidade pregadores nas sinagogas, que em todos os Shabatot (Sábados) o lêem.”(15:19-21)
Esses quatros mandamentos são requisitos inegociáveis para quem está fazendo Teshuvah (arrependimento). A parada, ou seja, abstinência tem que ser de forma imediata. Agora vale apena notar que o Shabat é mencionado aqui, não como uma ordenança legal, pois já mostrei que não era necessário. Seja um ser pensante e não fique nessa bolha que está prestes a estourar. Pense comigo agora:
Porque Ya’akov diz que em todos os Shabatot, a Torah era ensinada ? Ora ora, é claro que a Torah era ensinada aos Shabatot porque o Shabat era guardado. E outra coisa, como ensinar a Torah no Shabat e não ensinar a observância do mesmo ? São perguntas que um ser pensante não precisa quebrar a cabeça para encontrar as respostas, não é mesmo ? Repito: O assunto discutido aqui era a circuncisão e não o Shabat, pois o Shabat não era, nunca foi problema para os seguidores de Yeshua.
Outro texto usado por aqueles que desprezam o Shabat de Adonay, é Romanos 14:5; vamos ao texto e seu contexto:
“A quem julga dia sobre (outro) dia, e há quem julga todos os dias. Mas todo homem deve firmar-se em sua própria mente.”
Sobre esse versículo, comenta o Rosh Tsadok: “Shau’l está tratando da divisão entre os irmãos que foi causada pelo pelo fato de existirem discípulos que seguiam calendário judaico tradicional, enquanto outros, provavelmente essênios, adoravam calendário diverso. Eis a conclusão de Shau’l: a distinção de calendário não pode ser motivo de contenda e separação entre os irmãos “.
Para concluirmos esse estudo Especial de Shabat, vamos agora entender porque que Yeshua era acusado de transgredir o Shabat ao realizar curas nele.
YESHUA E A CURA NO DIA DO SHABAT


A cura da mulher mulher encurvada
“E ensinava Yeshua no Shabat, numa das sinagogas.E eis que estava ali uma mulher que tinha um espírito de enfermidade, havia já dezoito anos; e andava curvada, e não podia de modo algum endireitar-se.E, vendo-a Yeshua, chamou-a a si, e disse-lhe: Mulher, estás livre da tua enfermidade.E pôs as mãos sobre ela, e logo se endireitou, e glorificava a Elohim. E, tomando a palavra o lider da sinagoga, indignado porque Yeshua curava no Shabat, disse à multidão: Seis dias há em que é mister trabalhar; nestes, pois, vinde para serdes curados, e não no dia de Shabat. Respondeu-lhe, porém, o Senhor, e disse: Hipócrita, no Shabat não desprende da manjedoura cada um de vós o seu boi, ou jumento, e não o leva a beber?E não convinha soltar desta prisão, no dia de sábado, esta filha de Avraham, a qual há dezoito anos Satanás tinha presa? E, dizendo ele isto, todos os seus adversários ficaram envergonhados, e todo o povo se alegrava por todas as coisas gloriosas que eram feitas por ele.”(Lucas 13:10-17)
Curar nunca foi uma transgressão da Torah, curar no Shabat nunca foi considerado um trabalho. Então porque Yeshua era acusado de transgredir Shabat por realizar curas nele. Para compreendermos essa questão, precisamos conhecer os aspectos culturais e religiosos da época de Yeshua, época essa que contava com bastantes médicos e curandeiros.
A MEDICINA NA ÉPOCA DE YESHUA

A sociedade da época não contava com um sistema de saúde pronto e eficiente como temos hoje, longe disso. As pessoas enfrentavam muitos problemas de saúde, as enfermidades eram diversas, e tudo isso se dava por causa das más condições de vida que era uma realidade em massa. A água por exemplo, era péssima. Havia fontes de águas potáveis, todavia essa água era canalizada para Roma, o império dominante da época. Encontramos uma referência a esse fato na própria B’rit Chadashá:
“Não bebas mais água só, mas usa de um pouco de vinho, por causa do teu estômago e das tuas freqüentes enfermidades.”(1 Timoteos 5:23)
Existiam médicos formados em escolas capacitadas (especialmente as de Alexandria no Egito), o que equivaleria para a época a um curso superior, mas também havia os charlatões desprovidos de qualquer preparo medicinal. Eles atendiam em suas próprias casas e também na casa dos enfermos e quem necessitasse de um atendimento deveria confiar sua vida na mão de um. Eles eram muito mal vistos, pois, a medicina na época era muito limitada e não tinha cura para muitas doenças, o que o médico podia fazer na maioria das vezes era melhorar o padrão de vida de um enfermo, mas não curá-lo. Também naquela época quem tinha melhores condições financeiras era melhor e mais rapidamente atendido, enquanto que os pobres morriam e acabavam vítimas de suas enfermidades. Algumas pessoas apreciavam os médicos, mas a maioria tinha medo ou desprezo por eles, muitos os achavam os piores criminosos da terra. Havia provérbios naquela época que mostravam bem isto:
“Todos os médicos até mesmo os melhores mereciam o Geena (inferno). Não more numa cidade governada por um médico. Abençoados sejam os médicos que não cobram preços elevados.”
O honorário dos médicos era sempre uma questão delicada que dividia as opiniões, muitos achavam que eles não deviam cobrar pelo seu trabalho, outros achavam que sim. Os rabinos da época debatiam entre si sobre o honorário dos médicos. Alguns aconselhavam as pessoas que não utilizassem médicos caros demais, pois eles o consideravam como ladrões do seu povo. Por outro lado, havia os que aconselhavam a procura dos médicos que cobravam caro, pois os consideravam como bons, ao passo que os que cobravam pouco eram considerados ruins. Encontramos mais um relato interessante sobre os médicos na B’rit Chadashá:
“ E uma mulher, que tinha um fluxo de sangue, havia doze anos, e gastara com os médicos todos os seus bens, e por nenhum pudera ser curada.”(Lucas 8:43)
Em contraste com os médicos, havia também os curandeiros. Estes se aproveitavam da desconfiança das pessoas com relação aos médicos, e cobravam um preço justo, acessível a população. Geralmente eles realizavam as curas escondidos devido a rivalidade com os médicos.
Nesse ínterim, aprece Yeshua Ha’mashiach curando e realizando milagres, sem cobrar nada. Agora você vai começar a entender porque Yeshua era acusado de transgredir o Shabat ao realizar curas nele. Como foi explicado nesse estudo, tanto os médicos quanto os curandeiros, cobravam por seus trabalhos, e isso era independente da hora, do lugar e da circunstância. No Shabat sempre foi proibido a comercialização no que tange ao dinheiro.
“E os tírios [que] peregrinavam ali traziam peixes e todos os [tipos de] mercadorias e vendiam no Shabat ao povo da Judéia e em Jerusalém. E briguei com os dignitários da Judéia e lhes perguntei: “Que maldade é essa que vocês estão fazendo, profanando o dia de Shabat ? Não fizeram isso os vossos antepassados, e o nosso D’us trouxe sobre nós toda esta calamidade, e sobre esta cidade, e vocês estão aumentando a ira sobre Israel ao profanarem o Shabat ?”(Nechemya 13:16-18)
Os líderes das sinagogas, muitas vezes pensavam que Yeshua era mais um dos médicos ou curandeiros da época que cobravam por seus serviços. A “transgressão” de Yeshua, segundo os líderes que o acusavam, era de comercializar, receber dinheiro, pagamento no dia do Shabat. Note que no relato da mulher encurvada o líder da sinagoga não acusa apenas Yeshua, mas as pessoas também. Ele disse:
“Seis dias há em que é mister trabalhar; nestes, pois, vinde para serdes curados, e não no dia de Shabat.“
Em outras palavras, ele estava dizendo: “Durante seis dias vocês podem gastar o dinheiro de vocês, venham gastar esse dinheiro nesses dias, mas não no Shabat.”
Porém, Yeshua nunca violou o Shabat nem qualquer outro mandamento da Torah. Yeshua repreendeu aquele líder da sinagoga dando-lhes uma bela lição de moral deixando-o todos os seus opositores envergonhados.
Chegamos ao fim desse maravilhoso e especial estudo de Shabat.
E finalizo dizendo:
LEMBRA-TE DO DIA DO SHABAT PARA SEPARA ELE
AMÉN


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