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Gostaria primeiramente de agradecer por você estar aqui conosco, isso mostra que você é uma pessoa muito especial em busca de conhecimento. No nosso blog você encontrará semanalmente, estudos das Sagradas Escrituras (Bíblia) e com isso você poderá acompanhar de perto o que D’us tem para você através de sua palavra. É uma honra para nós, poder apresentar para você o estudo de hoje.
Observação: Este (breve) estudo é uma pesquisa do Caminho da Teshuvah com base no comentário do Rav Yehoshua da Sinagoga Emunah Sh’lemah.
Introdução
Pode haver um presente melhor para uma mãe e um pai do que a salvação de seus filhos?
D’us nos deu filhos e colocou-os sob a nossa responsabilidade e autoridade espiritual. Não é fácil cuidar desses filhos, muitos dias são bem difíceis, mas para os pais não existem palavras que expressem a gratidão e o amor que sentem por essa dádiva e oportunidade. Assim como existem pais que se alegram e são gratos por seus filhos, há também aqueles que sofrem e choram por aqueles filhos que fizeram escolhas erradas, que não aceitam a orientação e conselhos dos pais, que não se relacionam bem com eles, que estão confusos e perdidos, que estão doentes, que estão em caminhos de trevas.
Sabemos que o mundo todo enfrenta o drama com as drogas. A cada dia o tráfico de entorpecentes espalha seus tentáculos no intuito de levar mais e mais pessoas ao consumo desenfreado de drogas ilícitas. Por outro lado vemos que as drogas lícitas, como álcool acabam se tornando um problema que leva a destruição de muitas famílias. É justamente esses aspectos que muitas vezes é esquecido pois além do dependente os seus parentes sofrem junto com ele especialmente os pais. Milhares de pais, especialmente as mães, no Brasil e além, oram incessantemente a D’us pedindo a libertação para seus filhos deste mundo de horror. Principalmente os pais Cristãos, que seguem a religião. Muitas vezes, eles fazem campanhas, jejuns e até votos em prol da libertação dos seus filhos. Esses pais encontram esperanças dentro dos textos sagrados (Bíblia), inúmeros são os versículos que motivam os pais a orar pelos seus filhos, e isso é bom e justo. Todavia, existem alguns textos da Escritura Sagrada que são mal interpretados, mal compreendidos. É o que veremos a seguir.
“Crê no Senhor Yeshua (Jesus) o Ungido (Cristo) e serás salvo, tu e tua casa”(Atos 16:31)
Já ouvi muitos pregadores usando esse texto para trazer alguma esperança às pessoas, dizendo que existe uma promessa de D’us na Bíblia que garante a salvação de todos os seus parentes, mais cedo ou mais tarde, se você crer em Yeshua (Jesus). Mas será que esse texto realmente significa isso? Para compreender corretamente essa expressão, precisamos fazer algumas considerações importantes e, então, chegar a uma conclusão:
A primeira consideração que devemos fazer, é entender a diferença entre um texto narrativo e normativo. A segunda consideração é entender o contexto do texto, e o contexto histórico. Seguem as definições abaixo:
Textos normativos são textos que estabelecem normas e regras, e que têm como objetivo garantir direitos ou impor obrigações.
Textos narrativos é um tipo de texto que conta uma história, apresentando os personagens, o tempo e o espaço em que os acontecimentos se passam.
Contexto de um texto é o conjunto de circunstâncias que rodeiam o acontecimento ou fato que o texto aborda, e que permitem a sua correta compreensão. O contexto é fundamental para a comunicação efetiva (capacidade de transmitir uma mensagem de forma precisa e compreensível). Quando não entendemos o contexto, podemos interpretar erroneamente as coisas.
Contexto histórico é o conjunto de circunstâncias que envolvem um determinado momento, como o cenário político, social, econômico ou cultural. Ele é importante para a compreensão de informações e comunicação efetiva.
Contexto do texto – Atos 16:31
Shau’l (Paulo) e seus companheiros estavam em viagem missionária em Filipos, na Macedônia (Atos 16.12), e ali pregam a palavra de D’us poderosamente. Ali se converteu Lídia e toda a sua família (Atos 16:14-15). Ali também Shau’l expulsou um demônio de uma jovem que fazia adivinhações e dava muitos lucros a certos homens. Por estar liberta, a jovem parou de fazer suas adivinhações e os seus “donos”, por não terem mais lucro com ela, impuseram-se com violência contra Shau’l e Silas, acusando-os veementemente de cometerem crimes ali e colocando toda a cidade contra eles. Por isso, eles foram lançados na prisão (Atos 16:16-23).
Nesse contexto eles estavam sendo guardados por um carcereiro, que tinha a responsabilidade de fazê-los ficar presos conforme o determinado pelas autoridades superiores. Acontece, porém, que D’us age através de um terremoto e abre todas as portas e as correntes que prendiam os prisioneiros (Atos 16:26), o que fez o carcereiro se desesperar e tentar tirar a própria vida:
“Quando o carcereiro acordou e viu que as portas da prisão estavam abertas, ele pegou uma espada e quis se matar, pois pensou que os prisioneiros tinham escapado”.(vs 27)
Porém, foi impedido pelo Rav Shau’l, que o tranquilizou dizendo que nenhum preso havia fugido (Atos 16:28). Após essa manifestação grandiosa do poder de D’us, o carcereiro ainda atônito pergunta:
“Senhores, que devo fazer para ser salvo?”(vs 30)
A resposta é clara e objetiva:
“Crê no Senhor Yeshua (Jesus) o Ungido (Cristo) e serás salvo, tu e tua casa”.(vs 31)
Este versículo não pode ser considerado isoladamente, pois fere o principio dos ensinamentos de Yeshua e seus Talmidim (discípulos) que a salvação é individual, não coletiva. Assim esse texto não pode ser compreendido como sendo uma promessa de que D’us salva todos os familiares daqueles que creem em Yeshua Ha’Mashiach (Jesus Cristo). A pergunta do carcereiro e a resposta de Shau’l e Silas devem ser consideradas à luz do contexto histórico.
Contexto histórico – Atos 16:31
A cidade de Filipos era uma colônia romana. E por ela passava a estrada Egnatia, uma das mais importantes naquele tempo, que unia o Ocidente ao Oriente. Essa cidade era a porta de entrada para o continente europeu. Filipos tinha uma população constituída, em sua grande maioria, de militares aposentados. Esses homens possuíam a cidadania romana, que lhes dava muitos privilégios, como, por exemplo, a isenção de impostos. Além do mais, Filipos era uma cidade de cultura grega e seguia a religião imposta por Roma. O império romano respeitava o politeísmo de cada cidade desde que o imperador fosse obedecido como o único “Senhor” ou “Kyrios” no idioma grego. As pessoas que não se submetiam ao esquema estabelecido eram perseguidas.
Como ocorre com outras forças militares, antigas e modernas, o exército romano adotava uma extensa lista de condecorações por bravura e um conjunto de punições por transgressões disciplinares ou covardia. O império romano era extremamente violento ao aplicar essas punições aos soldados do seu exército. As punições variavam de acordo com a transgressão cometida pelos soldados.
Conforme o contexto do texto que trouxemos aqui, em Filipos, Shau’l e Silas foram arrastados perante os magistrados civis, que ordenaram que fossem espancados com varas, e “depois de lhes terem infligido muitos golpes, lançaram-nos na prisão, ordenando ao carcereiro que os mantivesse seguros. Ele (carcereiro), por ter recebido tal ordem, lançou-os na prisão interior e prendeu os seus pés no tronco”. (At 16:22-24)
[ Os carcereiros frequentemente torturavam cruelmente os presos, daí serem chamados de basanistés (torturador). Por exemplo, os devedores eram às vezes lançados na prisão por deixarem de pagar o que deviam. Ali, o carcereiro talvez os açoitasse e torturasse, e não seriam soltos até que, como Yeshua disse, tivessem ‘pago a última moeda de pouco valor’(Mt 5:25-26) ]
Daí, no meio da noite, um grande terremoto abriu todas as portas da prisão. Isto fez com que o carcereiro imaginasse que os presos tinham escapado, e compreendendo o severo castigo que receberia neste caso, estava prestes a se matar quando Shau’l o avisou de que todos estavam ali.
“E Shau’l gritou em alta voz e disse-lhe: Não te faças mal, pois estamos todos aqui.”(vs 28)
Se os presos escapassem, os carcereiros eram passíveis de sofrer a pena imposta pelas autoridades, segundo o costume romano. Por isso, quando Keyfa (Pedro) foi liberto da prisão por um Malach (“anjo”), lemos que Herodes examinou os guardas e mandou que fossem levados à punição.
“E Herodes, quando o procurou, e não o pôde encontrar, acusou os guardas, e condenou-os à morte. E ele partiu da Judeia, e residiu em Cesareia.”(Atos 12:19)
Não se sabe ao certo o que levou este homem a estar nessa profissão (carcereiro), mas podemos imaginar como não é fácil se expor ao perigo de trabalhar em um local como as prisões daquela época. No momento do terremoto, aquele carcereiro estava dormindo, isso já lhe causaria uma punição chamada fustuatium, quando deveria estar em alerta, de guarda a fim de que tudo estivesse na mais perfeita normalidade dentro da prisão.


Fustuatium: Um legionário que for pego dormindo durante uma guarda ou desertando da legião será severamente espancado com o flagrum, o chicote usado com escravos. Se o crime for cometido em ato de campanha militar, o soldado será açoitado até a morte em público. A sentença é proferida pelos oficiais militares de mais alta patente da legião, com patente mínima de tribuno militar. Uma vez decidido o destino do legionário, o legionário é tocado com a alça do flagrum e então seus companheiros o espancam até a morte com pedras, chutes ou flagrum.
Todavia, essa não foi a punição que levou o carcereiro tentar o suicídio. A punição que ele sofreria por deixar os presos fugirem era muito mais severa do que essa. Lembra da pergunta do carcereiro?
“O que deve fazer para ser salvo?”
Lembra da resposta de Shau’l e Silas?
“Crê no Senhor Yeshua (Jesus) e serás salvo, tu e tua casa“
Agora você vai entender o porque dessa resposta. A punição que o carcereiro sofreria, neste caso, seria a sua morte e também da sua família. O carcereiro era forçado a ver os filhos sendo executados, depois a esposa e por último ele seria executado. Por isso, os Shilichim (apóstolos) disseram:
“tu e tua casa”.
Por tanto, esse versículo em nenhum momento promete salvação para a família daquele que serve a D’us individualmente. É certo que a família do carcereiro, após essa grande manifestação do poder de D’us, foi evangelizada por Shau’l e Silas.
“E falaram a ele a palavra do Senhor, e a todos os que eram da sua casa. E ele os tomou naquela hora da noite e lavou suas feridas; e então foi batizado naquela mesma hora, ele e toda a sua casa. E quando ele os levou para sua casa, ele colocou comida diante deles; e ele e todos os membros de sua família se alegraram, crendo em D’us.”(vs 32-34)
Dessa forma, vemos que a salvação deles veio através da pregação da Palavra e de D’us e da fé em Yeshua e não por causa da fé do carcereiro apenas. Se alguma das pessoas da família do carcereiro não cressem no Ungido (Cristo) não seriam salvas. Foram salvos porque creram, o que está condizente com as Escrituras Sagradas. Devemos ter esperança na salvação da nossa família e trabalharmos para isso. Porém, não é a nossa fé que os salvará automaticamente.
Não esqueça! A resposta dada ao carcereiro “Crê no Senhor Yeshua e serás salvo, tu e tua casa” deve ser considerada dentro do contexto histórico. O carcereiro e toda sua casa iriam morrer, mas a graça salvadora do Eterno por meio de Yeshua livrou-os da morte.
Abençoado Seja O Eterno


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