
Shalom!
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Antes de tudo, queremos agradecer por você estar aqui conosco — sua presença mostra que você é uma pessoa especial, em busca de conhecimento e verdade nas Escrituras. Neste espaço, você encontrará semanalmente estudos das Sagradas Escrituras (Bíblia) dentro do contexto original, explorando com profundidade a Tanach (“Antigo Testamento”) e a Brit Hadasha (“Novo Testamento”). Assim, poderá acompanhar de perto o que Deus tem para revelar a você por meio de sua Palavra. É uma honra para nós apresentar a você o shiur (estudo) de hoje. Que ele seja uma fonte de luz, entendimento e crescimento espiritual.
Bkriyah tovah (Boa leitura).
A luz dissipando as trevas — Yeshua desfazendo as obras do diabo
Introdução
Por não reconhecerem que Yeshua é o Mashiach prometido ao povo de Israel, muitos dentro do judaísmo ortodoxo se esforçam em descredibilizar sua pessoa e deslegitimar sua missão. Essa postura não é nova: já nos dias dos Shlichim (apóstolos), havia oposição e tentativas de invalidar a identidade messiânica de Yeshua. Porém, quando analisamos a Brit Ha’dashá, vemos que ela dialoga profundamente com vários elementos da própria tradição judaica — especialmente no tema da luta contra o diabo (Satan em hebraico) e da dissipação das trevas. Um dos textos mais diretos aparece em 1 João que declara:
“Para isto o Filho de D’us se manifestou: para desfazer as obras do diabo.” (1 João 3:8)
Essa afirmação não é estranha à literatura judaica. Pelo contrário, o conceito de um agente divino que viria quebrar o poder do Satan, anular o engano e purificar Israel está presente em diversos textos judaicos antigos. Alguns Midrashim, por exemplo, descrevem o Satan como aquele que: acusa Israel, engana os justos, e cujo poder será destruído nos dias do Mashiach. Assim, quando a Brit Ha’dashá diz que Yeshua veio para “desfazer as obras do diabo”, ela está em concordância com essa visão judaica mais ampla: de que o Mashiach traria luz, quebraria o domínio do engano e desfaria tudo aquilo que separa o povo de D’us da Sua presença.
A missão de Yeshua — revelar a verdade, libertar, curar, confrontar a mentira e anular o poder acusador do diabo — está profundamente alinhada com essa expectativa. Ele se apresenta como a Luz que dissipa as trevas, cumprindo o que já havia sido insinuado pelos profetas e preservado na tradição:
“O povo que andava em trevas viu uma grande luz” (Isaías 9:1)
Portanto, mesmo que setores do judaísmo ortodoxo rejeitem sua identidade messiânica, a própria lógica da redenção encontrada nas fontes judaicas aponta para um Mashiach que vence as trevas, anula o poder do diabo e restaura Israel — exatamente aquilo que Yeshua afirma realizar. Ele não apenas ensina a verdade. Ele desfaz as obras do inimigo. Ele é a luz que vence as trevas.
Or HaGanuz — Luz Oculta
הַהֹלְכִ֣ים בַּחֹ֔שֶׁךְ רָא֖וּ א֣וֹר גָּד֑וֹל
יֹֽשְׁבֵי֙ בְּאֶ֣רֶץ צַלְמָ֔וֶת א֖וֹר נָגַ֥הּ עֲלֵיהֶֽם׃
Ha‘am ha-holkhím ba-chóshekh ra’ú or gadol; yoshvê be’erets tzalmávet, or nagáh aleihem.
“O povo que anda em trevas viu uma grande luz; os que habitam na terra da sombra da morte, luz brilhou sobre eles” ( Isaías 9:1)
Este versículo aparece dentro de um contexto de esperança profética. Isaías anuncia que, apesar da escuridão espiritual, política e moral que envolvia Israel — especialmente a região da Galileia, atingida pelas invasões assírias — uma grande luz surgiria.
“O povo que anda em trevas”
Refere-se à condição de angústia, opressão e afastamento de D’us. Trevas (choshekh חֹשֶׁךְ) no Tanach é um símbolo para ignorância espiritual, sofrimento e juízo.
“Viu uma grande luz”
A luz aqui é interpretada pelos sábios comentaristas judeus como: Libertação, Revelação divina, Intervenção do Eterno através de um rei davídico.
Rashi comenta que esta luz refere-se ao rei Ezequias e à salvação de Judá do jugo assírio — mas inclusive rabinos antigos admitem que o texto tem camadas messiânicas (por ex., Midrash Tanchuma, Pesikta Rabbati).
“Luz brilhou sobre eles” — (א֖וֹר נָגַ֥הּ עֲלֵיהֶֽם)
O verbo נָגַהּ (nagáh) indica um brilho repentino, luminosidade que irrompe. Indica algo sobrenatural, um tipo de revelação inesperada.
Segundo Bereshit (Gênesis) 1:3, D’us criou a luz no primeiro dia — antes do sol, da lua e das estrelas, que só aparecem no quarto dia. Os sábios perguntaram: que luz é essa? A resposta tradicional é que essa era uma luz especial, espiritual, diferente da luz física que conhecemos, e que foi escondida pelo Eterno. Essa luz é chamada de Or HaGanuz — a Luz Oculta.
Por que D’us a ocultou? O Midrash (Bereshit Rabbah) e o Talmud (Chagigá 12a) explicam: Essa luz era tão poderosa que permitia “ver de um extremo do mundo ao outro”. D’us, ao ver a futura maldade dos ímpios, escondeu essa luz, reservando-a para os justos no futuro, em especial para os dias do Mashiach e do Mundo Vindouro (Olam HaBa). Ou seja, não é uma luz física, mas uma iluminação espiritual, uma clareza, uma revelação profunda.
Muitos textos rabínicos afirmam que o Mashiach trará de volta a revelação dessa luz. Por isso Isaías 9:1 é frequentemente ligado ao conceito de luz messiânica. Alguns midrashim (Yalkut Shimoni – Yeshayahu 411, por exemplo) dizem que os profetas acessaram “faíscas” dessa luz para enxergar realidades futuras. Na Cabalá (misticismo judaico), especialmente no Zohar (obra central da Cabalá), o Or HaGanuz é visto como: A luz da Shechinah, escondida durante o galut (exílio); A luz do Mashiach, que brilhará plenamente na redenção final; Uma energia espiritual que ilumina a alma e revela o propósito da criação.
A “grande luz” que aparece — no profeta — sobre um povo em trevas se encaixa perfeitamente no conceito de Or HaGanuz, porque: É uma luz não comum, que surge repentinamente. É uma luz apenas revelada em tempos de redenção. Envolve a restauração messiânica — exatamente o tema dos versículos seguintes (Isaías 9:6–7). Sendo assim, Isaías 9 é um dos textos que mais se aproxima da ideia da Luz Oculta do Mashiach surgindo no mundo.
A Brit Ha’dashá (“O Novo Testamento”) vê esse versículo como uma realização direta na pessoa de Yeshua. Mateus (4:13–16) cita explicitamente Isaías (9:1–2). Quando Yeshua inicia seu ministério justamente na Galileia, a região mencionada por Isaías, o evangelista declara: E, deixando Nazaré, foi habitar em Cafarnaum, cidade marítima, nos confins de Zebulom e Naftali;
“Para que se cumprisse o que foi dito pelo profeta Isaías, que diz: A terra de Zebulom, e a terra de Naftali, junto ao caminho do mar, além do Jordão, a Galileia das nações; O povo, que estava assentado em trevas, viu uma grande luz; e, aos que estavam assentados na região e sombra da morte, a luz raiou.” (Mateus 4:13—16)
Logo no início do seu ministério, Yeshua deixa Nazaré e passa a morar em Cafarnaum, na região da Galileia, especificamente na área pertencente às antigas tribos de Zebulom e Naftali. Mateus diz que isso não foi um acaso, mas o cumprimento da profecia de Isaías. Por que Zebulom e Naftali? Essas foram as primeiras tribos do Norte conquistadas e devastadas pelos assírios (2 Reis 15–17). Foram as primeiras a entrar em trevas — escuridão, exílio, destruição, perda da identidade. Portanto, segundo os profetas, também seriam as primeiras a ver luz. O texto do profeta mostra isso: “O povo que andava em trevas viu grande luz…” Quando Israel estava nas trevas por causa do domínio assírio, D’us prometeu que uma luz surgiria justamente ali. O que Mateus quer dizer?
Mateus está dizendo: Yeshua inicia seu ministério exatamente no mesmo lugar onde as trevas começaram. A mesma região que viu destruição seria a primeira a ver a restauração. Isso revela uma grande intenção divina: D’us começa a cura do seu povo no ponto mais ferido.
“Galileia das nações”
No hebraico: Galil haGoyim, significa que a Galileia estava misturada com povos gentios desde as invasões assírias. Era vista pelos judeus de Jerusalém como: espiritualmente inferior, menos pura, menos instruída, culturalmente “misturada”. Mas é exatamente ali que a luz começa a brilhar. A luz divina alcança primeiro quem está mais distante.
“O povo que estava assentado em trevas…”
Trevas = ignorância espiritual, opressão, idolatria, domínio estrangeiro, confusão. “Assentado” — não apenas passando por trevas, mas vivendo nela, preso, sem saída. Yeshua aparece ali: ensinando, curando, libertando, restaurando, — e isso é a “luz” que raiou.
Ou seja, Yeshua é identificado como a manifestação da luz profética.
Na Brit Ha’dashá Yeshua é descrito como “a luz verdadeira” (João 1:9). A luz estava no mundo mas não foi reconhecida
(João 1:5) — isso ecoa o conceito da Or HaGanuz — luz oculta. Yeshua diz “Eu sou a luz do mundo” (João 8:12)
Uma afirmação abertamente messiânica dentro da simbologia judaica. Assim, para a tradição messiânica da Brit Ha’dashá, Yeshua é a revelação da Luz Oculta — Or HaGanuz manifestado na história.
Dentro da tradição judaica, o Or HaGanuz é apresentado como a luz destinada a atuar no momento decisivo da história da humanidade. Essa luz, reservada pelo Eterno desde o princípio, é descrita pelos sábios como a força que dissipa completamente as trevas espirituais, revelando aquilo que estava oculto e trazendo à tona a verdade divina sem qualquer barreira. Os midrashim enfatizam que, quando essa luz se manifestar plenamente, o mal será aniquilado. Não se trata apenas da remoção simbólica da escuridão, mas de uma transformação real na ordem do mundo: tudo aquilo que se opõe à santidade, à justiça e à retidão será desfeito diante do brilho dessa luz reservada.
Essa expectativa da luz final que vence as trevas encontra uma poderosa ressonância no livro de Apocalipse, onde a visão profética descreve a Jerusalém Celestial iluminada não por sol ou lua, mas pela própria presença redentora:
“A cidade não precisa nem do sol nem da lua, para lhe darem luz, porque a glória de D’us a ilumina, e o Cordeiro é a sua lâmpada” (Apocalipse 21:23).
Assim como o Or HaGanuz é a luz guardada para o fim dos tempos, que destruirá o mal e revelará plenamente a glória do Eterno, Apocalipse revela que essa luz se manifesta na figura do Cordeiro, cuja presença dissipa toda escuridão e inaugura a realidade definitiva da redenção. Dessa forma, o Or HaGanuz aponta para o momento em que o Eterno revelará sua luz sem limites, e Apocalipse descreve esse mesmo cumprimento quando o Cordeiro se torna a própria luz da cidade santa. Ambas as tradições convergem na promessa de que, no tempo designado, as trevas não terão mais domínio, e a luz divina — guardada desde Bereshit — iluminará toda a criação, trazendo o triunfo final do bem sobre o mal.
Essa luz não é comum: ela é penetrante, capaz de iluminar o interior da realidade e trazer à tona aquilo que está escondido. Quando observamos o ministério de Yeshua, especialmente na expulsão de demônios, percebemos um eco direto desse conceito: Ele manifesta a luz que confronta e destrói as trevas. O Or HaGanuz revela o oculto. A Luz Oculta, segundo os midrashim, é a luz pela qual D’us vê “de uma extremidade do mundo à outra”, revelando tudo o que está escondido. Da mesma forma, nos Evangelhos Yeshua identifica e expõe demônios antes de expulsá-los, manifestando essa luz que revela o que está oculto:
“Estava na sinagoga um homem com espírito imundo, o qual clamou:‘Que temos contigo, Yeshua de Nazaré?Vieste para nos destruir?’” (Marcos 1:23-24)
A presença de Yeshua força o espírito impuro a se manifestar, assim como o Or HaGanuz revela aquilo que tenta permanecer escondido. Yeshua manifesta a luz que desfaz as trevas. A essência do Or HaGanuz é que trevas não podem resistir diante dele. Quando a luz aparece, a treva simplesmente deixa de existir. O mesmo ocorre com Yeshua:
“Com autoridade até aos espíritos imundos ele ordena, e eles lhe obedecem.” (Marcos 1:27)
A presença dele é a própria luz que força as trevas a recuarem, exatamente como a Luz Oculta criada no princípio. Quando Yeshua expulsa demônios, ele demonstra operar com essa luz que revela, confronta e vence o mal:
“Se eu expulso demônios pelo Espírito de D’us, então é chegado a vós o Reino de D’us.” (Mateus 12:28)
A Luz Oculta separa luz e trevas — e Yeshua faz o mesmo. Em Bereshit (Genesis), quando a luz aparece, ela separa luz e trevas (vs 1:4). Yeshua, ao expulsar demônios, age como essa luz que separa: o santo do impuro, o livre do oprimido, o Reino de D’us do reino das trevas:
“Os demônios saíram do homem…E aquele que antes estava possesso agora estava assentado, vestido e em perfeito juízo.” (Lucas 8:32-33)
A luz messiânica restaura o que as trevas deformaram. A presença de Yeshua é a própria Luz Oculta revelada no mundo. O Or HaGanuz é uma luz que “expõe a raiz das trevas”. Yeshua faz exatamente isso quando encontra casos extremos de opressão espiritual:
“Rogo-te que não me atormentes!…Pois Yeshua lhe dizia: ‘Sai deste homem, espírito imundo.’” (Marcos 5:7-8)
A autoridade da luz é tão intensa que o maligno reconhece sua derrota antes mesmo de ser expulso — é o que realmente os midrashim ensinam.
Prepare-se!
O que você vai ver agora é uma obra judaica. Legitimamente judaica. Um texto surgido no coração da tradição de Israel, preservado pelos sábios, ecoado nos midrashim antigos — e que corrobora de forma clara e impressionante com os Escritos Nazarenos, a B’rit Ha’dashá, o conhecido “Novo Testamento”. Para aqueles que tentam depreciar a B’rit Ha’dashá, que afirmam que ela não tem raízes na tradição judaica, que dizem que suas ideias são estranhas ao judaísmo — isso aqui é um tapa de mão aberta na cara. Porque a tradição judaica, por meio desse midrash antigo, mostra exatamente aquilo que a B’rit Ha’dashá sempre ensinou: que o Mashiach possui uma luz pré-existente, escondida desde a criação; que ele é reconhecido até pelas forças espirituais contrárias; que Satan se dobra diante dele ao contemplar sua glória; e que ele é o destinado a destruir o poder da morte e estabelecer a redenção final — tal como está em Isaías, tal como é proclamado no Novo Testamento.
Não é cristianismo impondo leitura ao judaísmo. É o judaísmo confirmando, pelas suas próprias fontes, o que a B’rit Ha’dashá já anunciava.
A luz do Mashiach — A derrota do Satan
Vamos analisar um trecho da obra Pesikita Rabbati
O que é Pesikita Rabbati?
A Pesikta Rabbati é um Midrash homilético (derash), isto é, uma coletânea de sermões rabínicos organizados para leituras especiais do calendário judaico. A palavra Pesikta significa “seção” ou “lição litúrgica”, indicando que o livro reúne derashot preparadas para ocasiões específicas — como festas e leituras proféticas especiais.
Quem é o autor?
Não possui um autor único. É uma coletânea anônima, compilada por sábios (ḥakhamim) em círculos rabínicos da terra de Israel. A data aproximada da compilação é: Século VII (alguns estudiosos sugerem fim do VI). Ela reúne materiais muito antigos (época tanaíta) e outros mais tardios.
Qual o assunto principal?
A obra é composta de sermões midráshicos, organizados para: Festas judaicas, Rosh HaShaná, Yom Kipur, Sucot, Pessach, Shavuot, Jejum de Tishá beAv. Cada pesikta geralmente é uma homilia sobre um verso principal seguido de expansões e interpretações midrashicas.
Dadas as informações, vamos para o trecho:
“O que há na tua luz que fará com que a luz se veja? Que luz é essa que a assembleia de Israel espera? Esta é a luz do Mashiach, como está escrito: E viu D’us a luz, e que era boa ( Bereshit 1:4 ). Isso ensina que o Santo, bendito seja Ele, antecipou o Mashiach e suas obras antes da criação do mundo (e também) [e] o reservou para o seu ungido, para a sua geração, sob o trono da sua glória. Satanás disse diante do Santo, bendito seja Ele: [Senhor do mundo, a luz que foi reservada sob o trono da tua glória, a quem pertence, a quem ele pertence para me fazer retornar e me envergonhar com a minha infâmia. [Deus] Senhor do mundo, mostra-me a ele, disse-lhe: “Vem e vê-lo.” E quando o viu, ficou chocado, prostrou-se com o rosto em terra e disse: “Certamente este é o Mashiach que está destinado a lançar a mim e a todos os governantes das nações do mundo no inferno, como está escrito: ‘Ele destruirá a morte para sempre, e o Senhor Deus enxugará as lágrimas de todos os rostos’Explica com detalhes, para meu estudo sobre A luz dissipando as trevas” (Pesikita Rabbati 36)
O Midrash começa com uma pergunta:
“O que há na tua luz que fará com que a luz se veja?”
A tradição responde:
“Esta é a luz do Mashiach.”
É a luz mencionada em Bereshit/Gênesis 1:4 — Or HaGanuz, a luz primordial da criação. Essa luz é tão poderosa que D’us a separa da luz comum do sol e da lua e a esconde: antes da criação, para o Mashiach, para seu tempo, sob o trono da sua glória. Essa luz é exatamente o que o profeta Isaías diz:
“O povo que andava em trevas viu uma grande luz” (Is 9:1)
Quando Satan — o diabo — vê que existe uma luz reservada, ele pergunta:
“A quem pertence essa luz? Ela é aquela que vai te obrigar a retornar (trazer o fim) e me envergonhar (derrotar minha acusação).”
Aqui Satan não está acusando o Mashiach. Ele está dizendo:
“Quando essa luz aparecer, meu poder sobre o mundo acaba.” “Minha função de acusar termina.” “O fim chegou.”
É uma reclamação. É o reconhecimento do fim do domínio das trevas. Então ele desafia:
“Mostra-me essa luz.”
Quando D’us permite, Satan vê a luz do Mashiach, e ele cai prostrado, chocado, em absoluta derrota. E ele declara:
“Certamente este é o Mashiach que vai lançar a mim e a todos os governantes das nações no inferno.”
Aqui o Midrash cita Isaías:
“Ele destruirá a morte para sempre.” (Isaías 25:8)
O Mashiach destrói: a morte, o acusador, o poder das nações, o caos, as trevas. Ou seja: A luz do Mashiach anula totalmente a função de Satan. Quando a luz aparece, o acusador desaparece. Onde há luz, não há mais tribunal de trevas.
O Midrash descreve o Mashiach: lançando Satan no inferno, destronando governantes, anulando acusadores, estabelecendo a luz eterna, apagando a morte. O Apocalipse descreve exatamente a mesma cena com as mesmas imagens.
“E o diabo… foi lançado no lago de fogo.” (Apocalipse 20:10)
Este é o eco exato do que o Midrash afirma: que o Mashiach lançará Satan e os governantes ímpios no julgamento final.
“E D’us enxugará dos olhos toda lágrima,e a morte não existirá mais.” (Apocalipse 21:4)
O mesmo versículo citado pelo Midrash (Isaías 25:8): “Ele destruirá a morte” — “D’us enxugará as lágrimas de todos os rostos”
Por isso o Midrash e o Apocalipse se espelham:
No Midrash, a luz primordial é do Mashiach. Satan vê essa luz e reconhece sua derrota. O Mashiach o lança no inferno. A morte é destruída. As lágrimas são enxugadas.
No Apocalipse, a luz da Nova Jerusalém é do Cordeiro (Mashiach). Satan é lançado no lago de fogo. A morte é lançada no lago de fogo. As lágrimas são enxugadas.
Outro ponto de contato entre o Midrash e a Brit Ha’dashá é que, assim como no Midrash, o Satan reconhece a luz do Mashiach, na Brit Ha’dashá os demônios também reconhecem que Yeshua é o Filho do Altíssimo.
No midrash, quando o Satan contempla a luz reservada para o Mashiach, ele imediatamente cai prostrado declarando que o Mashiach destruirá a morte e lançará ele, e aos governantes das nações no inferno. Exatamente da mesma forma — e com a mesma intensidade — na Brit Ha’dashá os demônios reconhecem espontaneamente que Yeshua é o Mashiach, o Filho do D’us Altíssimo. Não é Yeshua que se apresenta.
São os demônios que se revelam, confessam e se submetem. Veja os textos:
O demônio da sinagoga em Cafarnaum
“Ah! Que temos nós contigo, Yeshua haNotzri? Vieste para nos destruir? Sei quem tu és: o Santo de D’us.” (Marcos 1:23-24)
Os demônios do gadareno (Legião)
“Que tenho eu contigo, Yeshua, Filho do D’us Altíssimo? Peço-te que não me atormentes!” (Lucas 8:28)
Os espíritos imundos
“E os espíritos imundos, vendo-o, prostravam-se diante dele e diziam: Tu és o Filho de D’us.” (Marcos 3:11)
É exatamente o mesmo quadro do midrash: eles veem, eles caem, eles confessam, eles sabem quem Ele é. Os seres espirituais reconhecem o Mashiach antes que qualquer ser humano compreenda plenamente.
No midrash: O Satan vê a luz do Mashiach — cai prostrado — reconhece seu poder — confessa sua própria derrota.
Na Beit Ha’dashá: Os demônios veem Yeshua — caem prostrados — confessam que Ele é o Filho do Altíssimo — pedem que Ele não os destrua.
Conclusão
O que acabamos de demonstrar não é invenção, não é fantasia, nem construção teológica posterior. É literatura rabínica, é tradição judaica, é targum, midrash, Pesikta e toda a vasta herança interpretativa de Israel. Tudo isso — absolutamente tudo — dialoga profundamente com a Brit Ha’dasha, confirmando que os conceitos ali presentes não nascem no vácuo; pelo contrário, são extensões naturais da própria teologia judaica.
A ideia da luz messiânica, da Or HaGanuz, do Mashiach reconhecido pelas forças espirituais, da luta contra o Satan, da redenção final, tudo isso é raiz judaica. A Brit Ha’dasha simplesmente revela o seu cumprimento em Yeshua. Infelizmente, muitos dos chamados “rabis de internet”, representantes desse judaísmo Nutella, esse judaísmo superficial, completamente descolado da tradição antiga — rabis de meia-boca, rabis apenas de palco e televisão — fazem de tudo para apagar essa conexão. Negam sua própria literatura, omitem seus próprios textos e escondem aquilo que seus próprios antepassados preservaram.Por quê? Porque admitir o óbvio — que Yeshua é o Mashiach de Israel e que a Brit Ha’dasha é legítima — desmontaria a narrativa que eles construíram. Por isso preferem atacar, distorcer, e até ridicularizar, enquanto silenciam linhas e linhas de seus próprios escritos.
Mas a verdade permanece: a tradição judaica aponta para o Mashiach, e a Brit Ha’dasha mostra claramente quem Ele é. Quem lê sem preconceito, reconhece. Quem compara os textos, enxerga. Quem busca honestamente, encontra. E isso não depende da aprovação dos “rabis celebridades”. Depende apenas da verdade — e essa já foi dita.
Shalom!


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