A Doutrina dos Apóstolos

Shalom! Seja muito bem-vindo ao nosso blog.
Gostaria primeiramente de agradecer por você estar aqui conosco, isso mostra que você é uma pessoa muito especial em busca de conhecimento. No nosso blog você encontrará semanalmente, estudos das Sagradas Escrituras (Bíblia) e com isso você poderá acompanhar de perto o que D’us tem para você através de sua palavra. É uma honra para nós, poder apresentar para você o primeiro estudo da série: A Doutrina dos Apóstolos.
Torah – a Herança Espiritual da Congregação de Ya’akov

A palavra Torah literalmente significa Instrução ou ensino – significando algum tipo de orientação na vida. Mas quando os judeus dizem “Torah”, eles provavelmente estão falando dos Cinco Livros de Moshê, a base de toda a instrução e orientação judaica. Podemos também chamar de Chumash, em hebraico, que significa cinco – assim como o não tão judaico e um tanto arcaico título Pentateuco que vem do prefixo grego penta, que significa cinco. Com frequência, quando as pessoas falam sobre “uma Torah”, estão se referindo a uma versão num rolo de pergaminho dos Cinco Livros de Moshê que é guardado na arca da sinagoga e tirada para ser lida durante os serviços sagrados.
Os Cinco Livros de Moshê são na verdade uma seção de uma coleção de obras também chamada de Torah, mas de outra forma conhecida como Tanach. Tanach é um acrônimo das palavras: Torá: Chumash (Cinco Livros de Moshê); Nevi’im (Profetas); Ketuvim (Escritos, como Salmos, Lamentações e Provérbios). Embora todos os livros do Tanach e todos os livros da Torá sejam obras divinas, o Chumash ocupa um lugar único, e são reverenciados como obras divinas. Isso porque o Chumash é a obra de Moshê e a veracidade da profecia de Moshê está baseada numa comunicação direta testemunhada de D’us com ele. Tanach é às vezes mencionado pelo restante do mundo como “A Bíblia Hebraica”. Os judeus escreveram muitos outros livros de história, sabedoria e profecia, mas nenhum desses foi considerado como sendo divino e eterno para ser incluído no Tanach.
A maioria dos judeus que entrariam na terra de Israel não estavam presentes no Monte Sinai. Eles eram os filhos dos que receberam a Torah no Monte Sinai. No Sinai, o Eterno ratificou a aliança que havia feito com Avraham, aliança que teve início com Adam Avinu (Adão nosso pai). Segundo os sábios do povo judeu, os antepassados não apenas aprenderam a Torah, mas guardaram seus mandamentos embora ainda não tivessem sido “dados” (registrado em pedra). Isso parece estar implicado no versículo: “Porque Avraham ouviu Minha voz, e cumpriu Minha ordem, Meus mandamentos, Meus estatutos, e Minhas instruções.(Bereshit 26:5) Assim entendemos que a Torah é uma Herança Espiritual da congregação de Ya’akov (Jacó) como é dito:
תורה צוה־לנו משה מורשה קהלת יעקב
Torah Tsivah Lanu Moshê Morashá Kehilat Ya’akov
Ensinamento ordenou para nós Moshê, Legado da Congregação de Ya’akov.(D’varim 33:4)
Há um ensinamento interessante aqui, Morashá é uma palavra peculiar. Não é fácil de traduzir. É significativamente diferente da palavra yerusha [herança]. A conotação é que alguém tem menos propriedade sobre um objeto que lhe chegou como um “morashá” do que sobre um item que lhe chegou como um “yerusha”. As pessoas que receberam a promessa da terra de Israel nunca chegaram à ela. Praticamente toda a geração que deixou o Egito morreu no Deserto. Como então a Torah pode fazer a declaração de que a terra será dada a eles como uma Morashá ? Isso é a prova da diferença de nuance entre Yerusha e Morashá. Se a Torah tivesse prometido a terra de Israel àqueles que deixaram o Egito como yerusha (herança de fato), ela teria pertencido a eles. No entanto, a Torah usa a palavra Morashá, significando que ela não seria necessariamente deles, mas dos seus descendentes. O mesmo ocorre com a Torah.
A Torah não é uma herança exclusiva (yerusha) do povo judeu. A Torah é um legado (morashá) que todo judeu pode e deve ensinar para outra pessoa independente de sua etinia. Todavia, A Torah é como um hóspede buscando a casa de seu anfitrião. Às vezes, um hóspede bate na porta de alguém. Se ninguém atender a porta, o hóspede não entrará. O que adianta ensinar a quem não quer aprender ? Não devemos jogar pérolas para porcos(Mateus 7:6). Há no talmud, 115 comentários sobre o texto de D’varim 33:4. As opiniões são bem interessante. O comentário feito por Ramban expressa bem a ideia da Torah ser uma Morashá e não Yerusha.
Ramban: O significado disto é que Israel sempre “tomará” [receberá Suas palavras] e dirá “Moisés nos ordenou uma Lei e esta será uma herança da congregação de Jacó, pois todos os filhos de Jacó a possuirão para sempre e a observarão, pois não será esquecida da boca de sua semente.” E nossos rabinos interpretaram que ele não disse “uma herança da casa de Jacó” ou “a semente de Jacó” — ele declarou da congregação de Jacó para sugerir que muitos [estranhos] se juntariam a eles e a Torah sempre será uma herança de Jacó e de todos os que se congregam a ele, sendo estes os estranhos que se juntam ao Eterno, para ministrar a Ele , e eles se apegarão à casa de Jacó , e todos eles serão chamados de “Sua congregação.”
O comentário do Ramban parece ter sido embasado no que disse o profeta Yeshayahu (Isaías 56:6-8)
E os estrangeiros que se unirem a Adonay para servi-lo e amarem o nome de Adonay, para serem seus servos, todos os que guardarem o sábado, não o profanando, e os que se apegarem à minha aliança.
Eu os levarei ao meu santo monte, e os farei alegrar-se na minha casa de oração; os seus holocaustos e os seus sacrifícios serão aceitáveis no meu altar, porque a minha casa será chamada casa de oração para todos os povos.(Rashi comenta: “para todos os povos: não somente para Israel, mas também para os prosélitos”)
Assim diz Adonay D’us, que reúne os dispersos de Israel, eu ainda ajuntarei outros a ele, juntamente com os seus ajuntados.(Rashi comenta: “Eu ainda reunirei: dos pagãos das nações que se converterão e se juntarão a eles. Juntamente com os seus congregados: Além dos congregados de Israel”.)
Israel – Um Reino Sacerdotal entre as Nações

Após a decisão do ser humano (Adam) em obter conhecimento do bem e do mal, ele cai espiritualmente e, agora busca retornar ao status anterior. O Eterno guia o ser humano para resgata-lo da queda que sofreu, Ele criou as ferramentas necessárias, e uma delas se chama Israel. Israel foi um povo criado pelo Eterno e ao mesmo tempo escolhido por Ele. É o povo cujo os oráculos do céus se abrem. Suas percepções, suas decisões, seu comportamento são analisados pelos céus, se não corresponderem ao esperado são castigados.
Um dos castigos muito claro é o exílio. O exílio indica o desagrado do Eterno para com o povo escolhido. Israel ficou exilado desde 70 E.C. até 1948 E.C., quando conquistou sua independência como estado moderno de Israel. O povo está retornando à sua terra e isso é uma grande prova de que Israel está (desde sempre) nos planos do Eterno.
O resgate do ser humano de sua queda começou com uma promessa para Avraham, que se manteria na guarda de um pacto simbolizado pela circuncisão por ele e seus descendentes. E Foi em meio as promessas feitas à Avraham que se considerou abençoar as nações da terra:
“Abençoarei aqueles que te abençoarem e amaldiçoarei aquele que te amaldiçoarem; e serão abençoadas em ti todas as famílias da terra”.
(Bereshit 12:3)
Logo depois foi reafirmado à Itzchak, seu filho:
O Eterno apareceu a ele (Isaque) e disse: “Não desça ao Egito; fica na terra que te indico.Resida nesta terra, e eu estarei com você e te abençoarei; vou atribuir todas essas terras a você e aos seus herdeiros, cumprindo o juramento que fiz a Abraão, seu pai.Eu farei seus herdeiros tão numerosos quanto as estrelas do céu, e atribuirei a seus herdeiros todas estas terras, de modo que todas as nações da terra sejam abençoadas por seus herdeiros —visto que Abraão obedeceu e guardou Meu encargo: Meus mandamentos, Meus decretos e Minhas instruções”.
(Bereshit 26:2-5)
A mesma promessa foi dita também a Ya’acov, neto de avraham, ou seja, Israel:
E Adonay estava de pé ao lado dele (Ya’acov) e disse: “Eu sou o Adonai , o Deus de seu pai Abraão e o Deus de Isaque: a terra em que você está deitando vou atribuir a você e à sua descendência. Seus descendentes serão como o pó da terra; você deve se estender para o oeste e para o leste, para o norte e para o sul. Serão abençoadas em ti todas as famílias da terra e em seus descendentes.
(Bereshit 28:13-14)
Israel foi escolhido como uma nação exemplo, um modelo, onde sua cultura, suas políticas, suas pesquisas e descobertas seriam o principal fator para o desenvolvimento de um planeta saudável e harmônico, conectado com pureza e espiritualidade. A Escritura utiliza o termo “Luz para as Nações” e “o que trará justiça às nações” quando se refere Israel como “nação modelo”. Primeiro devemos entender que Israel é um reino inteiro de sacerdotes [mamelechet kohanim], uma nação sagrada [Kadosh]. Um reino de sacerdotes significa que cada cidadão é dedicado ao trabalho das coisas divinas. Cada judeu, cada levita, cada benjamita se dedica nos sacrifícios, nos louvores à D’us, em ensinar as nações a obedecer a D’us e tomar conta das coisas sagradas.
A palavra Kadosh significa separado, sagrado, dedicado, mas é comumente traduzido como santo. Israel é então uma nação separada para dedicar-se às coisas divinas. O Eterno separou Israel para que dentre seus tesouros (todas as nações) ele fosse o mais precioso, pois o Eterno é D’us de todas as nações. Isaias mostrou em dua passagens que Israel será um guia para as nações, será luz, trará justiça para elas. Veja nos textos abaixo:
Eis o meu servo (Ya’acov), a quem sustento: o meu eleito (Israel), em quem se compraz a minha alma; pus o meu espírito sobre ele; ele (Israel) trará justiça às nações.
(Yeshayahu 42:1)
Eu, Eterno, chamei-te em justiça, e segurei em tua mão. Eu criei-te e designei-te aliança para o povo e luz das nações.
(Yeshayahu 42:6)
Podemos observar que Israel é uma nação diferente, é a nação escolhida para guardar a instrução celestial. Tal instrução foi repassada de forma que a nação toda a guardasse vivendo-a no seu dia a dia, e para isso foi feito um pacto de que eles guardariam a instrução e a viveriam-a com grande responsabilidade e respeito.
O que significa um reino de sacerdotes ?
Volto a explicar. Um reino de sacerdotes significa que cada cidadão deste reino é dedicado ao trabalho das coisas divinas. Ou seja, cada judeu, cada levita, cada benjamita se dedica nos sacrifícios, nos louvores à D’us, em ensinar as nações a obedecer a D’us e tomam conta das coisas sagradas.D’us envia sua palavra e a interpretação desta para Israel. O que quero dizer é que D’us abre os oráculos dos céus à Israel, e por isso eles são os portadores da interpretação correta. É isso que Rav Shau’l (apóstolo Paulo), que também era judeu afirmou:
Que vantagem, pois, tem o judeu? Ou qual a utilidade da circuncisão? Muita, em todo sentido; primeiramente, porque lhe foram confiados os oráculos de Deus. Pois quê? Se alguns foram infiéis, porventura a sua infidelidade anulará a fidelidade de Deus?
Agora surge uma necessidade de explicar.
Aqui Shau’l introduz perguntas para que o leitor veja as vantagens de ser pertencente à nação sacerdotal, em guardar a aliança feita com Avraham. Pois aparentemente o gentio tens mais vantagens, não “precisam” ser circuncidados, nem precisam se tornarem Judeus para servirem ao Eterno. O gentio pode simplesmente guardar a Torah naquilo que lhe é aplicável (no decorrer da série explicaremos melhor) e terá participação nas promessas do Eterno também. Então qual é a vantagem de ser judeu?
E Shau’l responde em seguida que é vantajoso em todos os sentidos, já para começar à eles foram confiados os oráculos (as palavras e os mistérios ocultos) de D’us. Isso nos infere que aos gentios não lhes foi confiado as palavras, ou seja, quem tem condições de interpretar a vontade do Eterno é Israel. Os gentios não possuem essa propriedade. E aí você pergunta: Mas “Israel” errou, pecou várias vezes, foram infiéis à D’us, como que eles podem ter voz em algo sobre D’us? E Shau’l responde a questão com outra questão. O fato de que “alguns” (“alguns” não todos) foram infiéis, não anula o fato de que D’us é fiel na revelação de sua palavra só à Israel. Pois do contrário D’us estaria agindo igual Israel, infielmente.
Mas Yeshua é a palavra e os judeus não o reconhecem? Sim, é verdade, porém o próprio Shau’l explicou isso na mesma carta, de que D’us ocultou Yeshua de Israel para salvar os gentios, e em seu tempo revelará Yeshua à Israel também, e é por isso que não devemos impornuná-los com isso, tudo à seu tempo, confiemos nos planos do Eterno.
Mas e as nações? Por que precisam considerar isso? O que tem a ver os acordos entre D’us e Israel com as nações?
Vários são os textos que expressam a vontade do D’us de Yeshua em ser reconhecido não só por Israel, mas por todas as nações. Veja alguns exemplos:
Porque a terra se encherá do conhecimento da glória do Eterno, como as águas cobrem o mar.
(Habakuke 2:14)
As nações exultarão e gritarão de alegria, porque tu [Eterno] governa os povos com equidade, Você guia as nações da terra. Selah.
(Tehilim 67:5)
Um segredo :
Ele (O eterno) nos sujeita os povos, coloca as nações aos nossos pés.(Tehilim 47:4)
O Eterno coloca os povos aos pés de Israel, o sentido desta frase é que aquele que se coloca aos pés são discípulos, alunos de Israel, aprendizes do povo sacerdotal, da mesma forma que Israel é um aprendiz do Eterno, ou seja, está aos pés de D’us. No mesmo sentido que Shau’l disse:
Sou judeu, nascido em Tarso da Cilícia, mas criado nesta cidade. Fui educado rigorosamente na Torah de nossos antepassados, aos pés de Gamaliel, sendo tão zeloso por D’us, assim como estais sendo vós neste dia.”
(Atos 22:3)
Espero que você (leitor) esteja entendendo que temos muito para aprender com os “rabinos”, com os judeus, ou seja, com Israel.
Mas quanto Yeshua? Não é ele a Luz para as Nações?
É óbvio que quando falamos do Mashiach dizemos que ele é também Luz para as nações, pois, se todo o reino o é, quanto mais o Rei deste Reino. E assim, quando Israel estiver em sua força maior será a redenção do mundo. O povo (Israel) e seu Rei Yeshua iluminarão as nações completamente.
E ele disse: É uma coisa muito leve que tu deves ser meu servo para levantar as tribos de Ya῾aqov, e restaurar os preservados de Yisra᾽el: Eu te darei como uma luz para as nações, para que a Minha salvação alcance os confins da terra.”
(Yeshayahu 49:6)
O texto acima fica claro que Mashiach é luz para as nações. D’us deu o Mashiach como luz para as nações, para que a salvação alcance todas as famílias da terra. Segundo o texto Mashiach levantará as tribos de Ya’acov e restaurará Israel. Pois é aí então que todas as nações, completamente, reconhecerão o D’us de Yeshua, o D’us de Israel, o D’us de Avraham, Yitzchak v’Ya’acov como o D’us único.
O que é necessário para Israel exercer este sacerdócio?
É necessário que os gentios, ou seja, todas as nações esvaziem de seus próprios egos, de suas seitas religiosas, de seus sistemas montados, para dar ouvidos à nação sacerdotal. É necessário que os gentios, entendam que Yeshua é um judeu, os apóstolos foram judeus e portanto viviam como judeus, o que eles ensinaram foi Torah, Profetas e Escritos assim como os judeus atualmente. É necessário que os gentios orem por Israel, que lhes cobrem a posição de sacerdotes, pois isso trará bençãos às nações. É necessário que os gentios exijam que o estado de Israel aja em conformidade com a Torah, os profetas e os escritos, e sejam humildes perante as nações devido sua responsabilidade perante o mundo. Que não adquiram arrogância perante as nações para não provocá-los à ira. É necessário que oremos todos, judeus e gentios, para que o D’us de Yeshua se manifeste com sua presença entre nós o quanto antes, pois a questão pertence à D’us, à nação sacerdotal e às nações.
Qual é comportamento de Israel e das nações diante desta instrução da Torah?
Simples! Israel segue obedecendo toda torah, escrita e oral, pois isso à eles pertencem. E os gentios obedecem Torah naquilo que lhes for aplicável, sempre aprendendo da interpretação que D’us dá à Israel. E como sei o que é aplicável? A nação sacerdotal dirá. E se o gentio quiser o mínimo, faça o mínimo necessário, e se quiser mais proximidade com o Eterno, então adquira mais Torah para si até atingir a circuncisão no coração, que é aquele cuja obediência faz o indivíduo cumprir toda torah, como Avraham, de livre e espontânea vontade, sem pressões, sem coações e sim como da vez que foi dito à zorobabel: “Não por força nem por violência, mas sim pelo meu Espírito, diz Adonay dos Exércitos.” Zacarias 4:6.
Aguarde os próximos estudos da série…(Veja a parte 2)
Abençoado seja O Eterno


Deixe um comentário