Pés que correm rapidamente para o mal (5 de 7)

Seguindo com a série de estudos sobre as sete coisas que D’us abomina, chegamos ao quinto estudo, onde trataremos dos pés que se apressam a correr para o mal.

Introdução:

Fico impressionado como tem pessoas que tem o prazer de fazer o mal aos outros. Como são manipuladoras e dissimuladas. Muitas vezes passamos anos a companhia dessas pessoas e não percebemos quem elas são de verdade. A primeira vez que fui apresentado a um perfil parecido foi na novela Caminho das Índias, com a personagem psicopata Yvone, vivida por Letícia Sabatela. Para quem assistia a novela e via a personagem por completa ficava pensando como ninguém percebia quem ela era, como as pessoas conseguiam ser tão bobas assim. Porém, isso é totalmente possível.

Personagem Yvone, caminho das Índias

Pessoas assim falam mal de todo mundo, fazem intriga (tema do sétimo estudo) inventando coisas sobre os outros. Criam verdadeiros “infernos” do nada, tudo inventado. Eu fico imaginando que depois elas ficam sentadas assistindo de camarote o circo pegar fogo, às gargalhadas. Já vi gente assim destruir uma família inteira. Temos que ficar espertos e alertas para não nos tornarmos vítimas dessas pessoas que as escrituras identificam como “aqueles que se alegram em fazer o mal e se deleitam na perversidade do mal”.(Provérbios 2:14)

Tenho certeza que você já ouviu frases como essas: “eu não sossego enquanto não vir ele(a) na miséria”, “eu não sossego enquanto não tirar tudo dele(a)”, “eu não sossego enquanto não vir ele(a) destruído”. Essas frases são de pessoas que se apressam para fazer o mal, elas não dormem direito, não comem direito, não pensam em outra coisa, a não ser em fazer o mal.

“E, quando já era dia, alguns dos judeus fizeram uma conspiração, e juraram, dizendo que não comeriam nem beberiam enquanto não matassem a Paulo. E eram mais de quarenta os que fizeram esta conjuração. E estes foram ter com os principais dos sacerdotes e anciãos, e disseram: Conjuramo-nos, sob pena de maldição, a nada provarmos até que matemos a Paulo. Agora, pois, vós, com o conselho, rogai ao tribuno que vo-lo traga amanhã, como que querendo saber mais alguma coisa de seus negócios, e, antes que chegue, estaremos prontos para o matar.”(Atos 23:12-15)

Geychazi (Geazi) o caçador de recompensa 171

Era costume dos profetas terem um moço, ou seja, alguém que estivesse próximo a ele para o auxiliar no seu dia-a-dia, um servo próximo. A Bíblia nos relata que Elyahu (Elias) tinha o seu moço. Seguindo este costume, Elisha (Eliseu) também escolhe um moço, chamado Geazi. Geazi é um dos exemplos de pessoas que correram para fazer o mal. Sua conduta parece não ser tão grave quando interpretada de maneira errada.

Geazi, o servo pessoal do profeta Elisha, é mencionado apenas algumas vezes na Bíblia Hebraica, uma vez negativa e duas vezes neutra. Os escritos rabínicos, no entanto, pintam uma imagem muito mais feia dele, como um sujeito grosseiro e avarento, um dos poucos judeus conhecidos que não recebem parte do mundo vindouro (Mishna Sanhedrin 10: 2). O incidente ao qual o Talmud se refere aparece em II Reis 5. Na’aman era o comandante do exército de Aram, uma nação mesopotâmica vizinha a Israel. Devido a um surto de lepra, ele foi até Elisha pedindo uma cura. A resposta de Elisha foi que ele deveria se lavar sete vezes no rio Jordão. No começo, Na’aman ficou furioso. Ele esperava algo muito mais santo e mais místico do que um banho. Se ele quisesse uma cura natural, seria melhor aproveitar-se das fontes termais de Aram. A princípio ele rejeitou a ideia, mas seus servos o convenceram a tentar. Ele fez isso e sua carne se tornou como a de um “jovem rapaz”.

Na’aman retornou a Elisha, atestando que “não há D’us em toda a terra, exceto em Israel”. Ele então se ofereceu para prestar homenagem, mas Elisha se recusou a aceita-la. Pouco depois, Geazi correu atrás de Na’aman, dizendo que o profeta mudou de ideia e estava preparado para aceitar o tributo.

20 E Geazi, o servo de Eliseu, o homem de Deus, pensou: “Aqui meu senhor impediu Naamã, esse arameu, de dar, não tirando de sua mão o que ele trouxe. Tão certo como vive o Senhor, correrei atrás dele e tirarei alguma coisa dele.”
21 E Geazi perseguiu Naamã; e Naamã o viu correndo atrás dele, e inclinou-se para fora do carro em sua direção, e disse: “Está tudo bem?”
22 E ele disse: “Tudo está bem. Meu senhor me enviou, dizendo: “Aqui, agora mesmo, dois jovens vieram a mim do Monte Efraim, dos discípulos dos profetas. Por favor, dê a eles um talento de prata e duas roupas.
23 E Naamã disse: “Por favor, tome dois talentos. E ele insistiu com ele e ele amarrou dois talentos de prata em dois bolsos, e duas roupas. E ele deu a seus dois servos, e eles os carregaram diante dele.
24 E ele chegou a um lugar secreto, e ele os tomou de suas mãos, e ele os depositou na casa. E ele despediu os homens, e eles foram embora.
2 Reis 5:20-24

Sobre o versículo 23, os sábios comentam o seguinte:

“Naamã disse: Contenta-te [ ho’el ], toma dois talentos. E ele o incitou, e amarrou dois talentos de prata em dois sacos, com duas mudas de roupa, e os colocou sobre dois dos seus servos; e eles os levaram diante dele”. Os Sábios sustentam que o termo ho’el indica um juramento, e que Naamã pediu a Geazi , a quem isso foi declarado, para fazer um juramento de que Eliseu o havia enviado para aceitar presentes, o que Eliseu não havia feito, e Geazi fez o juramento. Quando Eliseu descobriu o que Geazi havia feito, ele o amaldiçoou, e assim está escrito: “A lepra de Naamã se apegará a ti e a teus filhos para sempre. E ele saiu de sua presença leproso, branco como a neve.”(Arakhin 16a)

Quando ele voltou, Elisha (que divinamente sabia tudo sobre isso) ficou furioso.

“E ele chegou e pôs-se diante de seu senhor, e Eliseu lhe disse: De onde vens, Geazi? E ele respondeu: Teu servo não foi nem para cá nem para lá. E ele lhe disse: “Não foi o meu coração que se moveu quando um homem voltou do seu carro em sua direção? É hora de tomar a prata e comprar roupas, oliveiras, vinhas, ovelhas, gado, escravos e servas? Agora a tsará’at (“lepra “) de Naamã se apegará a você e a seus filhos para sempre. E ele se retirou de diante dele, ferido de tsará’at, branco como a neve.”(2 Reis 5:25-27)

Rsshi comenta que a fala de Elisha para seu moço, Geazi, foi uma repreensão devido ao desejo de tentar ficar rico usando a mentira.

O que havia de tão mau em Geazi ? É verdade que podemos ver vários pecados em seu comportamento – roubar, deturpar, falar falsamente – e o Talmud atesta várias outras ações perversas dele, mas o que havia de tão horrível nele que ele perdeu sua parte no futuro ?

Decreto de lei:

Art. 171 – Obter, para si ou para outrem, vantagem ilícita, em prejuízo alheio, induzindo ou mantendo alguém em erro, mediante artifício, ardil, ou qualquer outro meio fraudulento.

Pena – reclusão, de um a cinco anos, e multa, de quinhentos mil réis a dez contos de réis. (Vide Lei nº 7.209, de 1984)

Shmuel Eliezer Eidels (o Maharsha), da Polônia do século XVI ao XVII, em seu comentário ao Talmude, explica o seguinte. Há uma discussão mais profunda percorrendo a história. Quando Na’aman ofereceu homenagem a Eliseu, qual era o motivo dele? Muito simples. O homem santo o curou; ele deve pagar por seus serviços. Esse era o caso, agora que a cura era basicamente natural. O Jordão claramente tinha poderes curativos dos quais Na’aman não conhecia. Eliseu, por apontá-lo para um remédio apropriado, mereceu uma indenização não inferior a um médico cobrando por seus serviços.

O profeta, no entanto, recusou-se a receber dinheiro. Embora a cura tenha sido feita por uma fonte natural, foi D’us quem curou Na’aman. Eliseu não tinha o direito de receber dinheiro pelos milagres de D’us. O general deveria antes aceitar e ter fé no D’us que o curou. (Se sim, por que a imersão no rio era necessária? Porque, em geral, D’us não realiza milagres desnecessariamente espetaculares. Eles geralmente são feitos por meio de um canal ou cadeia de eventos aparentemente natural.

Quando Geazi voltou a Na’aman pedindo presentes, estava totalmente perdido – por algumas moedas de prata. A mensagem agora se tornara de que Eliseu havia curado e merecia compensação. D’us estava fora de cena; uma grande demonstração do poder de D’us e a lição em teologia judaica foram perdidas. Na verdade, foram os poderes curativos anteriormente desconhecidos do Jordão que o fizeram. Eliseu, o médico, que conhecia seus poderes, prescreveu a cura e mereceu algo em troca. E um momento potencialmente grande na história do mundo se perdeu para sempre.

Bil’am (Balaão) o amante da injustiça

O Profeta Balaão representa o paradoxo de um homem espiritual trancado num estilo de vida decadente. Contratado pelo rei moabita Balac para amaldiçoar o povo judeu, Balaão levantou-se cedo pela manhã, arreou sua jumenta e se pôs a caminho.

21 De manhã, Balaão se levantou, selou sua jumenta e foi com os dignitários moabitas.
22 A ira de Deus se acendeu porque ele estava indo, e um anjo do Senhor pôs-se no caminho para impedi-lo. Ele estava montado em sua jumenta, e seus dois servos estavam com ele.
Numeros 22:21-22

A princípio D’us não permite que Balaão vá. Mas depois que os emissários de Balac imploraram a Ele, D’us permite que ele vá, dizendo: “Mas faça apenas exatamente como Eu o instruir.” D’us colocou Seu anjo na estrada para enfrentá-lo. Quando a jumenta viu o anjo de D’us de pé com uma espada na mão, saiu da estrada e foi para um campo. Balam bateu no animal para fazê-lo voltar à estrada. O anjo de D’us então ficou de pé numa trilha estreita através do vinhedo, onde havia uma cerca de cada lado. Quando a jumenta viu o anjo de D’us, afastou-se para o lado, esmagando o pé de Balam contra o muro. Este a golpeou ainda mais. O anjo de D’us continuou à frente, e ficou num local estreito, onde não havia espaço para virar-se para a direita ou para a esquerda. Quando a jumenta viu o anjo de D’us, deitou-se recusando-se a ceder a Balam. Este perdeu a paciência e bateu no animal com uma vara.

D’us então abriu a boca da jumenta, e esta perguntou a Balaão: “O que eu fiz a você para que me batesse três vezes?”“Você me constrangeu [ou: está brincando comigo]” – gritou Balaão à jumenta, “Se eu tivesse uma espada na mão agora mesmo teria matado você!”A jumenta replicou: “Não sou sua [fiel] jumenta, a qual você tem cavalgado até este dia. Alguma vez fui desrespeitosa com você?” Balaão respondeu: “Não.”D’us então abriu os olhos de Balaão e ele viu o anjo de pé na estrada com uma espada na mão. [Balam] ajoelhou-se e prostrou-se diante dele.O anjo de D’us disse-lhe: “Por que bateu na jumenta três vezes? Vim para enfrentá-lo, porque sua incumbência é detestável para mim. (Rashi comenta que a ira do Santo Bendito Seja Ele, se acendeu porque Balaão sabia que não era da vontade de D’us que ele fosse com àqueles homens) Quando a jumenta me viu, ficou de lado três vezes. Se ela não tivesse se voltado perante mim, como fez agora, eu teria matado você e poupado [a jumenta].” Balaão disse ao anjo de D’us: “Eu pequei! Não sabia que você estava na estrada à minha frente. Se você considera errado [eu ir], voltarei para casa.” O anjo disse a Balaão: “Vá com os homens, mas não diga outra coisa além das palavras exatas que declaro a você. A narrativa prossegue com D’us obrigando Balão a abençoar os judeus em vez de amaldiçoa-los, para espanto de Balaão e seus acompanhantes. Narrativa extraída do site do chabad. Confira mais na parashá Balac clicando aqui.

Balaão é mencionado na Bíblia como exemplo de um falso profeta que procurou apressadamente fazer o povo de D’us tropeçar. É assim que ele aparece na B’rit Chadashá (“Novo Testamento”). Yehudá (Judas) adverte contra o erro das pessoas que são levadas pelo engano do prêmio de Balaão.

“Ai deles, porque foram no caminho de Cain, e foram atrás do erro de Bal’am, cobiçando o pagamento, e pereceram na rebelião de korach.”(Judas 11)

Keifá Ha’shaliach (O apóstolo Pedro) fala sobre o perigo de seguir o caminho de Balaão.

“Os quais abandonaram o Caminho reto e se desviaram e partiram no caminho de Bil’am Ben B’or, que amou o pagamento da injustiça.(2 Pedro 2:15)

O apóstolo Pedro faz menção de dois caminhos, a um ele chama de O Caminho Reto, a outro ele chama de caminho de Balaão. Sendo judeu, Pedro usa a expressão “Derech Ha’Yashar (דרך הישר) O Caminho reto. Derech é literalmente “estrada”, e em sentido figurado significa conduta, maneira de viver. Shau’l Ha’shaliach (o apóstolo Paulo) também usa essa expressão para se referir ao estilo de vida trazido pelos ensinamentos de Yeshua que, aliás, intitulou-se o CAMINHO, a verdade e a vida. Yeshua declarou enfaticamente que ninguém vai ao pai, senão por Ele, logo, isto faz do caminho do Mashiach a única via de acesso a D’us, sendo que somente alcançam este objetivo quem trilha este caminho conforme a vontade de D’us. Em contraste ao caminho de Yeshua, caminho de Balaão é o seu erro. Ele afastou-se do caminho de D’us, desviando-se dos seus propósitos e vontade. Porém, perceba que o desvio também é um caminho e, como tal, tem como objetivo levar as pessoas a algum lugar, possuindo características e regras próprias. 

No livro do Apocalipse, há uma repreensão para a sinagoga em Pérgamo por tolerar pessoas que seguiam a doutrina de Balaão, o qual ensinava Balaque a lançar tropeços diante dos filhos de Israel, para que comessem dos banquetes da idolatria e se entregassem a imoralidade.

“Mas tenho contra você pequenas [coisas]. Você tem aí aqueles que seguem o ensino de Bil’am, o qual ensinava Balak a lançar pedra de tropeço diante dos filhos de Israel, para comer os sacrifícios dos ídolos e prostituir-se”.(Apocalipse 2:14)

“Israel se estabeleceu em Sitim, e o povo começou a se prostituir com as filhas dos moabitas. Eles convidaram o povo para os sacrifícios dos seus deuses, e o povo comeu e se prostrou diante dos seus deuses.”(Números 25:1-2)

O historiador judeu, Yosef Ben Matityahu, conhecido popularmente como Flavius Josefo, em sua obra antiguidades judaicas, nos conta com detalhes como agiram as midianitas segundo os conselhos de Balaão.

Os conselhos de Balaão

“Mas Balaque ficou muito irado porque os israelitas não foram amaldiçoados e mandou Balaão embora, sem considerá-lo digno de qualquer honra. Então, quando ele estava em sua jornada, a fim de passar o Eufrates, ele mandou chamar Balaque e os príncipes dos midianitas, e falou assim a eles:(…)

(…) Se você tiver a mente de obter uma vitória sobre eles por um curto espaço de tempo, você obterá seguindo minhas instruções: – Portanto, você define o mais bonito de tais de suas filhas como são mais eminentes para a beleza, e adequado para forçar e conquistar a modéstia daqueles que os contemplam, e estes enfeitados e aparados ao mais alto grau possível. Então você os envia para estar perto do acampamento, e os dá no comando, que os jovens dos hebreus desejam que eles permitam isso a eles; e quando eles virem que estão apaixonados por eles, deixe-os tirar licenças; e se eles implorarem para que fiquem, deixe-os dar seu consentimento até que tenham persuadido a abandonar sua obediência às suas próprias leis, a adoração daquele Deus que os estabeleceu para adorar os deuses dos midianitas e por este meio Deus ficará irado com eles. Consequentemente, quando Balaão sugeriu conselho a eles, ele seguiu seu caminho.

Então, quando os midianitas enviaram suas filhas, como Balaão os havia exortado, os homens hebreus foram seduzidos por sua beleza, e foram com elas, e imploraram para que não lhes negassem o gozo de sua beleza, nem lhes negassem sua conversa. Essas filhas dos midianitas receberam suas palavras de bom grado, consentiram e permaneceram com elas; mas quando as trouxeram para se apaixonarem por elas, e suas inclinações por elas amadureceram, começaram a pensar em se afastar delas: então foi que esses homens ficaram muito desconsolados com a partida das mulheres, e foram insistentes com elas para não deixá-las, mas imploraram que continuassem ali e se tornassem suas esposas; e prometeram que seriam possuídas como amantes de tudo o que tinham. Isso elas disseram com um juramento, e invocaram Deus como árbitro do que prometeram; e isso com lágrimas nos olhos, e todas essas marcas de preocupação, como poderia mostrar o quão miseráveis eles se achavam sem eles, e assim poderia mover sua compaixão por eles. Então as mulheres, assim que perceberam que tinham feito seus escravos, e os tinham pego com sua conservação, começaram a falar assim com eles:

Ó vós, jovens ilustres! Temos o nosso próprio em casa, e muitas coisas boas lá, juntamente com os pais e amigos naturais e afetuosos; nem é por nossa falta de tais coisas que viemos conversar com vocês; nem admitimos seu convite com o propósito de prostituir a beleza de nossos corpos por lucro; mas, tomando-os por homens valentes e dignos, concordamos com seu pedido, para que pudéssemos tratá-los com as honras que a hospitalidade exigia: e agora, vendo que vocês dizem que têm uma grande afeição por nós, e ficam preocupados quando pensam que estamos partindo, não somos avessos às suas súplicas; e se pudermos receber tal garantia de sua boa vontade que achamos que pode ser suficiente por si só, ficaremos felizes em levar nossas vidas com vocês como suas esposas; mas tememos que com o tempo vocês se cansarão de nossa companhia, e então nos maltratarão e nos enviarão de volta para nossos pais, de uma maneira ignominiosa.” E eles desejaram que os desculpassem em sua proteção contra esse perigo. Mas os jovens professaram que lhes dariam qualquer garantia que desejassem; nem contradisseram o que pediram, tão grande era a paixão que tinham por eles. “Se então”, disseram eles, “esta for a vossa resolução, uma vez que fazeis uso de tais costumes e conduta de vida que são inteiramente diferentes de todos os outros homens, de tal forma que vossos tipos de comida são peculiares a vós mesmos, e vossos tipos de bebida não são comuns a outros, será absolutamente necessário, se nos quiserdes como vossas esposas, que adoreis também os nossos deuses. Nem pode haver qualquer outra demonstração da bondade que dizeis já ter, e prometeis ter daqui em diante para connosco, do que esta, que adoreis os mesmos deuses que nós. Pois há alguma razão para reclamar, que agora que viestes a este país, deveis adorar os deuses próprios do mesmo país? Especialmente enquanto os nossos deuses são comuns a todos os homens, e os vossos tais que não pertencem a mais ninguém senão a vós mesmos.” Então eles disseram que deveriam adotar métodos de adoração divina como todos os outros adotaram, ou então deveriam procurar outro mundo, onde pudessem viver por si mesmos, de acordo com suas próprias leis.

Ora, os jovens foram induzidos pela afeição que tinham por essas mulheres a pensar que elas falavam muito bem; então, eles se entregaram ao que elas as persuadiram e transgrediram suas próprias leis, e supondo que havia muitos deuses, e resolvendo que sacrificariam a eles de acordo com as leis daquele país que os ordenou, ambos ficaram encantados com sua comida estranha e passaram a fazer tudo o que as mulheres queriam que fizessem, embora em contradição com suas próprias leis; tanto que essa transgressão já havia passado por todo o exército dos jovens, e eles caíram em uma sedição que era muito pior do que a anterior, e em perigo de abolição total de suas próprias instituições; pois quando os jovens provaram esses costumes estranhos, eles foram com inclinações insaciáveis para eles; e mesmo onde alguns dos principais homens eram ilustres por conta das virtudes de seus pais, eles também foram corrompidos junto com o resto”.(Flavius Josefo Antiguidades judaicas 4:6-10)

A morte de Balaão

Balão não viveu tempo suficiente para desfrutar de todas as riquezas obtidas por do seu caminho. Como vimos, algum tempo depois do contato com Balaque, rei dos moabitas, ele mudou para Midiã. Quando Israel começou a penetrar a terra de Canaã, ainda sob o comando de Moshê, atacou a Midiã, matando também a Balaão que fora para receber as honras (pagamento) por seus conselhos.

“Eles atacaram Midiã, como o Senhor havia ordenado a Moisés, e mataram todos os homens.8 E mataram os reis midianitas quando foram mortos: Evi, Requém, Zur, Hur e Reba, os cinco reis de Midiã, e Balaão, filho de Beor, eles mataram à espada.”(Números 31:7-8)

E, se isto parece trágico, pior ainda é o fim que o espera no final dos tempos, no dia do juízo. O caminho de Balaão, além de não trazer tudo o que ele queria neste mundo, muito menos o trará no tempo da Eternidade. O legado do Balaão poderia ter sido o de um grande homem integro, mas ele estava motivado mais por amor do lucro que o amor de ser um profeta. Sua queda foi a ganância. Ele era um homem que amava o dinheiro mais do que a verdade. Esta é a razão pela qual ele é tradicionalmente chamado no judaísmo Balaão ha Rashah (Balam o malvado). O misticismo judaico, vincula de fato, a palavra bala’am com a palavra relacionada b’lo’am, que significa “sem nação”, indicando que Balaão foi excluído da cidadania nos céus por causa de seus seus pés que se apressaram a correr para o mau.

Eis que a mão do Senhor não está encolhida demais para salvar, nem o seu ouvido endurecido para ouvir. Mas as vossas iniquidades fazem separação entre vós e o vosso Deus; e os vossos pecados fazem com que ele esconda o rosto de vós, para que não vos ouça (…) Os seus pés correm para o mal, e eles se apressam para derramar sangue inocente; os seus pensamentos são pensamentos de iniquidade; roubo e ruína há nas suas estradas. Eles não conhecem o caminho da paz, e não há justiça nas suas veredas; eles fizeram para si veredas tortuosas; quem anda por elas não conhece a paz.(Isaías 59:1-2;7-8)

Agir sem pensar não é bom; quem se apressa erra o caminho.(Provérbios 19:1)

Pondera a vereda de teus pés, e todos os teus caminhos sejam bem ordenados!(Provérbios 4:26)

Não sigamos o exemplo dessas pessoas, que deixando a presença do Santo Bendito Seja Ele, se apressam para fazer o mau, as vezes visando um benefício próprio, ou simplesmente por um prazer maligno. Essas pessoas só terão um fim, o lago de fogo, a saber: a segunda morte, morte eterna.

Abençoado seja O Eterno


Comentários

Uma resposta para “Pés que correm rapidamente para o mal (5 de 7)”

  1. Avatar de Josiano Severino de Santana
    Josiano Severino de Santana

    A realidade dos dias atuais, olhos que vêem seus interesses, bocas que falam falsamente e pés que andam nos caminhos maus. Procuram vantagens, se alegram em derrota de outros, usurpam de coisas alheias e ainda tem a audácia de dizer que Deus o ajudou, o sistema do mundo mal, tem levado muitos a ruínas. Bendito é Deus, que nos ajuda a caminhar nesta terra.
    Hosana (Hoshia-na).

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