Yeshua – Cinco pães e Dois peixes – Uma reflexão que mudará sua vida

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Yeshua – Cinco pães e Dois peixes – Uma reflexão que mudará sua vida

Introdução

O pão é um dos alimentos mais antigos de toda humanidade. Em cada lugar do mundo ele ganhou um forma diferente de fazer assim como um sabor especifico ao povo que o faz. Sabe-se que, nos tempos bíblicos, a fome era uma realidade para a maioria do povo. A vida era muito difícil, havia escassez de água e comida. É daí, com certeza, que vem a grande importância dada à alimentação nos textos das Sagradas Escrituras. O pão era o alimento principal naquele tempo. “Comer pão”, em hebraico antigo, quer dizer o mesmo que “fazer uma refeição”. O pão de cevada era o mais consumido, não porque fosse mais apreciado do que o de trigo, e sim por ser mais barato. Uma simples mistura de farinha e água que matava a fome de muita gente. Além do pão, o peixe era, sem dúvidas, outro alimento bastante presente na mesa do povo naquela época. Peixe é o único alimento que (segundo as minhas pesquisas) a Bíblia diz explicitamente que Yeshua comeu, mas é óbvio que ele comeu outros alimentos. Vale ressaltar que a comida de Yeshua era kasher (apropriada conforme a Torah ordena). Podemos dizer que peixe e pão era sim, de fato, a comida da época de Yeshua.

Mas, o que fazer com apenas cinco pães e dois peixes, diante de multidões famintas?

No estudo de hoje, trataremos da “multiplicação” dos pães e peixes efetuadas por Yeshua durante o seu ministério aqui na terra. Estão preparado? Estão preparada? Então mergulhe conosco em mais um fascinante ensinamento de Yeshua!

A “multiplicação” dos cinco pães e dois peixes

Antes de entrarmos definitivamente na narrativa bíblica, gostaríamos de convidar você a voltar a escola conosco e revisarmos as aulas de matemática. Pode ser? Então vamos lá!

Multiplicação

Por definição, multiplicar é um verbo transitivo direto, bitransitivo e intransitivo que significa aumentar a quantidade de algo. Conhecemos como multiplicação a soma sucessiva de um número por ele mesmo. Confira o exemplo da imagem abaixo:

Perceba que no quadro 🅰️ temos 1 Maçã, enquanto que no quadro 🅱️ temos 4 maçãs. Isso significa dizer que a quantidade (1) numérica de maçã do quadro 🅰️ foi somada sucessivamente por ela mesma resultando em 4 maçãs. Veja o próximo exemplo a seguir:

Chamamos essa operação matemática de multiplicação. Guarde essa informação, voltaremos a falar sobre ela mais adiante. Agora vamos entrar, de fato, na narrativa bíblica.

A história se encontra em Marcos (6:30-44) e envolve uma das mais grandiosas manifestações milagrosas do Mashiach (Ungido) em seu ministério aqui na terra. Tudo começou quando Yeshua quis levar os discípulos para um lugar deserto onde teriam oportunidade de passar mais tempo a sós com ele, pois o movimento de tantas pessoas em busca do mestre os impedia até mesmo de comer (Mc 6:31). É interessante frisar isso porque o comer junto sempre foi algo muito importante na cultura Judaica, o que está previsto inclusive nas festas do Eterno. E Yeshua como Rabino que era, aproveitava o máximo dessas oportunidades para ensinar os discípulos a respeito das verdades do Reino de D’us. Ele sabia que os discípulos precisavam desse tempo de descanso e comunhão, e decidiu levá-los para um local deserto. No entanto, a multidão “estragou” os seus planos pois ele não contava que milhares de pessoas iriam atrás de si.

“E muitos os viram enquanto partiram e os reconheceram; e eles correram para o deserto, vindos de todas as cidades, e chegaram lá antes dele.”(Mc 6:33)

Esse detalhe nos ensina algo muito valioso. As pessoas chegaram no deserto, destino de Yeshua, antes mesmo dele. A sede pela palavra e a necessidade pela cura faziam com que esse povo não medisse esforços para alcançar “seus” objetivos.

Qual o tamanho da sua sede pela palavra de D’us? Qual o tamanho da sua necessidade de D’us? Quanto você está se esforçando para ouvir os ensinamentos de Yeshua e desfrutar de suas bênçãos?

“A preguiça induz ao sono, E o negligente passa fome.”(Pv 19:15)

É importante lembrar que essa multidão era dos discípulos de João o batizador, que havia sido morto por decapitação a mando do rei Herodes, atendendo ao desejo maligno de Salomé sua sobrinha neta e a mãe dela Herodias, sua amante. Essas pessoas estavam como ovelhas que não tem pastor, e quando Yeshua as viu, teve misericórdia por elas e começou a ensinar-lhes muitas “coisas” (Mc 6:34). Em Hebraico as palavras usadas por Marcos foram:

ללמד אותם דברים הרבה

L’laméd Otam D’varim Hirabáh

Ensinar para eles Palavras Grandes (muitas)

Podemos interpretar, sem nenhum problema, que Yeshua ensinava sobre Hasseret HaDibrot “Os Dez Ditos” ou “As Dez Declarações” ou seja, Os Dez Mandamentos.

Ao entardecer os discípulos pedem a Yeshua para liberar o povo para que possam ir às aldeias comprar alimentos, e é nesse momento que se inicia o milagre pois ele já sabia o que iria fazer. Antes porém Yeshua ordenou que toda multidão se assentasse primeiramente de modo organizado em grupos de 50 e de 100 pessoas. Não foi uma tarefa fácil porque havia cinco mil homens, sem levar em conta mulheres e crianças que eram muitas, certamente isso levou um bom tempo. Em resposta, Yeshua ordena:

“Dai-lhes vós de comer”(Mc 6:37a)

A lógica dos discípulos, às vezes, é oposta à do Mestre. Quando Yeshua manda alimentar a multidão, os discípulos reagem:

“Iremos comprar pão por duzentos denarios e dar-lhes-emos de comer?”(Mc 6:37).

Humanamente falando, era normal que os discípulos ficassem espantados com a ordem do Mestre Yeshua. O denário era uma moeda de prata romana, que levava a imagem da cabeça de César e era a “moeda do imposto por cabeça”, que os romanos exigiam dos judeus (Mt 22:19-21). O peso do denário era de aproximadamente 4 g. Nos dias do ministério terrestre de Yeshua, os lavradores recebiam em geral um denário por um dia de 12 horas de trabalho (Mt 20:2). Naquela época, com um denário seria possível comprar cerca de 8 kg de pão. Os discípulos sabiam que 200 denários correspondiam a 200 dias, ou 2.400 horas de trabalho durante o ano, aproximadamente 7 meses do nosso calendário. Eles calcularam que era necessários 1.600 kg de pão para alimentar toda aquela multidão. Yeshua sabia o que estava preste a acontecer, e segue a conversa com os seus discípulos:

“Quantos pães tendes? Ide e vede.”(Mc 6:38a)

Ao receber a segunda ordem de seu Mestre, os discípulos começaram a procurar entre a multidão quem tinha pão. Após uma diligente procura, encontraram um menino que consigo havia cinco pães e dois peixes. Naquela época e cultura, era comum que as pessoas levassem seus próprios alimentos ao viajar ou passar o dia fora. Ao estar presente quando a vasta multidão se reuniu, é provável que o menino tenha trazido consigo sua própria refeição. Ter cinco pães de cevada e dois peixes equivalia a uma refeição típica de meio-dia para um camponês. É razoável supor que o menino carregava esses alimentos consigo para seu próprio almoço. Quando os discípulos perceberam a escassez de comida diante da grande multidão, o menino demonstrou generosidade e abnegação ao oferecer o que tinha disponível. Ao sacrificar suas próprias provisões, o menino exemplificou uma fé genuína e uma generosidade que “possibilitaram” a Yeshua realizar um milagre extraordinário.

A Benção do pão

Os discípulos do Mestre Yeshua levaram os pães e peixes a sua presença:

“E, tomando os cinco pães e os dois peixes, e olhando para o céu, abençoou-os”

Comer pão apenas ou acompanhado de qualquer alimento a mesa, é algo tão significativo dentro do Judaísmo que há uma benção específica a ser citada para sua ocasião, é a milenar benção do pão ainda pouco conhecida dentro do cristianismo. A benção do pão ou Hamotzi trata-se de uma benção milenar usada também por Yeshua que era Rabino e se encontra em diversas passagens das bessorot (evangelhos), é dada antes de se comer o pão em separado ou junto com outra refeição em geral, em especial na refeição cerimoniosa do Shabat. Por falta de conhecimento sobre a cultura e tradição judaica, a tradução que normalmente desconsidera os hebraísmos ocorridos na língua de partida, a maioria das versões diz que Yeshua abençoou o pão ou alimento antes de comer. Na verdade ele recitou a milenar benção do pão que diz:

Baruch Atá Adonay, Elohênu Mélech haolam, hamôtsi lêchem min haárets.

bendito és Tu Adonay nosso D’us Rei do universo que faz o pão brotar da terra.

É uma benção singela mas expressa profunda gratidão a D’us que nos provê o alimento e faz com que este chegue até à nossa mesa. Ao recitar a benção (Hamotzi) do pão, Yeshua fez um milagre extraordinário, a repartição dos cinco pães e dois peixes:

“e partiu os pães, e os deu aos seus discípulos para que os distribuísse diante deles; e repartiram os dois peixes entre todos.”(Mc 6:41b)

Este milagre, a “multiplicação” de pães e peixes é certamente um dos milagres mais famosos de Yeshua, entre os cristãos e os não cristãos. Todavia, esta multiplicação nunca existiu! Convido você a voltarmos mais uma vez a escola, novamente nas aulas de matemática. Vamos lá!

Repartição – partir

Por definição, repartição é um substantivo feminino que corresponde ao ato ou efeito de repartir(-se); divisão, repartimento. Ato de dividir algo em partes; partilha, reparte. Confira o exemplo da imagem abaixo:

Perceba que no quadro 🅰️ temos 1 Maçã, enquanto que no quadro 🅱️ também temos 1 Maçã, porém dividida ou partida em 4 pedaços. Todavia permanece sendo 1 única Maçã.

Consideramos importante esclarecer que que o Filho de D’us, Yeshua, não precisaria multiplicar pães para alimentar cinco mil pessoas. No caso ele usou cinco pães, partiu e mandou seus discípulos irem partindo aqueles pães em pedaços e distribuindo com a multidão. De modo que saciou a todos. Foi assim que aconteceu, pois é exatamente assim que funciona a matemática de D’us, totalmente oposta a do homem, quanto mais damos mais recebemos e temos mais ainda para dar, e o ciclo se repete ininterruptamente até que haja uma abundância tal que não se pode explicar a não ser pelo sobrenatural. Esse é o caráter inerente a D’us que é um pai que dá tudo a todos, e foi assim que no final ainda sobraram 12 cestos cheios de pedaços de pães e peixes daqueles originais.

Com este grande milagre, Yeshua nos ensina a partilhar o nosso pão com o próximo. Nada iguala o sabor do pão partilhado, da comida partilhada, nada é tão abençoado como dividir o que temos com o nosso próximo! Precisamos nos dar para o outro, precisamos ser alimento para o outro, precisamos ser algo que sacie o outro. Ou seja, não podemos deixar ninguém ir embora sem sentir a nossa presença, o nosso calor humano, o nosso afeto e a nossa ternura. Não podemos deixar ninguém sair da nossa casa ou da nossa presença com fome ou com sede. O pouco que temos dividimos e D’us o “multiplica”; o pouco que temos partilhamos e compartilhamos. A graça de D’us abençoa de modo a saciar a todos. É nossa obrigação dar de comer ao mundo! Para isso, primeiro, precisamos ser alimento para o mundo e nos dar para o outro.

A grande fome e sede do mundo é a fome de amor, de ternura, de aconchego e de cuidado, por isso precisamos cuidar das pessoas e ser presença viva (de Yeshua) para as pessoas. Um abraço, um sorriso, uma atenção, uma delicadeza faz toda a diferença na vida de alguém! Mas não fiquemos apenas nos gestos, se alguém está passando fome – e ninguém tem direito de passar fome ao nosso lado! – podemos pensar: “O que vou fazer? Não tenho dinheiro para cuidar da fome do mundo?” Use da graça divina, reparta o pão da sua casa, o arroz, o feijão, a farinha que você tem, mas nunca permita que alguém do seu lado passe fome! Seja o próprio alimento para aquela pessoa e o alimento que você tem, por menor que este seja – uma porção de farinha ou um pouco de pão – divida-os e os reparta.

“O homem de bom olho (generoso) é abençoado, porque dá do seu pão aos pobres”.(Pr 22:9)

“Aquele que é generoso para com os pobres faz um empréstimo a D’us. Ele lhe retribuirá o que lhe é devido”.(Pr 19:18)

“Mas aquele que tiver bens deste mundo, e vir seu irmão passar necessidade, e lhe fechar o seu coração, como pode permanecer nele o amor de D’us?”(1 João 3:17)

A congregação dos discípulos de Yeshua do primeiro século entenderam perfeitamente essa mensagem e vivia nesse nível de relacionamento com os irmãos. O partir do pão para eles não era um ritual, nem uma obrigação enfadonha, mas a expressão sincera e prazerosa da revelação que eles tinham do Mestre e da sua obra em favor deles. Era por isso que eles se moviam em altos níveis de fé, de forma sobrenatural, sendo partícipes dos milagres, sinais, prodígios e maravilhas de D’us.

E perseveravam na doutrina dos apóstolos, e na comunhão, e no partir do pão, e nas orações. E em toda a alma havia temor, e muitas maravilhas e sinais se faziam pelos apóstolos. E todos os que criam estavam juntos, e tinham tudo em comum. E vendiam suas propriedades e bens, e repartiam com todos, segundo cada um havia de mister. E, perseverando unânimes todos os dias no templo, e partindo o pão em casa, comiam juntos com alegria e singeleza de coração, Louvando a D’us, e caindo na graça de todo o povo. E todos os dias acrescentava o Senhor à congregação aqueles que se haviam de salvar.(At 2:41-47)

Todos nós, seguidores do Rabino Yeshua devemos resgatar a essência dos seus ensinamentos que foram, por muitas vezes, deturpados e esquecidos. Espero que você tenha entendido que Yeshua NÃO MULTIPLICOU os cinco pães e os dois peixes, mas REPARTIU nos ensinando a FAZER o MESMO.

O Código Secreto dentro do Milagre

Primeiramente, precisamos estar atentos aos números que o texto nos apresenta: 5 pães, 2 peixes e 12 cestos.

A Torah ou o Pentateuco chamado de Lei de Moisés é formado por cinco livros: Genesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronómio. A leitura da Torah no tempo de Yeshua pelos Judeus que é chamada de Parashá era realizada semanalmente aos Sábados. Parece que tudo isto não tem nada a ver com a repartição dos pães de Yeshua HaMashiach. É verdade, mas só parece, pois tem tudo a ver, conforme veremos a seguir. Não podemos nos esquecer dos números até aqui apresentados, vamos relembrar e fazer uma comparação:

Cinco (5) pães – Torah (5) livros de Moshê;

Dois (2) peixes – Primeira e Segunda Vinda de Yeshua;

Doze (12) cestos – Doze (12) Tribos de Israel.

Se além de todas estas conexões fizermos uma associação do deserto onde o milagre é feito por Yeshua com a travessia dos judeus pelo deserto liderada por Moshê, e do pão com o maná que alimentava esses mesmos judeus na travessia, já podemos desvendar a alegoria dessa repartição. Yeshua estava claramente a indicar que a sua doutrina estava intimamente ligada à palavra de D’us patente no “velho testamento” e que esta deveria ser difundida pelos seus doze discípulos ao povo judeu (e também gentios) de forma paralela.

Em outras palavras, Yeshua mostrava aos discípulos para ensinarem e repartirem os seus ensinamentos de forma paralela à Torah, a sua vinda e também o seu retorno, não só para os judeus, mas também para os gentios. As doze (12) tribos de Israel espelhadas no mundo é compotas por judeus e cristãos.

Abençoado Seja o Eterno


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