Parashá Masei

Parsha Masei  מַסְעֵי é a quadragésima terceira parsha no ciclo anual de leitura. É a décima e última leitura em Bamidbar (Números). Masei é a segunda metade da sexta porção dupla – parsha Matot-Masei. A parsha dupla Matot-Masei é lida como uma leitura combinada todos os anos, exceto em anos bissextos. Descobri quatro maneiras de soletrar – Masai, Masei, Mas’ei ou Masse.

Masei  מַסְעֵי é traduzido como “ jornadas ”. Começa com as 42 jornadas de Israel do Egito para as planícies de Moabe em Jericó. Em seguida, YHVH delineia a fronteira da terra prometida e nomeia os líderes que devem dividir a terra. Em seguida, YHVH instrui Moisés sobre as cidades levíticas que são cidades de refúgio espalhadas por toda a terra. Finalmente, a questão das filhas de Zelofeade herdando terras e a transferência de suas terras.


Moshê toma nota dos locais onde Benê Yisrael acamparam
Hashem ordenou a Moshê:

“Anote o nome de cada lugar onde Benê Yisrael acamparam nos quarenta anos em que caminharam pelo deserto.”
Durante suas andanças, Moshê já havia registrado o nome de cada parada, conforme Benê Yisrael partiam. Agora, quando os judeus finalmente chegaram às margens do Jordão, D’us ordenou a Moshê que compilasse uma lista completa das paradas. O primeiro nome que Moshê escreveu foi “Raamsês”. Nesta cidade egípcia, Benê Yisrael haviam se reunido para começar a jornada pelo deserto. De Raamsês, tinham seguido a um local no deserto chamado Sucot. Por que era chamado de Sucot? Está relacionado à palavra lechassot, cobrir, porque em Sucot, Hashem cobriu Benê Yisrael com as Nuvens de Glória. Moshê continuou a anotar o nome de cada lugar onde Benê Yisrael tinham acampado. A lista completa abrangia 42 locais, terminando com “as planícies de Moav”.

Por que Hashem desejava estes nomes registrados na Torá

Por que Hashem pediu a Moshê que listasse todas as paradas feitas por Benê Yisrael? Que interesse poderiam ter para as futuras gerações?
Eis aqui algumas respostas:

  1. Após o pecado dos espiões, Hashem puniu a geração de Moshê com quarenta anos vagando pelo deserto. Poderíamos pensar que Hashem forçou os judeus a vagar constantemente. Por isso Hashem disse a Moshê que registrasse todos os locais em que acamparam, para nos mostrar que Benê Yisrael freqüentemente acampavam e descansavam. No primeiro e segundo anos no deserto, antes dos espiões terem sido enviados, viajando rapidamente a caminho de Êrets Yisrael, passaram por 14 estações. Descontando estas da lista total de 42 locais, teremos então que, após o decreto de Hashem de permanecer no deserto por 40 anos, eles passaram por apenas 28 lugares. Destes 28, subtraímos outros 8 lugares pelos quais Benê Yisrael viajaram no quadragésimo ano, após a morte de Aharon. (Estes oito não faziam parte de suas caminhadas; pelo contrário, foram erros de Benê Yisrael. Após a morte de Aharon, estavam tão temerosos dos ataques inimigos que retrocederam oito paradas.) Assim, restam 20 lugares, nos quais acamparam durante um período de 38 anos. Mais que isso, numa estação, Cadêsh, acamparam por 19 anos. Portanto, nos 19 anos restantes, acamparam em 19 paradas, com a média de um ano acampados em cada local. Vemos que se Hashem decreta uma punição, Ele o faz com misericórdia. Esta lista de locais nos ajuda a entender isso. Sabemos também que os judeus de nada sentiam falta, enquanto viajavam pelo deserto. Hashem lhes fornecia o
    man, água do Poço de Miriam, além de rodeá-los com Nuvens de Glória.
  2. Pareceria inacreditável às gerações posteriores como uma nação de milhões de almas sobreviveu por quarenta anos no deserto. Tentarão interpretar este período da história de maneira natural, criando todos os tipos de teorias, como: Benê Yisrael viajaram por regiões habitadas, e – similar a outras tribos nômades – sustentavam-se através de fontes de água e nutriam-se de plantas lá encontradas, ou de plantas que plantaram e colheram durante estadias mais longas. Por isto, a Torá descreve repetidamente os desertos percorridos pelos judeus. A maioria era completamente inabitável por seres humanos, pois não tinham água nem vida vegetal. Uma enorme população de homens, mulheres e crianças jamais poderia ter sobrevivido lá. A fim de incutir firmemente em nossos corações a fé de que Hashem milagrosamente guiou nosso povo através do deserto, a Torá especifica os nomes das paradas. As antigas gerações conheciam tudo acerca dessas regiões, e sabiam que não eram habitáveis.
  3. O Midrash oferece uma outra razão: Estes locais merecem uma menção honrosa porque acomodaram os judeus durante suas caminhadas. Foram honrados, embora lugares não tenham vontade própria. Isto nos ensina a grande recompensa da hospitalidade. Se um judeu, por livre escolha, abre sua casa a alguém que precisa de alimento e um local para dormir, muito mais Hashem o honrará!
  1. As estações onde Benê Yisrael acamparam estão listadas em ordem, a fim de ensinar que suas andanças eram
    ditadas por um plano espiritual definido.

Um homem tinha um filho muito doente. Levou-o de um médico a outro, e de hospital a hospital para tratamentos. Lenta e gradualmente o filho recuperou-se. Quando finalmente o pai pôde levá-lo para casa, mostrava-lhe, pelo caminho, todos os locais onde o rapaz passara por tratamentos e operações. “Lembre-se quando passamos a noite nesta ala?” Conforme passavam por outros lugares, dizia: “Aqui, você ardeu em febre,” e em outro: “Aqui, você foi afligido por dores de cabeça.” Similarmente, a Torá deseja chamar a atenção ao fato de que Hashem fez com que Benê Yisrael permanecessem em determinadas paradas no deserto a fim de curar sua doença espiritual e moral depois do exílio no Egito. Mais ainda, Hashem queria refinar e purificar a geração, de maneira que o elevado nível moral e espiritual alcançado pelos seus membros se tornasse um potencial natural em seus futuros descendentes. Portanto, liderou os judeus através das paradas que ofereciam testes para desafiá-los. Por exemplo, a estação onde Benê Yisrael
fizeram o bezerro de ouro continha o poder de gerar um ímpeto para a idolatria; Kivrot Hataavá, onde exigiram carne, instilou-lhes desejos físicos. Em cada local por onde passaram, Benê Yisrael foram testados para ver se fortaleciam-se contra esse impulso em particular, com a ajuda da Torá e mitsvot.

D’us ordena que as nações que vivem em Êrets Kenaan sejam expulsas, e define as fronteiras da Terra
Hashem ordenou a Moshê as mitsvot que os judeus teriam de cumprir em Êrets Yisrael. Uma delas era: “Vocês não podem se estabelecer entre as sete nações que lá vivem. Depois que conquistarem a terra, expulsemnos! Estas nações adoram ídolos e fazem outras coisas negativas. Se viverem junto a eles, imitarão seus modos errados. Se obedecerem, permanecerão no país. Do contrário, as nações que lá deixassem causariam infelicidades a vocês. Destruam todos os ídolos que encontrarem no país.” O Todo Poderoso delineou a Moshê as fronteiras precisas de Êrets Yisrael. Moshê então descreveu aos judeus os
limites exatos de Êrets Yisrael a leste, norte e sul do país. A fronteira oeste é o Mar Mediterrâneo. Por que devemos conhecer as fronteiras? Porque muitas mitsvot aplicam-se apenas a Yisrael. Por exemplo, terumot (doações aos cohanim) e maasrot (dízimo) são separados do grão, vinho e azeite de oliva apenas da produção de Yisrael. (Os Sábios instituíram que terumot e maasrot sejam separados também de frutas e vegetais). Por isso precisamos saber as fronteiras exatas do país, para saber se a produção crescia ou não em Êrets Yisrael.

Os levitas recebem 48 cidades em Êrets Yisrael Os levitas serviam no Bet Hamicdash e eram os que ensinavam Torá para todo o povo. Não tinham tempo para cultivar fazendas. Por isso, não receberam uma parte de Êrets Yisrael.Hashem determinou que os leviyim residissem em quarenta e oito cidades distribuídas por toda Êrets Yisrael. Como havia cidades de levitas por todo Êrets Yisrael, cada distrito tinha mestres de Torá.Hashem ordenou: “Cada cidade dos levitas deverá ter uma área aberta com mil amot (aproximadamente 500 m2) em volta.” Este espaço permanecia aberto para embelezar a cidade.Era proibido plantar ali. Quando Benê Yisrael vinham para aprender a Torá com os levitas, ficavam impressionados pela bela paisagem. Isto os ajudava a honrar os professores de Torá. A área aberta ao redor de cada cidade era circundada por uma segunda área de maior dimensão, onde os levitas tinham permissão de cultivar plantas e apascentar seus rebanhos. É interessante notar que no futuro, quando Mashiach chegar, a tribo dos levitas também receberá sua porção de Êrets Yisrael. A terra então, será dividida em treze tribos.Hashem ordenou que, das quarenta e oito cidades levitas, seis fossem separadas oficialmente como Cidades Refúgio para assassinos não intencionais, três em Êrets Yisrael, e três do lado leste do Jordão.

As cidades de refúgioHashem disse a Moshê: “Separe três Cidades-Refúgio a leste do Rio Jordão. Depois que Benê Yisrael cruzarem o Jordão, Yehoshua deverá separar outras três em Êrets Yisrael.”“Um judeu que matou outro deve fugir para uma das cidades por Mim designadas como Refúgio. Em seguida, é levado a julgamento e verificado se matou intencionalmente ou por engano. Se for decidido que o assassinato foi cometido deliberadamente, o assassino não pode retornar à Cidade-Refúgio. É condenado à morte (desde que tenha sido advertido e duas testemunhas tenham observado o assassinato)”.“Entretanto, se os juízes decidirem que o assassinato foi acidental – por exemplo, a pessoa estava cortando madeira e o ferro do machado voou e matou um circunstante – eles o mandam de volta à Cidade-Refúgio.”“Apenas lá ele estará a salvo do goel hadam. O goel hadam, redentor do sangue, é o parente mais próximo da vítima. Ele tem o direito de matar o assassino em qualquer local fora de uma Cidade-Refúgio, mas jamais dentro da Cidade-Refúgio.”Por que a Torá permite que o goel hadam mate um assassino?Para entender esta parte, vejamos o que a Torá nos diz sobre o pecado de assassinato.

A gravidade de se destruir uma vida
De todos os pecados que um ser humano pode cometer contra o próximo, a Torá considera o assassinato o pior de todos.
Muitas falhas cometidas contra o próximo podem ser corrigidas. Se uma pessoa insulta outra, pode se desculpar; se roubou alguma coisa, pode devolvê-la ou pagar por ela. Mas se tirou a vida de alguém, jamais poderá devolvê-la. Além disso, muito provavelmente a vítima teria tido filhos. Agora todas estas gerações não poderão nascer.
Assim, é como se o assassino tivesse matado todas estas pessoas porque as impediu de vir a este mundo. Por
isso, aquele que mata uma pessoa é considerado como se tivesse destruído um mundo inteiro.
Quando Cáyin assassinou seu irmão Hêvel, Hashem o repreendeu, dizendo: “O sangue de seu irmão e o sangue de
todos os filhos que ele poderia ter gritam por Mim da terra!”
Se uma vida humana for tirada, o sangue da vítima não pode descansar. Permanece agitado até que seja vingado, levantando um clamor que reverbera através do universo.
Este crime é tão sério que exige implacável punição, mesmo se cometido inadvertidamente. Ninguém é ferido por outrem por acidente, ou por “má sorte”. Se o assassino tivesse sido uma pessoa justa, Hashem não permitiria que
este ato acontecesse através dele. Por isso, o goel hadam tem o direito de puni-lo.

Entretanto, como matou sem má intenção, o assassino pode escapar a uma Cidade-Refúgio e lá ficar a salvo do goel hadam. O castigo é que deve trocar seu lar por um local novo e estranho. Esta punição expia o seu pecado. Todos os infortúnios são providencialmente causados por Hashem através de agentes específicos por motivos conhecidos apenas por Ele.

Geralmente, a tragédia expia uma culpa anterior da vítima e, mais que isso, indica que o perpetrador é passível de ato similar.
De que maneira Hashem pune dois assassinos, um dos quais agiu deliberadamente, enquanto o outro assim o fez inadvertidamente, e nenhuma das ações foi presenciada por testemunhas?
O Todo Poderoso faz com que os caminhos dos dois delinqüentes se cruzem. Descendo de uma escada, o assassino não intencional cai sobre o assassino intencional, que está passando sob a escada naquele exato momento. O
assassino intencional é morto, recebendo assim a sentença por seu crime anterior, enquanto o assassino não intencional também recebe seu merecido castigo: testemunhas depõem contra ele, e o tribunal o sentencia ao exílio numa Cidade-Refúgio.

Por que Hashem escolheu as cidades levitas para servirem como Cidades-Refúgio?

1. Geralmente, parentes e amigos de alguém que foi assassinado, mesmo que por acidente, ficarão ressentidos com o assassino e rejeitaram sua companhia. Contudo, os leviyim, servos dedicados de Hashem, não odiarão ou rejeitaram o foragido. Se estabelecer-se em seu meio, aceitam-no como membro de sua sociedade.

2. Viver numa elevada atmosfera de santidade comum a uma cidade de leviyim é de benefício espiritual ao assassino. Hashem designou sua estadia lá para ajudá-lo a se arrepender de seu pecado e expiá-lo.

Por quanto tempo alguém que matou por acidente deve permanecer na Cidade-Refúgio
O assassino deve permanecer na Cidade-Refúgio até a morte do Sumo Sacerdote. Então poderá voltar para casa. Por que Hashem escolheu a morte do Sumo Sacerdote para o término da estadia do assassino na Cidade-Refúgio? O que tem o Sumo Sacerdote a ver com isso?

  1. Se ocorrem tragédias entre os judeus, o Sumo Sacerdote é considerado responsável. Pois quando entra no Santo dos Santos em Yom Kipur, deve rezar para que o povo não cometa qualquer pecado das três categorias – idolatria, imoralidade e assassinato. Se a sua prece tivesse sido perfeita, Hashem aboliria todos os maus decretos
    para aquele ano. Assim, de certa forma, se ocorre um assassinato, é atribuído a alguma imperfeição nas preces do Sumo Sacerdote. Nossos Sábios nos dizem que os assassinos em uma Cidade-Refúgio esperavam que o Sumo Sacerdote morresse para que pudessem voltar para casa. Preocupados de que os assassinos poderiam rezar pedindo a morte de seus filhos, as mães de todos os Sumo Sacerdotes faziam a ronda nas Cidades-Refúgio. Serviam-lhes alimentos e bebidas, esperando que os refugiados se sentissem confortáveis. Queriam que eles apreciasse a sua estadia na
    cidade, e não que rezassem pedindo a morte do Sumo Sacerdote!
  2. O assassino não intencional é dispensado da Cidade-Refúgio com a morte do Sumo Sacerdote, pois o
    falecimento de um tsadic serve como expiação para toda a comunidade. O pecado do assassino não intencional é totalmente expiado através da morte do Sumo Sacerdote.

Mais detalhes sobre as Cidades-Refúgio Todos os detalhes da mitsvá de separar Cidades-Refúgio demonstram como a Torá é justa: •Hashem não sentenciou o delinqüente ao confinamento solitário atrás das barras da prisão, ou na companhia de elementos de baixo nível. Muito pelo contrário, Ele o envia a um dos ambientes mais elevados do Judaísmo, entre os leviyim que são servos dedicados a Hashem e professores de Torá. Esta atmosfera era espiritualmente benéfica ao assassino e a melhor oportunidade de reabilitação.

• Cada assassino passa um período diferente na Cidade-Refúgio, o período de confinamento varia ao extremo. Alguém pode entrar e ser dispensado em poucos dias (se o falecimento do Sumo Sacerdote ocorrer naquela semana), enquanto outra pessoa pode ter de passar o resto da vida na Cidade-Refúgio.

• O sistema de contabilidade Divino calcula o período de expiação necessário para cada assassino. Hashem programa as entradas e saídas das Cidades-Refúgio segundo a necessidade de expiação de cada indivíduo.Enquanto Benê Yisrael viviam no deserto, o acampamento dos leviyim servia como Cidade-Refúgio. Antes de seu falecimento Moshê separou as três Cidades-Refúgio do lado leste do Jordão. De acordo com a lei da Torá, essas ainda não podiam funcionar como tal até que as Cidades-Refúgio em Êrets Yisrael fossem estabelecidas. Isto foi realizado pelo sucessor de Moshê, Yehoshua, que designou as Cidades-Refúgio em Êrets Yisrael propriamente dita, bem como as outras cidades levitas.

Hashem adverte para que não se deixe um assassino intencional escapar com vida Hashem advertiu os judeus: “Não deixem um assassino intencional, que o tribunal declarou passível de pena capital, resgatar sua vida com dinheiro. Se não sentenciarem pena capital a um assassino, vocês denigrem a santidade de Êrets Yisrael, onde Eu moro. As maldições previstas na Torá se concretizarão na Terra, e esta não dará mais farta produção.
“Não deixem que um assassino intencional encontre abrigo na Cidade-Refúgio em vez de executá-lo. Conduzam-no à morte.” O Bet Din também é advertido: “Nunca aceite dinheiro de alguém que assassinou intencionalmente para poupá-lo da pena de morte!”

A diferença entre as seis Cidades-Refúgio e as outras quarenta e duas cidades
Nossos Sábios explicam que não apenas estas seis, como também as outras 42 cidades levitas protegiam assassinos que não tiveram intenção de matar. Em outras palavras, todas as 48 cidades levitas serviram como
Cidades-Refúgio. A Torá chama as seis cidades separadas por Moshê e Yehoshua de “arê miclat / cidades de refúgio.” Por que a Torá designa apenas seis cidades em particular de “arê miclat”? A resposta é que estas seis têm duas vantagens sobre as outras quarenta e duas:

  1. Um assassino podia viver sem pagar por sua permanência. Nas outras cidades, pagava aluguel aos levitas.
  2. Estas seis protegeriam um assassino mesmo se ele não percebesse que a cidade à qual chegara era um refúgio.
    Entretanto, nas outras quarenta e duas, um assassino era protegido do goel hadam apenas se soubesse que
    estava em uma cidade levita.

As filhas de Tselofchad encontram maridos
A Parashá de Pinechás nos contou a história das filhas de Tselofchad: Haviam pedido a Moshê que as deixasse herdar o quinhão do pai em Êrets Yisrael, pois ele não tivera filhos homens. As filhas de Tselofchad eram da tribo Menashê. Os chefes desta tribo foram a Moshê e reclamaram: “As filhas de Tselofchad poderiam casar-se com homens de uma tribo diferente. Mais tarde, seus filhos herdarão sua terra. Em resultado disso, nossa tribo perderá propriedades.”
Moshê respondeu em nome de Hashem: “Sua reclamação é justa. As filhas de Tselofchad devem escolher maridos de sua própria tribo, Menashê, para que esta tribo não perca propriedades. ”Esta lei vigorou apenas durante a geração de Moshê, para estabelecer os limites de cada tribo. Machlá, Tirtsá, Chaglá, Milcá e Noá seguiram o conselho de Moshê. Todas encontraram ótimos maridos em sua
própria tribo.

Assim, o livro de Bamidbar, que contém vários incidentes tristes descrevendo a infidelidade dos judeus a Hashem e
à Terra Prometida, termina com o relato inspirador de uma tribo e suas mulheres que amavam a Terra.

As últimas mitsvot mencionadas no Livro de Bamidbar
As últimas mitsvot do Livro de Bamidbar referem-se a Êrets Yisrael.

D’us mandou que as nações não-judias que lá residiam fossem expulsas, e Ele detalhou como a Terra deveria ser distribuída; inclusive quais cidades deveriam
ser dadas aos leviyim, e quais deveriam ser designadas como Cidades-Refúgio.
Moshê ficou desapontado quando Benê Yisrael chegaram às margens do Jordão. Refletiu com tristeza: “Liderei o povo para fora do Egito, e treinei-os durante quarenta anos para entrarem em Êrets Yisrael. Porém, apesar de eu ter plantado essas sementes, outro colherá os frutos. Uma vez que não me é permitido atravessar o Jordão, meu nome não estará associado a Êrets Yisrael.”
Para compensá-lo, Hashem ensinou a Moshê as mitsvot que são cumpridas apenas em Êrets Yisrael. Isto tinha o propósito de consolar e animar Moshê. Hashem estava, de certa forma, dizendo-lhe: “Apesar de você não estar
realmente entrando na Terra, pode descansar certo de que mesmo lá, não será esquecido. Todas as leis e
mandamentos aplicáveis a Êrets Yisrael serão ensinados em seu nome.”

A lista de locais no deserto nos dá chizuc (encorajamento)
Nesta Parashá, Hashem listou todos os lugares no deserto pelos quais Benê Yisrael viajaram. Após a destruição do Bet Hamicdash, o povo judeu tornou-se andarilho novamente. Foram exilados de seu país. Após a Primeira Destruição, foram levados à Babilônia, e após a Segunda Destruição, para Roma e outros países. Há milhares de lugares pelos quais nossa nação viajou pela Galut (exílio). E em muitos deles os judeus foram oprimidos, maltratados e mortos.
Podemos pensar que Hashem esqueceu o quanto Benê Yisrael sofreram por todos esses anos. Mas não é assim. Como Hashem disse a Moshê para escrever a lista de locais no deserto, da mesma forma cada parada deste exílio é anotada perante Ele no céu. Ele Se lembra de todo o sangue que foi vertido e de todas as lágrimas que foram derramadas. Estamos no fim de nossa jornada. Hashem, em Seu grande amor pelo povo judeu, é Quem está nos dirigindo através do exílio em direção à vinda de Mashiach. O Midrash nos relata que a nação judaica reclama a Hashem: “No Egito, Tu nos mandaste Moshê para nos libertar do exílio, e mais tarde mandaste outros líderes para nos ajudar: Yehoshua, os Juízes, e os Reis. Porém, após isto, fomos enviados novamente à Galut!” Hashem responde: “Isto aconteceu porque vocês foram libertados por seres humanos. No futuro Eu mesmo os redimirei. Então sua liberdade será imorredoura, assim como Eu. Vocês jamais terão que suportar a vergonha do exílio.”

Com esta Parashá encerra-se o livro de Bamidbar.
Ao concluir-se cada um dos cinco livros da Torá, é costume a congregação proclamar, seguida pelo chazan (ledor):
“Chazac, chazac venit’chazec / Sejam fortes! Sejam fortes! E fortaleçam-se!”

Fonte: Chabad


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