Olho bom x Olho mau

O segredo do Hebraico de hoje, trás para vocês: Olho bom x Olho mau, a verdadeira compreensão dos ensinamentos de Yeshua.
Ao ler o “Novo Testamento”, você já sentiu como se não estivesse realmente enxergando a perspectiva geral? Para compreendermos de verdade, precisamos abandonar a leitura moderna do “Novo Testamento” e analisar a B’rit Chadashá em seu contexto original, isso inclui o idioma (Hebraico) falado por Yeshua e seus Talmidim (alunos), a Jerusalém do passado, do ponto de vista histórico, cultural e arqueológico, no século I.
No livro de Mateus, para ser mais exato, capítulos 5-7 encontramos o famoso Sermão da Montanha, onde Yeshua instrui seus Talmidim sobre vários aspectos da vida material e espiritual. Ele aborda temas como a prática da justiça, a oração, o jejum e a confiança em D’us para as necessidades diárias. Neste sermão, Yeshua oferece ensinamentos profundos e práticos sobre como viver uma vida centrada em D’us e voltada para o Reino dos Céus. Essas instruções são tão relevantes hoje quanto eram na época de Yeshua, oferecendo orientações valiosas para seus seguidores em sua jornada de Teshuvah. O Sermão da Montanha é visto como o texto que melhor exprime o cerne da mensagem dos escritos dos nazarenos (“Novo Testamento”) e como uma síntese perfeita da tradição judaica. Pode-se ler toda a Escritura, de Bereshit (Gênesis) ao Chizayon (Apocalipse), mas não se encontrará algo que supere a sabedoria do Amado Mestre Yeshua ditas no Sermão do Monte. O texto concentra o maior número de instruções e conselhos espirituais perenes e universais de toda a Escritura. Boa parte de tudo aquilo que o leitor da Escritura, dela se recorda deriva do Sermão. Todavia, como foi dito na introdução, existem textos, ou simplesmente palavras que parecem não fazer muito sentido, e acabamos por ter a sensação de que algo não está claro. Isso ocorre, na maioria das vezes, quando tiramos as palavras ou frases do seu contexto.
Um exemplo disso, está nos versículos 22-23 do capítulo 6. Segue o texto:
נֵר הַגּוּף הוּא הָעָיִן לָכֵן אִם־עֵינְךָ טוֹב בְּכָל־חַדְרֵי בִטְנֶךָ יִהְיֶה אוֹר׃
A vela do corpo é o olho, portanto, se o teu olho for bom, em toda a câmara do teu ventre (corpo) será luz.
וְאִם־עֵינְךָ רָעָה חֹשֶׁךְ בְּכָל־חַדְרֵי בִטְנֶךָ וְאִם־הָאוֹר בְּךָ חֹשֶׁךְ מַה־גָּדוֹל חָשְׁכֶּךָ׃
E se o teu olho for mau, há trevas em toda a câmara do seu ventre, e se a luz é escuridão em você, quão grandes são as suas trevas!
Alguns escritores cristãos, por não conhecerem o idioma hebraico e o pensamento judaico talvez, não conseguem extrair a verdadeira mensagem contida nesses versículos. Comentando sobre as expressões: “olho bom e olho mau”, eles levam para um estado espiritual sem se preocupar com o que o texto em sua simplicidade está dizendo de fato. Como por exemplo, esse comentário de um blog que encontrei:
“A passagem de Mateus 6:22-23 nos diz que devemos prestar atenção às coisas que vemos e ouvimos. Se vemos algo que nos afasta da vontade de Deus, devemos afastar-se dele. Se ouvimos algo que nos afasta da vontade de Deus, devemos ignora-lo. Se nos concentramos em bons princípios e valores, nosso caminho será iluminado. Devemos ter o olho bom e nos concentrar em coisas boas e nos afastar do olho mau que só enxerga as coisas ruins”.
(Fonte mantida em sigilo)
Mas afinal, o que de fato Yeshua quis ensinar (ensinou) ?

Yeshua era judeu, e como fazia (faz) parte da cultura do seu povo, ele usava muitas expressões idiomáticas nos seus ensinamentos. De forma resumida, podemos dizer que as expressões idiomáticas são figuras de linguagem que nos possibilitam atribuir diferentes sentidos a uma mesma palavra quando utilizada em conjunto com outro vocabulário em determinados contextos. Ao lermos a Escritura Hebraica precisamos entender as expressões idiomáticas usadas nela para podermos compreender o sentido correto dos textos. No livro de Yehoshua (Josué) encontramos a seguinte expressão idiomática:
אנכי הולך היום בדרך כל הארץ
Anokhi Holekh Hayom B’derekh Kol Ha’arets
Literalmente:. “Eu vou hoje no caminho de toda a terra.”(23:14)
Essa é uma expressão idiomática que significa: “Estou perto da morte, ou, o dia da minha morte está chegando.” As expressões: “olho bom e olho mau,” não é algo exclusivamente dos escritos dos nazarenos, podemos encontra-las espalhadas por toda escritura hebraica, como por exemplo, no livro de Mishlei (provérbios):
טוב-עין הוא יברך כי-נתן מלחמו לדל
O Bom olho é abençoado, porque da o pão dele para os pobres.(Mishlei 22:9)
Essa expressão (Tov Ayin) “bom olho, ou olho bom” é usada para designar generosidade. Portanto, a tradução deve ser feita por equivalência quando a expressão idiomática é entediada: “O generoso é abençoado, porque dá o pão dele para os pobres.” Seguindo o mesmo padrão, a expressão (Ra Tov) “olho mau” é o Antônimo do “olho bom”
אל-תלחם–את-לחם רע עין ואל-תתאו למטעמתיו
“Não coma do pão do mau olho, nem cobice as suas iguarias.”(Mishlei 23:6)
Seguindo o mesmo critério de tradução, nós temos o seguinte: “Não coma do pão do avarento, nem cobice as suas iguarias.”
Analisando o contexto de Mateus 6, podemos concluir que foi exatamente isso que o mestre Yeshua ensinou, pois o contexto diz:
“Não ajunteis tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem tudo consomem, e onde os ladrões minam e roubam; Mas ajuntai tesouros no céu, onde nem a traça nem a ferrugem consomem, e onde os ladrões não minam nem roubam.Porque onde estiver o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração.A candeia do corpo são os olhos; de sorte que, se os teus olhos forem bons, todo o teu corpo terá luz;Se, porém, os teus olhos forem maus, o teu corpo será tenebroso. Se, portanto, a luz que em ti há são trevas, quão grandes serão tais trevas!”
(Mateus 6:20-23)
Note que o contexto é concernente a dinheiro, bens materiais e riquesas. Portanto, o que realmente Yeshua ensinou foi:
A vela do corpo é o olho, portanto, se você for generoso, em toda a câmara do teu ventre (corpo) será luz. E se você for avarento, há trevas em toda a câmara do seu ventre, e se a luz é escuridão em você, quão grandes são as suas trevas!
Yeshua nos enisou o que a Toráh sempre sempre ensinou, fazer Tsedaká (obras de justiça), A Toráh declara no seguinte versículo:
“Se houver um carente entre seus irmãos, numa de suas cidades, na terra que D’us deu a vocês, não endureçam seus corações nem fechem a mão a seu irmão carente. Vocês definitivamente devem abrir suas mãos e lhe emprestar o suficiente para o que lhe faltar (Devarim 15:7-8).” A palavra hebraica Tsedaká é erroneamente traduzida como ‘caridade’, mas a palavra correta que provém de tsêdek é “justiça”. Ela difere da caridade pois esta é definida como “um ato de generosidade ou de auxílio a um pobre”. A Tsedaká não é meramente um ato de caridade: toda vez que alguém proporciona satisfação a outros – mesmo aos ricos – com dinheiro, comida ou palavras reconfortantes, ele cumpre esta mitsvá! Este é um dos 613 preceitos dados por D’us no Monte Sinai ao povo judeu.D’us permitiu que existissem pobres e ricos para que os seres humanos exercecem bondade e justiça uns com os outros transformando seu livre arbítrio em ações positivas.(Chabad)
Abençoado seja O Eterno


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